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Cultura Pop

E os 50 anos da estreia do Roxy Music?

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O primeiro disco do Roxy Music, epônimo, completou 50 anos no mesmo dia, 16 de junho, em que The rise and fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars, de David Bowie, também chegou às cinco décadas. A estreia do grupo britânico trazia uma visão do glam rock bem diferente da que aparecia em álbuns como Electric warrior, do T. Rex, ou o disco de Bowie.

Bryan Ferry (piano, voz), Brian Eno (teclados), Phil Manzanera (guitarra), Graham Simpson (baixo), Andy Mackay (sax) e Paul Thompson (bateria) eram o último grito do art rock, com quedas para o progressivo e para as experimentações de estúdio. A faixa inicial, Re-make/Re-model, por exemplo, abria com sons de festa, gente conversando, ruídos de talheres e brindes – uma ambientação que, observada hoje, lembrava tanto Beatles e Mutantes quanto disco music e Grace Jones.

A origem do Roxy Music não poderia ser mais estranha – enfim, adequada àqueles tempos. Definido como “banda-salada” por alguns críticos musicais, o grupo misturava o progressivismo de Manzanera, o background clássico de Mackay, a paixão por jazz de Simpson, o amor por soul de Ferry, a tendência a experimentalismos de não-músico de Eno. E a simplicidade e o peso das batidas de Thompson, que anos depois tocaria em bandas de pós-punk (Concrete Blonde) e até oi-punk (numa das fases do Angelic Upstarts).

Essa turma toda tinha como produtor, no debute, um verdadeiro herói do rock progressivo. Era Peter Sinfield, letrista do King Crimson e um dos sujeitos responsáveis pela estreia do grupo de Robert Fripp, In the court of the crimson king (1989) – mas um cara aberto o suficiente para, anos depois, ser visto compondo até para Nikka Costa e Celine Dion.

Ferry, antes de adotar o papel de Casanova decadente que viveria à frente da banda, era um estudante de artes que pagava as contas fazendo suas próprias obras, restaurando antiguidades e dando aulas de cerâmica para garotas. Aulas, por sinal, que ele próprio sabotava, substituindo o programa por audições de discos e sessões de conversa-mole sobre música. Acabou demitido.

Sabe-se lá se por conta de toda essa variedade de históricos e influências, é impossível escutar Roxy Music sem que algo ali converse musicalmente com você – seja lá qual for seu estilo de música pop, aliás. Boa parte do material era praticamente um passo além do som de David Bowie em discos como David Bowie (o de 1969, com Space oddity) e Hunky dory (1971), acrescido de tons espaciais e festeiros, e de influências que iam de música de faroeste e Beatles (em Re-make/Re-model) ao filme Casablanca (a bela 2HB, ou “to Humphrey Bogart”, ator principal do filme).

A concepção de glam rock do sexteto, aliás, aproximava o rock do imaginário das estrelas de cinema, ou da construção de personagens épicos e sedutores. O grupo, claro, não se chamava “música roxy” à toa (existem trilhões de cinemas e teatros com “roxy” no nome desde sempre). Esse detalhe aparecia também em Virginia Plain, primeiro single pós-primeiro álbum – incluído em algumas edições do disco, inclusive na edição brasileira, lançada pela Philips – com letra fazendo referência a Baby Jane Holzer, atriz da turma de Andy Warhol.

If there is something dá um ar country e irônico do disco, como se fosse uma canção de teatro de variedades. Ladytron, que você vai querer ouvir repetidas vezes, é uma balada espacial sobre uma sedutora mulher-robô, cujos sons de abertura foram feitos no sintetizador por Brian Eno tendo em mente a chegada ao homem à lua. O Roxy também não escapou da obsessão pela Segunda Guerra Mundial que pegou bandas como o Pink Floyd, com a minissuíte The bob fazendo referência à Batalha da Grã-Bretanha, travada durante quatro meses do ano de 1940 entre a Inglaterra e a Alemanha nazista (o “bob” do título é a abreviação de “Battle of Britain”).

Faltou falar do lay out: a ex-bond girl Kari-Ann Muller posava maquiada numa cama, como se fosse o momento pin-up de uma atriz para a capa de uma revista, e não a capa de um disco. Kari, que ganhou 20 dólares pela foto, também é a modelo da capa de The hoople, disco do Mott The Hoople de 1974, o último com o líder Ian Hunter. Roxy Music talvez fosse o primeiro disco a trazer créditos para “roupas, maquiador e cabelos” – e não apenas para Kari-Ann, já que os integrantes da banda posavam no maior estilo glam para as fotos do álbum.

O Roxy perderia seu baixista logo no começo do sucesso, por razões muito sérias: Graham Simpson sofria de depressão, passou a se tornar um personagem cada vez mais ensimesmado e praticamente desertou do grupo. Rik Kenton entrou a tempo de gravar o baixo do single Virginia plain, mas não esquentaria lugar, e o posto seria sempre rotativo na história do Roxy Music. A estreia do grupo, com um dos sextetos mais afiados da história do rock e do pop, continua sendo um disco para mudar vidas, mesmo após cinco décadas.

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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