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Cultura Pop

Discos de 1991 #11: “The low end theory”, A Tribe Called Quest

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Discos de 1991 #11: “The low end theory”, A Tribe Called Quest

Quando saiu Low end theory, segundo disco do grupo de hip hop A Tribe Called Quest, os fãs praticamente se dividiram entre dois grupos. Tinha a turma que ficou tentando descobrir de onde aqueles sons foram sampleados. E tinha a galera que ouviu tudo aquilo e achou maravilhoso para samplear. Indo muito além da sonoridade do primeiro álbum, People’s instinctive travels and the paths of rhythm (1990), o grupo de Q-Tip, DJ Ali Shaheed Muhammad e Phife Dawg criou a união definitiva entre hip hop e jazz.

Na época em que Low end theory começou a ser pensado, Q-Tip estava fanático por sons de baixo – a ponto de samplear vários. O disco veio em um momento um tanto quanto difícil do grupo, com Phife descobrindo que era diabético e pensando em deixar o ATCQ. Sendo que ele era um garotão adolescente meio perdido na vida pouco antes do grupo gravar o segundo disco, a ponto de levar umas broncas do Q-Tip na base do “preciso que você leve o trabalho a sério”.

A turma acabou convidando ninguém menos que um dos maiores baixistas de jazz do mundo, Ron Carter, para tocar em Verses from the abstract. Ron, que tocou em inúmeros álbuns sessentistas do selo Blue Note (e atuou igualmente em Wave, disco de 1967 de Tom Jobim), nunca tinha ouvido falar do grupo e teve que perguntar a seu filho quem eram aqueles caras. Topou tocar em algumas faixas, mas mandou Q-Tip e seus amigos maneirarem nos palavrões, ou ele sairia do estúdio.

A chegada do baixista foi fundamental para que o grupo mandasse bala de vez no minimalismo: voz, beats (dirigindo a música intensamente), baixo, alguns samples, clima psicodélico e enfumaçado, letras críticas e reflexivas. Q-Tip encarou o disco quase como um experimento científico e fez mais do que apenas samplear coisas: ao lado do produtor Bob Power, transformou cada música num guia de como usar o software de maneira inovadora. Já o DJ Ali Shaheed Muhammad aproveitava para impressionar os amigos sequenciando coisas num caríssimo computador Macintosh. Convidados da mais alta estirpe, como Busta Rhymes (praticamente lançado por The low end theory) juntaram-se à turma.

Considerado “o melhor disco de hip hop de todos os tempos” por muita gente boa, The low end theory, lançado em 24 de setembro de 1991, é redefinidor ao extremo. É também o disco de Jazz (We’ve got), declaração de princípios do grupo, que acabou dando dores de cabeça para Phife Dawg. O rapper aproveitou para sacanear o grupo de hip hop Wreckx-N-Effect, do hit New Jack Swing, afirmando na letra que o ATCQ tocava “músicas estritamente hardcore, não ‘new jack swing'”.

A piada valeu, mas deu merda: em 1993, na saída de um show do Run DMC, Dawg apanhou de uma turma ligada à equipe da banda. Questões internas da Tribe com o selo Jive Records também foram parar em músicas como Show business. Já músicas como a já citada Verses from the abstract tiveram imenso impacto no hip hop daquela época. E também no desenvolvimento do hip hop brasileiro (o “tá em casa” de Fazendo efeito, de Marcelo D2, que o diga).

Outros discos de 1991 aqui.
Tem conteúdo extra desta e de outras matérias do POP FANTASMA em nosso Instagram.

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No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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