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Cultura Pop

Discos de 1991 #12: “De La Soul is dead”, De La Soul

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Discos de 1991 #12: "De La Soul is dead", De La Soul

A ida do trio de rap De La Soul no (popularíssimo) programa do apresentador de TV Arsenio Hall, durante a divulgação do primeiro disco, 3 feet high and rising (1989), deixou o grupo com algumas coisas entaladas na garganta. O grupo, pioneiro em inserir partícular de jazz no hip hop, já estava meio cansado de entrevistas nas quais precisava responder sobre os elementos psicodélicos do seu som, e de aturar o apelido mal vindo de “hippies do rap”. E não é que foi assim mesmo que Arsenio introduziu Posdnuos, Trugoy e Maseo no palco?

Muito dessa fama vinha deles mesmos, graças à ilustração floral da capa do primeiro álbum, ao clima relaxado das músicas (o De La Soul fazia rap até com discos infantis e sampleou o grupo sessentista The Turtles), ao papo-cabeça de algumas letras e entrevistas, e ao conceito musical do grupo (a tal da DAISY Age, uma sigla que significa “da inner sound, y’all”).

O universo do hip hop estava mudando bastante ao redor do grupo: os primeiros sucessos do gangsta rap já começavam a surgir logo assim que 3 feet chegou às lojas, e o trio era geralmente tido como uma reação àquilo tudo. Ou como uma caminho neopsicodélico no universo do hip hop, da mesma forma que bandas como Stone Roses e R.E.M. acalmavam o coração dos críticos que procuravam detalhes sessentistas em bandas novas. “Nem sabíamos nada sobre Woodstock, não foi a interpretação correta da alma da nossa música. De La Soul sempre quis fazer hip-hop. Não se trata de margaridas ou da era hippie. Estávamos fazendo hip-hop do nosso jeito”, contou Maseo.

Em 14 de maio de 1991 saiu De La Soul is dead, com um vaso de margaridas (“daisies”, enfim) espatifado na capa. Pass the plugs mostrava que o trio havia ficado incomodado mesmo com Arsenio, ainda mais porque naquela noite resolveram cantar Me, myself and I (cuja letra negava que eles fossem hippies). A letra traz a frase “Arsenio nos insultou, mas a multidão continuou batendo palmas”.

De La Soul is dead iniciava com uma paródia de discos infantis (com direito a um sinal para o ouvinte pular a página, como nos kits de disco-e-livrinho) mostrando as desventuras de um personagem adolescente chamado Jeff. O garoto achou um K7 do De La Soul no lixo, foi mostrar para as garotas do colégio (todas fãs de Vanilla Ice) e acabou tendo sua fita roubada por valentões que o espancam. O site Pop Matters, numa resenha publicada quando o disco completou 20 anos, localizou influências de stand up comedy e de humoristas como Richard Pryor e os Irmãos Marx no disco.

A intenção do grupo, segundo eles próprios, era “matar a tendência (de hip hop “hippie”)” antes que ela virasse uma camisa de força para o trio. O álbum entrava em ondas bem mais sinistras, como Millie pulled a pistol in Santa, sobre uma menina que mata o pai, de quem sofre abusos. Ainda assim, De La Soul is dead era o disco da alegre e retrô A roller skating jam named “Saturdays” – que focava mais na onda de patins dos anos 1970.

De La Soul is dead não foi recebido como a obra-prima que o disco anterior foi – no Brasil, a Bizz destroçou-o em poucas linhas. Não chegou a passar batido, mas também não recebeu a atenção que merecia em meio aos vários lançamentos de hip hop daquele começo de ano. Só é uma pena que seja preciso recorrer a sebos, lojas de importados ou à pirataria (ou ao YouTube) para ouvir os discos antigos do De La Soul: problemas contratuais tiraram a obra da banda da plataformas.

Outros discos de 1991 aqui.
Tem conteúdo extra desta e de outras matérias do POP FANTASMA em nosso Instagram.

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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