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Cultura Pop

Gershon Kingsley e o sucesso de Popcorn

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Em uma noite qualquer do Top of the pops, em 1969, sons eletrônicos ritmados e um tanto cômicos surgiam ocupando o primeiro lugar do paradão britânico. Era Popcorn, um tema escrito pelo compositor alemão Gershon Kingsley. E tocado por ele no sintetizador Moog. Era, tudo considerado, a primeira vez que uma composição totalmente eletrônica conseguia tamanho sucesso. A ponto de liderar paradas em vários países e ganhar várias regravações.

Olha aí a música no Top of the pops. (clica aí porque o vídeo não tem como incorporar). Na falta de Gershon – um sujeito que preferia o estúdio a aparições ao vivo e, na época, já andava lá pelos 47 anos – a câmera focalizou a galera da plateia dançando.

Gershon Kingsley e o sucesso de Popcorn
Em 1969, Gershon estava divulgando seu primeiro disco solo, Music to moog by. Hoje em dia parece estranho de imaginar, mas naquele período era bastante comum que tecladistas lançassem discos de música feita no Moog ou no Mellotron – duas traquitanas que eram sensações da época. O primeiro álbum pop de Gershon, que vinha de trabalhos em musicais da Broadway, tinha sido feito ao lado de outra lenda dos teclados, o francês Jean Jacques Perrey, The in sound from way out (1966).

Jean Jacques (1929-2016), por sinal, você conhece de duas músicas clássicas. Se você ouvir Gossipo perpetuo e não lembrar da voz do Lombardi, locutor do Programa Silvio Santos, é porque não via SBT nos anos 1980 e 1990. Ela costumava ser usada naqueles vídeos “curiosos” que o Patrão apresentava.

The elephant never forgets era usada como tema do Chaves.

Até o sucesso, ocorrido pouco tempo antes de Popcorn, a vida de Gershon tinha sido repleta de histórias bizarras. Judeu, ele tinha pai e mãe comerciantes. O pai tocava piano mas não era músico profissional. Tornou-se integrante do movimento sionista na adolescência. Em 1938, pouco antes do massacre de judeus conhecido como Noite dos Cristais, deixou o país, passando por Tel Aviv e Jerusalém. Os pais, que ficaram na Alemanha, ele só foi rever oito anos depois, quando toda a família conseguiu se reencontrar nos Estados Unidos.

Uma das entrevistas recentes concedidas por Gershon foi – olha que interessante – dada a um brasileiro. O músico gaúcho Astronauta Pinguim falou com o criador de Popcorn e ouviu dele que tudo mudou na sua vida após o contato com Robert Moog, criador do sintetizador que levou seu nome. “Comprei com o meu último dinheiro o sintetizador. Felizmente, em algumas semanas, consegui meu dinheiro de volta para fazer um comercial para secadores de cabelo”, afirmou.

O músico também revelou pra Astronauta que não é verdade que a inspiração de Popcorn foi o som de uma máquina de pipoca. Um de seus músicos sugeriu o nome como um trocadilho para “pop brega” (com “milho”, corn em português, significando kitsch, e “pop” como música pop mesmo). Gershon também diz não amar muito a série de regravações que a música foi ganhando. Um youtuber compilou treze delas e pôs em ordem alfabética. Não há tanta diferença entre a maioria delas, mas algumas ganharam letras.

A versão desse grupo de música instrumental, Hot Butter, ficou conhecida no mundo todo. Até no Brasil. Se você esbarrou com Popcorn em algum programa de TV (possivelmente do SBT, que tem queda por essas coisas), pode apostar que foi essa versão.

“E no Brasil, alguém gravou Popcorn?”. A Orquestra Imperial gravou no disco Carnaval só ano que vem (2007) e vive tocando. Numa ocasião rolou até um “fora Temer”.

Epa, até o Muse gravou Popcorn. Saiu no lado B da versão de sete polegadas do single Resistance (2010).

Em 1970, na onda do sucesso de Popcorn, Gershon Kingsley montou o First Moog Quartet, uma tentativa de aproximar a música eletrônica do universo clássico. Os discos dessa fase são experimentais demais e conquistaram pouco público.

Após todos esses trabalhos, Gershon Kingsley passou vários anos gravando trilhas para comerciais e discos de vários gêneros – até de música judaica. Hoje tem 95 anos e vê volta e meia sua música sendo usada em programas de TV e videogames.

Olha ele aí fazendo uma versão para piano de seu maior hit, em 2007.

E já que você chegou até aqui, pega aí um guitarrista chamado Charlie Parra Del Riego promovendo o encontro entre Popcorn e o universo do heavy metal.

Inclui infos de Flashbak

Cultura Pop

R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

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R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

No dia 31 de maio de 1982, a gravadora I.R.S. enviava um press release avisando que havia assinado com o R.E.M., “uma banda de Athens, Georgia, aclamada pela crítica”. E já anunciava que no dia 26 de agosto sairia o EP Chronic town, com as faixas 1,000,000, Stumble, Wolves, lower, Gardening at night e Carnival of sorts (Boxcars). A foto de imprensa, em preto e branco, trazia Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixo), Bill Berry (bateria) e Michael Stipe (vocais) com visual pós-adolescente.

“O EP vai ser seguido por um álbum no ano que vem. O R.E.M. planeja fazer uma turnê pelo Oeste do país durante o verão, seguida pelos estados da Costa Leste e do Canadá durante o Outono”, avisava a gravadora, oferecendo também o contato da empresária Betsy Alexander, primeira pessoa a cuidar profissionalmente do grupo, ajudando em contatos, logística e gestão. O release só errava na ordem das músicas do EP, que possivelmente ainda não estava decidida (Chronic town também saiu dividido em duas partes, com lado A nomeado Chronic town e lado B com nome Poster torn)

O contrato era de longo prazo e previa cinco discos – ou seja, tudo que saiu do grupo até Life’s rich pageant, o quarto álbum, de 1986. Depois disso, o grupo renegociou e lançou o quinto disco, Document, de 1987 – mas acabou migrando para a Warner e terminando o contrato com a coletânea Eponymous (1988).

A I.R.S. tinha sido criada em 1979 por Miles Copeland III, irmão de Stewart Copeland, baterista do The Police. O selo vinha da cena punk/new wave britânica e funcionava como uma espécie de ponte entre o underground e uma estrutura profissional de distribuição via A&M (a gravadora do Police, por acaso).

Na época em que o R.E.M. assinou, a I.R.S. já tinha grupos como Wall of Voodoo, Oingo Boingo, The Go-Go’s e The English Beat. Era um selo muito ligado a college radio, pós-punk, new wave e à ideia de independência artística. Depois, virou praticamente sinônimo do rock universitário americano dos anos 1980 por causa do próprio R.E.M.

A entrada da banda na gravadora aconteceu muito por conexões da cena. O empresário/agente Ian Copeland, irmão de Miles e Stewart, já acompanhava o grupo desde os primeiros shows em Athens. O baterista Bill Berry tinha trabalhado para Ian em Macon como roadie e serviços-gerais, e mantinha contato com ele. Isso ajudou o R.E.M. a conseguir shows de abertura para bandas maiores, como The Police e Gang of Four, até chamar atenção da I.R.S.

E olha o post comemorativo do R.E.M. aí.

 

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Um post compartilhado por R.E.M. (@rem)

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Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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