Cultura Pop
Discos de 1991 #7: “Screamadelica”, Primal Scream

Em 1988, o guitarrista, cantor e compositor Bobby Gillespie, líder da banda escocesa Primal Scream, decidiu – após alguma insistência do amigo e patrão Alan McGee, dono da gravadora Creation – conhecer a cena de house music que arrastava multidões de jovens na Inglaterra. Começaram a frequentar o Future, clube montado pelos DJs Paul Oakenfold e Danny Rampling, e tomaram contato com o movimento musical que até mesmo o jornal sensacionalista The Sun considerava como “o mais revolucionário desde o punk”. Ele e seus companheiros de banda saíram de lá apaixonados pela maluquice, pela criatividade e, em especial, pelas drogas – em época de profundo namoro da cultura pop inglesa com o ectasy.
Sem esse cenário, Screamadelica não teria acontecido. O terceiro disco do Primal Scream, lançado em 23 de setembro de 1991, resolvia um dilema pesado na história do grupo. Liderada por um ex-integrante do Jesus & Mary Chain, a banda tateou entre vários estilos nos primeiros anos sem ter uma cara própria. Em 1986, fizeram parte do rebote pós-punk da turma da fita C86 do New Musical Express (sua Velocity girl, que inspirou até o nome de uma banda conhecida do rock alternativo americano dos anos 1990, estava na fitinha). Voltaram como herdeiros dos Byrds, heróis do jangle pop e roqueiros clássicos nos dois primeiros discos, Sonic flower groove (1987) e Primal Scream (1989).
No terceiro disco, a banda misturava o que havia aprendido nos clubes, mas sem esquecer o amor por Rolling Stones (Exile on main street aparece como referência em vários momentos e Jimmy Miller, produtor de Beggars banquet, trabalhou em Screamadelica) e por Beach Boys (Pet sounds). As tais substâncias ilícitas contaram para a mudança, e muito – Bobby costuma dizer que o primeiro disco do PS foi inspirado pelo ácido, o segundo pelo speed e o terceiro, lógico, pelo ecstasy.
Loaded, o primeiro single, saiu bem antes do LP (em fevereiro de 1990) e já mostrava que o Primal Scream voltava disposto a construir suas músicas, como um produtor ou um DJ. A música incluía vários samples (o próprio grupo estava entre os sampleados) e um trecho do filme O selvagem. A revista Muzik, animada, chamou a canção de “Sympathy for the devil da geração ecstasy”. Gillespie fazia questão de se dizer a milhas de distância da cena rocker e classificava a música como “dub”.
Com gravação extensa (atravessou vários meses entre 1990 e 1991), Screamadelica teve seis singles – entre elas o belo Come together, cujo clipe é uma maravilha digital e pós-psicodélica. Sua elaboração foi marcada por momentos de total loucura em estúdio. Martin Duffy, tecladista, foi visto pulando na mesa de mixagem durante as gravações. A capa, um logotipo desenhado por Paul Cannell, colocava o disco mais próximo da acid house do que do rock. As primeiras turnês foram uma perdição de drogas e sexo. A banda começou a desmoronar por causa dos excessos.
Influência básica em projetos musicais como o Daft Punk, Screamadelica fez o jovem inglês sonhar e alargou os limites de liberdade musical no começo dos anos 1990. E mostrou o quanto ainda era possível inovar no rock e na música pop.
Outros discos de 1991 aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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