Urgente
Eyecolour traz de novo seu “dark pop com coração narcótico” com “Clean”

RESUMO: A dupla australiana Eyecolour antecipa o álbum Perfume com o single Clean, faixa que mistura pós-punk, dream pop e synth-pop em uma sonoridade mais eletrônica, escura e noturna.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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“Dark pop com um coração narcótico”. É assim que o Eyecolour define o próprio som, e a descrição ajuda bastante a entender Clean, novo single da dupla de Brisbane, Austrália. A faixa junta sintetizadores em camadas, guitarras que parecem evitar qualquer resolução e uma atmosfera noturna que fica em algum ponto entre pós-punk, dream pop e synth-pop.
Hoje formado por Steven Appleton (voz, guitarra e sintetizadores) e Leith Jacobs (bateria), o Eyecolour nasceu a partir de integrantes dos projetos Soviet X-Ray Record Club e Howling Rabbits. O primeiro álbum, Giallo (2024), tirava o nome do gênero italiano de suspense e terror e já deixava clara uma atração por trilhas sonoras, eletrônica indie francesa e pelo lado mais sombrio dos anos 1980. O disco foi gravado ao vivo, com quatro músicos tocando juntos numa sala.
A formação encolheu para uma dupla e o som também mudou. Em vez de simplesmente reproduzir referências oitentistas, Appleton e Jacobs vêm buscando algo mais enevoado e eletrônico. Clean é parte dessa fase e aponta para Perfume, próximo álbum do grupo.
A dupla situa a música entre a expansão sonora do The Horrors, o instinto synth-pop do M83 e o brilho meio nebuloso do Wild Nothing. As referências aparecem, mas Clean tá num lugar menos definido: sintetizadores e guitarras se sobrepõem, a bateria mantém a faixa em movimento e a melodia surge no meio dessa névoa.
O próprio Eyecolour associa Clean à última hora de uma noite que, na verdade, está apenas começando — aquele instante em que alguma coisa muda e ninguém sabe exatamente para onde vai. É daí que vem o tal “coração narcótico”, surgido pela repetição e pela sensação de estar entrando cada vez mais fundo no clima da música.
Clean dá sequência aos singles Lighter, Poor girl e Afterimage e prepara o terreno para Perfume, segundo álbum, que vem neste ano ainda. Aos poucos, o Eyecolour vai deixando para trás o formato de banda que marcou Giallo e encontrando outra identidade: mais sintética, mais escura e deliberadamente noturna.
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Elephant Run solta seu monstro interior em “Little monster”

RESUMO: Em Little monster, a banda sueco-brasileira Elephant Run explora impulsos reprimidos em single teatral com clipe de terror que antecipa o álbum Infrared.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Rodrigo Erib / Divulgação
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O pequeno monstro do Elephant Run está cansado de ficar preso dentro de alguém que considera comportado demais. Em Little monster, single da banda sueco-brasileira, é ele quem assume a voz e reclama da pessoa que o mantém escondido. Impulsivo, desinibido e pouco interessado nas regras da convivência, o personagem conduz uma música de origem teatral, que antecipa Infrared, álbum previsto para 2027 pelo selo +um HITS.
A ideia vem de uma composição antiga de Amanda Wahlström Plantin, vocalista e pianista do grupo. Ela tinha vinte e poucos anos quando começou a trabalhar na faixa, então mais próxima do cabaré e inspirada por The trial, aquela orquestral última faixa do disco duplo The wall, do Pink Floyd (1979). Nos ensaios, a música ganhou outros arranjos e uma nova letra. O humor caricato deu lugar a um incômodo mais pessoal: o que fazer com esse lado da gente que quer sair e não liga pra convenções sociais?
“A música de hoje é completamente diferente daquela versão antiga. O que ficou foi a ideia de um ‘little monster’ dentro da gente, que tentamos controlar ou manter escondido, mas que quer sair. Na versão nova, o monstro acabou virando um personagem, um lado mais impulsivo, desinibido, meio vulgar e pouco preocupado em se comportar. Ele é o protagonista e é ele quem conta a história. Está preso dentro de uma pessoa que considera chata e contida demais e passa boa parte da música reclamando disso”, conta Amanda.
Little monster é o segundo single do próximo disco. Além de Amanda, o Elephant Run reúne Fernando Coelho (guitarra e sintetizadores), Ladislau Kardos (bateria) e Renato Cortez (baixo). A banda levou o personagem para um clipe dirigido por Fábio Knoll e pelo próprio grupo, filmado no teatro Arka dos Anjos, em São Paulo.
Amanda interpreta uma criatura cuja mordida transforma humanos em monstros. As referências incluem A maldição da besta, de Paul Naschy, e Um lobisomem americano em Londres, de John Landis, num cenário gótico que aproveita o gosto da banda pelo cinema. Amanda e Ladislau também são atores, e ajudaram os colegas a entrar na brincadeira. Outras ideias surgiram nas conversas durante a filmagem.
Fernando, o guitarrista do grupo, idealizou e produziu o vídeo e assina a colagem da capa. O vermelho acompanha o que ele define como uma música quente, enquanto os pássaros representam entidades brasileiras protegendo a personagem de um olhar externo.
Confira abaixo a capa e o clipe de Little monster.
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Solarski estreia com pós-punk tenso e crítica às guerras em “Do you need a riot?”

RESUMO: O trio belga Solarski estreia com Do you need a riot?, single de pós-punk tenso e guitarras cortantes que critica guerras, interesses econômicos e manipulação.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Shoot Me Again Webzine
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“Não nos ponha numa caixinha. Somos o Solarski”. É assim que o trio belga Solarski se apresenta, deixando claro que não está muito interessado em rótulos. Mas dá para começar pelo pós-punk, que aparece com bastante força no single Do you need a riot?, primeiro single da banda, formada na região de Namur, na Bélgica. O som é tenso, nervoso, com baixo pulsante, bateria insistente, guitarras cortantes e um vocal áspero, quase sempre no limite entre cantar e gritar.
O Solarski é formado por três músicos experientes, que dividem baixo, guitarra e bateria. Os integrantes já passaram por palcos importantes da Bélgica, como o Cirque Royal, o Botanique e o festival Dour, em projetos anteriores. Agora, apostam num som que mistura pós-punk e indie rock, mas com uma urgência que lembra mais uma banda tocando à beira de um ataque de nervos. Há pouco espaço para descanso: a música avança com uma tensão quase permanente, sustentada por uma cozinha pesada e guitarras que parecem querer aumentar ainda mais a pressão.
E o assunto não é dos mais tranquilos. Do you need a riot? (“Você precisa de uma revolta?”) fala de um mundo em que guerras e conflitos parecem cada vez menos ligados a ideais e cada vez mais aos interesses de quem controla petróleo, dinheiro e recursos naturais. A letra mistura referências a guerras econômicas e religiosas, manipulação de informações e uma ordem mundial que parece ter perdido qualquer regra. No refrão, a banda repete uma frase simples, quase como palavra de ordem: “Não precisamos de guerra”.
“Queríamos escrever uma música que não dissesse às pessoas o que pensar, mas que as obrigasse a perguntar quem tem interesse em ver o mundo pegar fogo”, explica o trio.
Gravada, mixada e masterizada pelos próprios integrantes, Do you need a riot? é a primeira amostra do álbum de estreia do Solarski, ainda sem data anunciada. A banda prefere não ser colocada numa caixinha, mas já dá para perceber que o pós-punk é sua arma para falar de um mundo que anda difícil de engolir.
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Smile: poesia falada e desespero punk em “Gotta run”

RESUMO: Em Gotta run, o Smile mistura punk, pós-punk e poesia falada numa música sobre traumas e sobrevivência. Single antecipa o álbum Gun-shy, de 2027.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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O Smile tem uma vocalista que diz preferir “entoar suas histórias poéticas, repletas de reflexões pessoais” em vez de simplesmente cantar. Mas é bom não se acostumar: no single Gotta run, Rubee True Fegan começa com uma voz blasé, quase falada, e depois solta o desespero. A banda acompanha com um som elegante e ruidoso, mais punk do que pós-punk (embora definam-se como pós-punk), até mudar de assunto no meio da música. Ou melhor: mudar a maneira de tratar o mesmo incômodo.
Formado por amigos durante a pandemia, o grupo reúne músicos dos Estados Unidos e da Alemanha, hoje espalhados por Amsterdã, Berlim e Colônia. Rubee, também artista performática, põe histórias e reflexões pessoais em letras que nem sempre precisam de uma melodia para funcionar. O EP I hate it here (2022) e o álbum Price of progress (2023) apresentaram esse encontro de poesia falada, guitarras e vontade de experimentar.
Gotta run antecipa Gun-shy, segundo álbum, que sai em 22 de janeiro de 2027 pela Siluh Records. A faixa começa correndo, com bateria rápida e uma urgência que combina com o título. Depois desacelera e vira quase outra música, mais arrastada e cheia de tensão. Rubee levanta a voz, e aquela aparente indiferença do começo vai para o espaço. A fuga ganha um peso que a velocidade inicial ainda permitia disfarçar.
A letra trata do que um sistema violento ensina ao corpo, inclusive depois que a pessoa consegue escapar. Sair de um lugar não resolve automaticamente o que ele fez com você: sobram reflexos de defesa, medos e hábitos que acabam entrando nas relações amorosas e familiares. Dá para desaprender o que foi necessário para sobreviver?
No clipe, Rubee circula por Albuquerque, sua cidade natal (no Novo México), vestida de poodle rosa. A figura absurda atravessa uma paisagem marcada por desigualdade, carros e ruas, com imagens de câmera de mão. O disco foi gravado com Olaf Opal em Colônia, aproveitando demos feitas também em Albuquerque e preservando algumas primeiras tomada. Tudo com uma boa dose de aspereza.
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