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Cultura Pop

Discos da discórdia 1: Titãs, com “Volume dois”

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Discos controversos 1: Titãs, com "Volume dois"

Um tempo atrás me marcaram no Facebook num desses desafios de “melhores discos”. Eu decidi fazer diferente e resolvi escrever, nessa época, sobre discos controversos que, por algum motivo ou outro, eu achava que as pessoas deveriam dar uma segunda chance. Enfim, discos da discórdia (um belo dum trocadalho do carilho, enfim).

Como recentemente aqui no POP FANTASMA eu pus no ar uma série sobre lendas urbanas e umas das diretrizes editoriais (eita!) do site é fazer mais séries sobre assuntos diversos da cultura pop, resolvi transformar os textos numa série com dez álbuns que não são lá grandes campeões de aceitação por parte da crítica, mas que mereciam um pouco mais da sua atenção. Começando por um álbum que, quando saiu, deixou muitos fãs de uma certa banda paulistana de nariz torcido…

A DESVENTURA DE “VOLUME DOIS”, DOS TITÃS (1998)

Discos controversos 1: Titãs, com "Volume dois"

Quando os Titãs lançaram Volume dois, já eram (você deve se lembrar) uma banda bastante experiente – aliás, trata-se do nono disco deles. O nome do disco é esse porque (você igualmente deve se recordar) um ano antes o grupo havia lançado seu Acústico MTV. Foi o disco que levou os Titãs a ganharem um disco de diamante, honraria quase privativa de duplas sertanejas e grupos de pagode.

O disco desplugado trouxe de volta antigos fãs, e deu enorme visibilidade ao mercado dos acústicos. E, de quebra, apresentou o som dos Titãs a muita gente que possivelmente nunca havia tido um disco deles em casa. Uma curiosidade a respeito do Acústico MTV da banda é que, num período em que as relações entre Titãs, Warner (então gravadora deles) e MTV estavam meio estagnadas, alguém levantou a hipótese do projeto acústico do septeto ser exibido pelo SBT. Pelo menos é o que diz a biografia A vida até parece uma festa, escrita por Hérica Marmo e Luiz André Alzer. Como ficaria o Acústico do grupo exibido pela estação do “segundo lugar absoluto” em vez de pela MTV, só deus sabe.

NÃO ERA BEM UM “ACÚSTICO DOIS”…

Seja como for, os Titãs passaram a ir bastante a programas bem populares (especialmente da TV Record) logo em seguida, porque, no dia 9 de outubro de 1998, sairia Volume dois. Que, apesar do nome, não era exatamente a continuação do acústico de um ano antes, a começar porque tinha guitarras (Liminha, produtor do disco, tocava uma delas). Tinha também programações eletrônicas. Mas de qualquer jeito, repetia o conceito do álbum anterior, com regravações de músicas antigas dos Titãs (incluindo o primeiro hit, Sonífera ilha, de 1984) misturadas a algumas canções novas. Tinha também a regravação de É preciso saber viver, de Roberto e Erasmo Carlos, da qual nenhum ser humano vivo escapou naquele ano de 1998. E, como no anterior, trazia a participação de uma orquestra enorme.

Volume dois não foi unanimidade, e deixou muita gente irritada com uma certa repetição da fórmula do álbum anterior. Mas vendeu mais de 500 mil cópias em pouco tempo e foi considerado pela Folha de S. Paulo o disco do ano de 1998. Liderou uma lista que trazia, na sequência, Ao vivo e a cores, do Terrasamba (o disco que tem Carrinho de mão, vendeu que nem água naquele ano) e nada menos que Sobrevivendo no inferno, dos Racionais MCs.

Alguns jornalistas repararam que a capa do disco, com os sete titãs numa praia, lembrava capa de disco de pagode, ou de boyband (ok, lembrava sim). Um ou outro insatisfeito reclamou, claro, da onipresença de É preciso saber viver no rádio. A canção já vinha sendo tocada pela banda nos shows do Acústico e, aliás, olha aí os Titãs, um ano antes do Volume dois, apresentando a música no Roberto Carlos Especial de 1997, com Paulo Miklos e o rei dividindo os vocais.

DÁ PRA OUVIR?

Bom, para dar uma de advogado do diabo em relação a Volume dois, vale dizer algumas coisas. A primeira delas é que dá para entender a existência de uma (vá lá) “continuação” do Acústico.

Em boa parte dos anos 1990, com exceção talvez dos Raimundos e do Charlie Brown Jr, o rock brasileiro não estava tão presente assim no mainstream, com várias bandas que tinham feito sucesso na década anterior meio esquecidas (tipo Ultraje A Rigor sem gravadora e fazendo shows pelo interior, Engenheiros do Hawaii desfigurado, Paulo Ricardo recorrendo a um dueto com Renato Russo para voltar às paradas, etc). Além de um midstream (o termo não era popular na época) e de um underground vigorosos, mas isolados.

Os Titãs haviam voltado com um projeto caro e extremamente popular, que abriu várias janelas para a banda, e (ok ok) fazia sentido não mexer em time que estava ganhando – ainda que muitos fãs da época de Cabeça dinossauro pudessem perguntar “o que eu tenho a ver com isso?”. De qualquer jeito, Volume dois tinha músicas novas bem legais, como Sua impossível chance (composta por Nando Reis e hoje mais a cara do ex-baixista do que da banda) e Era uma vez.

Teve mais: a banda aproveitou uma vinda ao Brasil de Eumir Deodato, que mora há décadas nos EUA, para arrastá-lo para o estúdio e colocá-lo no comando dos arranjos de Eu e ela e da regravação de Miséria, o que já transforma o disco num excelente documento sonoro. E as músicas antigas da banda voltaram em arranjos bem interessantes e nem um pouco óbvios. Não vou me adaptar virou balada country orquestral, Lugar nenhum virou blues, por aí.

Ouve aí (por algum motivo o Spotify registra o disco como “volume 02”).

Veja todos os Discos da Discórdia aqui.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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