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Aztec Caves: pós-punk sobre revelações em “Epiphany”

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Aztec Caves: pós-punk sobre revelações em "Epiphany"

RESUMO: Último single antes do novo álbum do Aztec Caves, Epiphany cruza rock psicodélico, pós-punk, eletrônica e pop dos anos 1990 para falar sobre o que acontece depois de uma revelação.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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O Aztec Caves chega ao último single antes de seu novo álbum com Epiphany, faixa que mistura rock psicodélico, pós-punk e uma boa dose daquele pop mais sofisticado que circulou pelos anos 1990. Há ainda um beat eletrônico por baixo de boa parte da música, lembrando a época em que elementos do hip hop começaram a entrar de vez no vocabulário de bandas vindas do rock alternativo.

Projeto do cantor, compositor, multi-instrumentista e produtor Michael Martinez, de El Paso, no Texas, o Aztec Caves também coloca nessa mistura guitarras de inclinação progressiva, harmonias psicodélicas e linhas de piano bastante presentes. Em alguns momentos, Epiphany tem a ver com o Dada de Dizz knee land: rock alternativo com arranjos trabalhados, mas sem perder a estrutura de canção pop.

A letra parte de uma questão simples. “Epiphany explora liricamente o momento depois de uma epifania: o que faço com esse novo conhecimento?”, explica Michael. Mais do que falar da descoberta em si, portanto, a música olha para aquele instante seguinte, quando alguma coisa já mudou e é preciso decidir o que fazer com isso.

Epiphany também trouxe uma mudança na maneira como Michael costuma trabalhar. Embora o Aztec Caves seja essencialmente um projeto solo, desta vez ele chamou outros músicos para a gravação. Eric Boseman registrou a bateria ao vivo, enquanto Marcos Smith ficou responsável pelo solo de guitarra.

Michael cita Beatles, Zoé, Animal Collective e Four Tet entre suas principais influências, uma combinação que ajuda a explicar a variedade de referências do projeto. Até o nome Aztec Caves veio de perto: é a trilha preferida de seu filho para caminhadas em El Paso.

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Oh Pray Tell: luta, memória e transformação em “Poor black woman blues”

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Oh Pray Tell: luta, memória e transformação em “Poor black woman blues”

RESUMO: O trio canadense Oh Pray Tell cruza roots, gospel, R&B acústico e folk em Poor black woman blues, single sobre resiliência e afirmação pessoal que antecipa seu primeiro álbum.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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O trio Oh Pray Tell, de Kootenay, na Colúmbia Britânica, apresenta Poor black woman blues, single que combina roots, gospel, R&B acústico, folk e elementos de folclore experimental. Formado por Sally Titasey, Shayna-Adjowa Jones e Betty Supple, o grupo trabalha com narrativas, spoken word e harmonias vocais a três vozes.

A música fala de resiliência, transformação e afirmação pessoal. A letra parte da busca por força em momentos de dificuldade, enquanto a instrumentação aproxima referências tradicionais e contemporâneas.

“Essa música é especialmente tocante para mim”, conta Shayna. “A letra fluiu da minha mão em um dia fatídico, quando a intensidade da vida me mantinha presa ao chão. Mas esta é uma canção sobre se levantar, lutar e assumir cada grama de poder”.

Poor black woman blues relaciona experiência pessoal, identidade e herança cultural, mas o trio evita determinar uma única leitura para a música, deixando espaço para diferentes interpretações.

O Oh Pray Tell surgiu em 2015 como um duo formado por Betty Supple e Sally Titasey. As duas já trabalhavam juntas quando começaram a desenvolver uma proposta baseada em harmonias, palmas e batidas de pé.

A formação mudou em 2021, quando Shayna-Adjowa Jones, artista multidisciplinar ligada ao spoken word, conheceu o trabalho da dupla e propôs uma colaboração. O primeiro encontro aconteceu no Langham Theatre, em Kaslo, na Colúmbia Britânica. A experiência resultou em uma residência de três dias e, alguns meses depois, em uma apresentação com ingressos esgotados.

Shayna passou a integrar oficialmente o grupo em 2024. Desde então, o trio vem se apresentando em diferentes espaços da Colúmbia Britânica, incluindo o Salmon Arm Roots & Blues Festival e o Key City Theatre, em Cranbrook.

Em fevereiro de 2026, o Oh Pray Tell lançou seu primeiro EP. O grupo agora trabalha na gravação do primeiro álbum completo, previsto para fevereiro de 2027.

Poor black woman blues apresenta, assim, uma amostra do caminho construído pelo trio: música centrada em vozes, narrativa e diferentes tradições, com temas ligados a luta, memória e transformação.

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Bending Backwards mistura pós-punk e shoegaze em estreia fora do Spotify

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Bending Backwards mistura pós-punk e shoegaze em estreia fora do Spotify

RESUMO: O grupo dinamarquês Bending Backwards prepara o álbum de estreia Still and quiet, brother, are you still and quiet, que cruza pós-punk e shoegaze em músicas sobre amor, distância e desorientação. Já saíram dois singles.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Nem adianta procurar material do Bending Backwards no Spotify: a principal plataforma dessa banda de pós-punk de Copenhague é o Bandcamp e seu primeiro álbum, Still and quiet, brother, are you still and quiet, vai sair dia 16 de outubro por lá, e em “plataformas selecionadas”.

No momento, você escuta no Bandcamp deles os dois singles do disco, Bend you out of shape e I see you from here. A primeira é um guitar rock marcado por um ritmo sinuoso e pela presença de uma percussão, além de guitarras que passam da melodia ao rangido em pouco tempo.

“Essa música brotou da imagem de uma gangue de crianças travessas, andando de bicicleta despreocupadamente pelas ruas suburbanas durante todo o verão, procurando coisas para fazer e aprontar”, conta a banda. “Uma homenagem aos adolescentes descuidados, brincalhões e mal-educados em busca de emoções. E uma carta de amor aos que não merecem, mas são adoráveis”.

I see…, por sua vez, tem um ritmo que vai sendo construído aos poucos, em torno da guitarra batida e dos vocais de Frederik Blæsild Vuust, que divide o grupo com Halfdan Stefansson (guitarra) e Johannes Østlund Jacobsen (bateria). Uma canção de amor para alguém que pode partir a qualquer momento, com um arranjo mais próximo do shoegaze viajante. “A letra permanece nesse espaço instável entre proximidade e distância, impulsionada pelo desejo e pelo medo de se aproximar de outra pessoa”, diz a banda.

Com referências que vão de Anohni (na voz de Frederik) a autores como T. S. Eliot e László Krasznahorkai, o Bending Backwards fala muito de amor – mas nem sempre do amor romântico. Tem até amor entre irmãos no disco deles, já que uma das faixas se chama Dedicated to my younger brother (“dedicado ao meu irmão mais novo”). As letras de Frederik também falam muito de dualidades – entre a saudade de casa e a atração do mundo exterior, entre intimidade e desorientação.

Você ouve os dois singles e confere capa e lista de faixas de Still and quiet, brother, are you still and quiet abaixo.

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Capa do álbum "Still and quiet, brother, are you still and quiet", do Bending Backwards

LISTA DE FAIXAS:
01. Bend you out of shape
02. Endlesss hours
03. You are my love
04. The shapes into a silence
05. Skating the sky
06. Crushing softness
07. I see you from here
08. Dedicated to my younger brother

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Ouça antes: Monique Maion transforma vizinha preconceituosa na personagem de “Karen”

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Monique Maion - Foto: GRITA / Divulgação

RESUMO: Brasileira radicada nos EUA, Monique Maion responde ao preconceito e à vigilância de uma vizinha com Karen, single em português que mistura provocação, humor e toques de baião.

Texto: Ricardo Schott – Foto: GRITA / Divulgação

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Cantora brasileira radicada nos EUA, Monique Maion já teve confrontos com uma vizinha meio falsiane e bastante preconceituosa com imigrantes que adora ficar controlando + fofocando a vida dela, mas finge “amizade” e cordialidade. A tal briga gerou um single, Karen, que fala sobre preconceito, privilégio e comportamento controlador – tudo na figura da mulher branca de classe média ou alta que adora fuçar a vida dos outros. A música sai oficialmente nesta sexta (25) à meia-noite, e você ouve antes aqui no Pop Fantasma.

“Criar e liberar esse single é uma forma de fazer piada, de confrontar”, conta. Na letra, Maion transforma a situação em uma espécie de recado direto: “Não venha com joinha / não venha, queridinha / não venha com ‘Bom dia’ / eu já tô de saída”. “Quando me mudei, existia uma projeção de que as coisas eram melhores no exterior, e isso é uma grande ilusão, que fui descobrindo na prática”, afirma ela, que preferiu cantar tudo em português, para aumentar a provocação. A música tem toques de baião e samba-rock das antigas, com guitarra distorcida e um órgão a la Ed Lincoln – Monique e sua turma fizeram uma longa introdução instrumental para criar um clima bem brasileiro e psicodélico antes da voz entrar,

“Sofro os preconceitos que qualquer imigrante sofre. Logo, cantar em português na cara da Karen, sem ela entender nada do que digo, me dá muita satisfação”, diz, falando também sobre o racismo por lá. “Estamos testemunhando uma epidemia ideológica. No Brasil, o racismo é tipificado como crime e essas mulheres vão para cadeia. Aqui, nos Estados Unidos, é diferente: não existe uma lei que proteja as pessoas da supremacia branca”.

Karen adianta um álbum previsto para novembro, e tem produção de Monique e de Renato Cortez, com mixagem de Mario Caldato Jr. Participam ainda Fernando Coelho (guitarra), Gibi dos Santos (percussão), Fernando Trz (piano, teclados e arranjos) e Peo Fiorin (bateria). É uma música a partir da qual Monique passa a tomar conta mais de perto da produção executiva de seu trabalho – o próprio álbum que tá vindo aí já surge disso.

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