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Cultura Pop

E os 40 anos de English Settlement, do XTC?

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E os 40 anos de English Settlement, do XTC?

O livro 33 1/3 Revolutions per minute: A critical trip through the rock LP era, de Mike Segretto, defende que English settlement, quinto disco da banda britânica XTC (LP duplo lançado em 12 de fevereiro de 1982) é “uma experiência intelectual, mais do que uma experiência visceral, ainda que o material seja tão melodioso quanto sempre foi”. É por esse viés “inteligente” que o XTC deve ser ouvido, embora seja uma bobagem classificá-lo apenas como um grupo cabeçoide.

Para o rock britânico, os álbuns do XTC têm (quase) o mesmo valor da discografia do Clash. Com a diferença significativa de que se Joe Strummer, Mick Jones, Topper Headon e Paul Simonon levavam o rock para uma viagem político-musical, o grupo liderado por Andy Partridge e Colin Moulding era um tanto mais sofisficado.

O XTC – que em 1982 era também a banda do multiinstrumentista Dave Gregory e do baterista Terry Chambers – muitas vezes nem sequer revelava onde estavam as fronteiras entre pessoal e político. Ou entre as vivências individuais e o assombro com o mundo que ia bem mais além do quintal deles. Daria para falar que é uma banda “cerebral”, não fosse um adjetivo tão gasto e tão clichezento.

Eram também uma banda que, antes do sucesso, já havia feito várias tentativas: começaram em 1972, adotaram vários nomes antes de se decidirem por XTC (só aconteceu em 1975) e, mesmo sendo uma das várias bandas influenciadas pelo pré-punk dos New York Dolls, recusaram-se a fazer parte do rebanho punk.

Gregory, por exemplo, era fã da Mahavishnu Orchestra. E, bem no comecinho, durante uma troca de nomes, houve a possibilidade do grupo se chamar The Dukes Of Stratosphear, recusado por parecer “psicodélico” demais (adotariam o nome nos anos 1980 para um spin-off pop-psicodélico do grupo, que lançou dois discos).

Influências de dub, Beatles, música de vanguarda e Todd Rundgren – que acabaria produzindo o grupo – também serviam para confundir jornalistas e fãs de bandas dedicadas a poucos acordes. E era o som que podia ser ouvido em boa parte dos discos deles, em especial nos lançados a partir de Drums and wires (1979), o álbum do hit Making plans for Nigel.

English settlement trazia novidades. O XTC procurava focar em canções que poderiam facilmente ser resumidas ao esqueleto voz-e-violão. Após a movimentada turnê de Drums  and wires. quando chegaram a abrir para o Police, também haviam resolvido facilitar a execução das faixas, gravando poucos overdubs de guitarras, e focando o máximo que desse num “som de palco”, embora houvesse sintetizadores e efeitos de gravação camadas acima das bases. E ainda que os lados mais experimentais do grupo jamais fossem deixados de lado. Afinal era o disco da perturbadora Jason and the Argonauts, da hispânica Yacht dance, do hino reggae-pós-punk Runaways.

O quinto disco do XTC era também uma tentativa de paz após a tempestade. O estresse dos shows e a pressão da Virgin, gravadora da banda, tinham causado uma verdadeira deterioração psicológica em Andy Partridge. O principal compositor do grupo estava viciado em tranquilizantes e totalmente desorientado. Chegara a abandonar o palco durante um show em Paris e, de volta à Inglaterra, recorreu à hipnose.

Houve trocas de produtores, dúvidas sobre se a banda faria outra turnê, problemas de diálogo dentro do grupo, e um excedente de material, que acabou transformando o que seria um disco simples num duplo em que não há espaço desperdiçado. Cada segundo esconde surpresas em acordes, letras e até finais de música, como no reggae-progressivo em 5/4 de English rondabout. 

English settlement é marcado pelo discurso irônico de letras como Ball and chain (sobre como os impostos da Inglaterra afetavam a terra natal da banda, Swindon, uma ex-região ferroviária do sudoeste da Inglaterra), Senses working overtime (a tentativa do XTC de um novo hit, e que acabou sendo seu último single muito bem-sucedido), a anti-armamentista Melt the guns e No thugs in our house – essa, sobre um casal que descobre que o filho, que vive com eles, é um racista violento. Havia discurso anti-machista em Down in the cockpit, choques com o mundo moderno em It’s nearly Africa e Leisure.

Com o disco de 1982, o XTC encontrava um sucesso de público e crítica que se tornaria cada vez mais difícil se conseguir com o passar dos tempos – a ponto do projeto Dukes Of Stratosphear ajudar a salvar as vendas do grupo. O XTC sumiria dos palcos e Partridge, ainda prejudicado, desapareceria mais ainda. Seu sumiço geraria uma fofoca duradoura de que o músico havia morrido e bandas, consternadas, fizeram shows em sua memória. Discos excelentes não faltaram para completar a história do grupo, que após alguns anos, se tornaria uma presença bastante incômoda e excêntrica no mercado da música. E jamais seria esquecido.

 

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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