Cultura Pop
Discos de 1991 #1: “Out of time”, R.E.M.

Em um texto da BBC, o jornalista Mark Savage foi clínico quando descreveu o R.E.M. como “a banda que definiu, e depois eclipsou, o college rock”. Era verdade. A Warner, gravadora que levou o quarteto da Georgia por uma quantia supostamente entre US$ 6 milhões e US$ 12 milhões, já tinha sob contrato outras bandas queridinhas do mesmo público – Replacements e Hüsker Dü – só que ambas sob viés mais punk. De todas, era o grupo de Michael Stipe, Peter Buck, Bill Berry e Mike Mills o que sobraria de verdade no mercado. E o faria a partir de uma régua muito alta.
O R.E.M. era uma banda deslocada o suficiente para causar dúvidas sérias no vocalista Michael Stipe sobre se ele queria realmente aquele sucesso todo que viria com Out of time, seu sétimo disco, lançado em 12 de março de 1991. Havia quem nem tivesse escutado o álbum e já classificasse a banda como “acabada”. Stipe concluía que as mudanças eram complicadas demais para serem entendidas.
“De repente, tínhamos um público que incluía pessoas que preferiam me chutar na rua do que me deixar passar sem perturbações”, contou. “Era um público que, no geral, não compartilhava de minhas inclinações ou afiliações políticas. E não gostava de como eu era extravagante como artista ou mesmo como uma criatura sexual. E eu tinha olhar para isso e pensar: ‘Bem, o que eu faço com isso?’, contou.
Por mal ou por bem, o R.E.M. definiu novos passos para o rock nos anos 1990 e conseguiu desfrutar de um patamar bizarro com Out of time. Eram ainda a banda “alternativa” que vinha de vários discos excelentes no selo I.R.S., que tinha tido uma estreia bacana na Warner com Green (1989) e cujas músicas eram vistas como hinos por seu público. Stipe ainda era o vocalista que recomendava a seu público que “saísse da escola e fosse para a universidade, saísse da universidade e fosse para a vida” (como falou em alguns shows).
Ao mesmo tempo, redefiniam o conceito de “canção de amor” frequentando as rádios com uma música sobre sentimentos não-correspondidos, com um título estranho (Losing my religion era um termo mais conhecido nos sul dos EUA e não era “perdendo minha religião”, e sim algo como “ficando desesperado’) e com uma musicalidade mais inovadora ainda. Era uma canção folk rock como as dos Byrds, mas era dançante a ponto de virar sucesso de pista de dança (e, claro, ganhar remixes!).
Se havia fãs que acusavam o R.E.M. de ter se vendido, essa turma ganharia argumentos sólidos com Shiny happy people, mais um single de Out of time (saiu em maio de 1991) e talvez a música mais “feliz” da banda até o momento. O clipe era uma cena de programa humorístico. A música era tão pop que virou canção-tema do piloto da série Friends, e estava pronta para estourar – e encher o saco até mesmo dos integrantes da banda, que chegaram a tirá-la do repertório de shows. De qualquer jeito, Out of time era o disco de outras grandes canções, como Near wild heaven, Radio song e quase todo o álbum.
O legado do R.E.M. pode ser comparado, de certa forma, ao da Legião Urbana: controle obsessivo sobre seu próprio trabalho, relações de alegada independência com o mercado, messianismo (a banda envolvia-se em causas progressistas e nunca deixou de cantar o que vivia). E, ah, quase vácuo de apresentações ao vivo, preservando os integrantes por uns tempos (nem sequer houve uma turnê do disco).
Essa postura que talvez pudesse dar certo, desde que o artista em questão soubesse se comunicar com seu público – e o R.E.M. vendeu mais de 18 milhões de cópias em todo o mundo só com Out of time. O espírito do quarteto grudou em U2, Pearl Jam, Nirvana, Lemonheads, Coldplay, Nando Reis e também em mais tudo o que pudesse soar folk, desajustado e pop simultaneamente. E hoje é até difícil imaginar como era o mundo sem Out of time.
Mais sobre R.E.M. no POP FANTASMA aqui.
Outros discos de 1991 aqui.
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Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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