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Dééfait: banda francesa transforma improviso em tensão no novo single

RESUMO: Dééfait antecipa seu álbum de estreia com o single I promise to divide you, unindo pós-punk, noise rock e experimentalismo em uma faixa sobre identidade, linguagem e transformação.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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O Dééfait gosta de trabalhar na base da tensão. Em I promise to divide you, novo single da banda francesa, guitarras, baixo, bateria e voz caminham juntos para criar uma música que parece estar sempre prestes a explodir. É uma faixa que prende justamente por fugir das estruturas mais previsíveis do rock.
A banda é formada por Ric Lara (vocais e letras), Lucas Valero (guitarra), Grégoire Couvert (guitarra), Enir Da (baixo) e Pablo Valero (bateria). O grupo nasceu em Paris, mas carrega referências de vários lugares. O próprio nome faz alusão ao antigo Distrito Federal (DF) da Cidade do México, de onde veio Ric Lara, e também tem ligação com Os detetives selvagens, romance de Roberto Bolaño que influenciou a escrita do primeiro EP.
O processo de criação também ajuda a explicar o som da banda. Num papo com o site The Line Of Best Fit, revelaram que em vez de chegar ao estúdio com músicas prontas, os cinco preferem passar longos períodos improvisando. Depois, voltam às gravações dessas sessões para encontrar trechos que possam virar canções. É um jeito de compor que deixa tudo mais espontâneo e impede que as influências apareçam de forma óbvia, embora nomes como Can, Boredoms, Fugazi, Gnod e Terminal Cheesecake façam parte do repertório de escutas do grupo.
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A voz de Ric Lara também foge do padrão. Em vez de conduzir a música, ela se mistura aos instrumentos, explorando timbres, idiomas e diferentes formas de interpretar as palavras. O cantor diz que encara esse trabalho como uma experiência em constante transformação, buscando usar a voz como mais um elemento da paisagem sonora da banda. Entre as referências mais recentes para esse lado do trabalho estão a poetisa e musicista estadunidense Moor Mother e a cantora britânica Gazelle Twin.
A faixa antecipa o primeiro álbum do Dééfait, que chega no dia 24 de setembro. Curiosamente, a banda disse ao The Line Of Best Fit que quando o disco sair, vai todo mundo descobrir coisas ainda mais sombrias. Ou seja: o restante do trabalho deve mergulhar ainda mais fundo no lado mais pesado e experimental do quinteto. Uma dica: as letras giram em torno da ideia de identidade e de como ela pode ser moldada pelas histórias, pela linguagem e pela cultura, sempre deixando espaço para diferentes interpretações.
Abaixo, você ouve I promise e confere a capa e os nomes das faixas de Dééfait, o primeiro álbum do grupo.
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LISTA DE FAIXAS
01. Will More y su Winston 100’s
02. I promise to divide you
03. Endlessy beautifying the experience of drama
04. Satan’s brew
05. Folâtre, fissure, crie!
06. 2440
07. DF
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Medulla volta relendo “Um móbile no furacão”, de Paulinho Moska

RESUMO: Medulla relê o clássico Um móbile no furacão, de Paulinho Moska, em versão intensa que marca a nova fase da banda e antecipa um álbum inspirado em jazz, brasilidades e experimentação sonora.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Léo Silva / Divulgação
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Se você viveu o meio indie verde-e-amarelo nos útimos dez anos e nunca ouviu falar do Medulla, pode acreditar: você frequentou menos o universo alternativo brasileiro do que imagina. Havia uma época em que era impossível não esbarrar com a banda formada pelos irmãos Keops e Raony (nascidos em Pernambuco e criados entre Recife, Rio de Janeiro e São Paulo).
Eles apareciam em festivais pequenos, festivais grandes (tocaram no Lollapalooza e Primavera Sound), surgiam na sua telinha (em 2014 estiveram na batalha de bandas SuperStar, da Globo), e sempre se notabilizaram por um som diverso, pesado, intenso e experimental, além de cultivar uma discografia constantemente atualizada. Dessa vez, a dupla de irmãos retorna com uma versão igualmente intensa de Um móbile no furacão, hit noventista de Paulinho Moska.
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A versão, que marca a nova fase da banda, foi produzida por Keops e Raony ao lado de Los Brasileros. E surge no repertório deles como um convite à reflexão sobre os momentos em que já não cabemos nas próprias escolhas, rotinas ou identidades – aquela coisa de já não se reconhecer em antigas versões de si próprio / própria.
Outra ideia da banda com a versão é homenagear uma geração formada por nomes como Moska, Carlinhos Brown, Lula Queiroga, Lenine e Marisa Monte. Ou seja, e nas palavras do texto de lançamento, “artistas que aproximaram o orgânico do eletrônico, o ancestral do universal”.
O lançamento ganha também um videoclipe dirigido pelo próprio Medulla em parceria com o diretor de fotografia Léo Silva. Inspirado no conceito “uma câmera na mão, uma ideia na cabeça”, em referência ao cinema de Glauber Rocha, o clipe tem ares de filme: foi gravado no metrô e usa cenas do cotidiano para aproximar a canção dos fãs, além de mostrar os dois irmãos como a mesma pessoa, dividida em diferentes conflitos e pensamentos.
Um móbile é só a primeira parada do grupo: vem por aí um novo álbum, que transita entre jazz, brasilidades e experimentação, com oito faixas novas. O disco foi gravado durante dois anos e traz o duo usando artifícios de beatbox, efeitos de voz e sons do corpo para a construção dos beats e arranjos. A gravação rolou nos estúdios da Head Media, com produção do duo e de Los Brasileros, e mixagem de Marcelinho Ferraz e Daniel Pampuri.
E tá aí Um móbile no furacão, na visão do Medulla.
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The Falls troca o indie ensolarado por guitarras mais pesadas em “Loaded gun”

RESUMO: The Falls lança Loaded gun, single de indie rock que antecipa o EP Would you do it all over again com guitarras mais pesadas e uma letra sobre relacionamentos tóxicos e as consequências das próprias escolhas.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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O quarteto The Falls, de Manchester (que se chama The Falls Band nas plataformas, pra evitar confusão com o conterrâneo mais ilustre), chamou atenção na cena indie inglesa com um EP de estreia que passou dos 100 mil streams – e agora prepara o segundo EP, Would you do it all over again, que sai em 18 de setembro. O novo aperitivo é Loaded gun, talvez a música mais pesada e sombria que eles já lançaram.
Se até aqui o grupo parecia um cruzamento entre The Courteeners, The Kooks e Jake Bugg, Loaded gun mostra que a banda resolveu diminuir o sol e aumentar as nuvens. As guitarras chegam mais barulhentas, o clima é de tensão permanente e a letra gira em torno daquela sensação nada agradável de perceber que os erros do passado finalmente bateram à porta. Ou, como diria qualquer pessoa que ignorou um problema por tempo demais: uma hora a conta chega.
A inspiração veio de um filme daqueles que ninguém troca de canal quando passa na TV. A ideia da música nasceu de uma cena de Os infiltrados, de Martin Scorsese, em que o chefão vivido por Jack Nicholson explica que certas escolhas já vêm com o destino embutido. A “arma carregada” do título não é exatamente um revólver, mas a certeza de que algumas consequências já estão engatilhadas antes mesmo da gente apertar o gatilho.
Segundo a banda, essa faixa funciona como o ponto de virada do EP: é ali que a história abandona o clima mais escapista das primeiras músicas e mergulha em um terreno bem mais escuro.
“Loaded gun é provavelmente uma das nossas músicas mais pesadas e roqueiras, trazendo de volta um som parecido com o dos nossos primeiros lançamentos. Ela fala sobre o confronto com relacionamentos tóxicos e sobre a sensação de estar preso em uma situação da qual não há saída. É uma música que tocamos ao vivo há bastante tempo, então estamos muito animados por finalmente lançá-la oficialmente”, diz o cantor e letrista Harrison Sharp.
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Beem discretamente, New Radicals lança música nova

RESUMO: New Radicals lança One night only (Break loose break free!) e reacende sua própria história. Mas é mentira que se trata da primeira música nova deles desde os anos 1990.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Criada pelo compositor Gregg Alexander no fim dos anos 1990, a banda New Radicals não é coisa de um hit só (são dois: You get what you give e Someday you’ll know). Mas é uma banda de um só álbum, Maybe you’ve been brainwashed too, lançado em 1998.
Em entrevistas, o músico já vinha fazendo piadas com a possibilidade do grupo encerrar atividades repentinamente com um só disco na discografia. O que ninguém podia imaginar é que ele estava falando sério: o New Radicals realmente fechou as portas com um só álbum. Gregg ficou cansado da vida de popstar e se voltou para os bastidores, compondo canções de sucesso como Murder on the dancefloor (Sophie Ellis-Bextor) e The game of love (Santana e Michelle Branch).
De lá pra cá, mudaram algumas coisas: em 2021 o grupo topou se reunir pela primeira vez em 22 anos para participar da cerimônia virtual de posse do então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Beau Biden, filho do presidente, morto em 2015 aos 46 anos após a batalha contra um câncer, amava You get what you give e a música havia sido importante para ele nesse período de luta. O próprio Joe Biden havia escrito sobre a importância da canção em sua autobiografia.
A novidade é que o New Radical acaba de lançar sua primeira canção desde os anos 1990… Bom, há controvérsias, mas de qualquer jeito, saiu na sexta (31) One night only (Break loose break free!), música da trilha do filme Só por uma noite, comédia romântica estrelada por Monica Barbaro e Callum Turner. Um filme em que sexo antes do casamento é proibido – com exceção de uma única noite por ano.
O EP da trilha tem também King Princess (cantando Love is in the air, de John Paul Young), além de Este Haim e Christopher Stracey fazendo a trilha instrumental do filme. A música nova dos New Radicals poderia estar em Maybe you’ve been brainwashed too: é um r&b levado adiante por um piano venturoso e por vocais naquela mesma onda “uaaaaa” de You get what you give.
O novo New Radicals (cof! cof) é formado por Gregg Alexander e Danielle Brisebois, que na prática já eram o núcleo duro da banda desde a época do álbum. Os dois inclusive permaneceram compondo juntos após o fim do grupo, ao lado de Nick Lashley, marido de Brisebois. E um detalhe curioso é que a maneira como foram lançados alguns trabalhos recentes de Gregg põe areia nessa coisa de “finalmente os New Radicals voltaram”.
Em 2015, Gregg e Danielle lançaram sua própria versão de Lost stars, música que haviam feito para a trilha do filme Se nada mais der certo (2013) e que foi indicada ao Oscar na gravação de Keira Knightley. Problema: a música foi relançada em 2024 como “New Radicals”. Gregg e Danielle não gostaram e tiraram a gravação das plataformas.
E em 2024 saíram também a versão demo de Murder on the dancefloor, além de uma nova versão para The game of love, ao lado de Michelle Branch. Nesses dois casos, Gregg decidiu reativar o nome New Radicals sem problema nenhum – tanto que as músicas continuam lá (e vale muito ouvir as duas versões, inclusive).
Resta saber se vem novo álbum aí também. Aliás, recentemente Gregg apareceu também no créditos do novo disco dos Strokes, Reality awaits, como co-autor da música Going to babble on. Você confere todas essas músicas aí embaixo.
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