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Massive Attack publica declaração sobre detenção em Singapura

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Massive Attack (Foto: Warren Du Preez / Divulgação)

RESUMO: Massive Attack afirma ter sido interrogado e proibido de voltar a Singapura após exibir uma bandeira da Palestina durante show. A banda criticou a ação das autoridades e defendeu a liberdade de expressão.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Warren Du Preez / Divulgação

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No fim do show do Massive Attack em Singapura, na quarta-feira (29), o grupo – que há anos manifesta apoio à causa palestina – exibiu uma bandeira da Palestina no palco. Segundo a banda, a apresentação foi seguida por uma abordagem das autoridades locais. Os músicos afirmam que foram interrogados e informados de que não poderão voltar a se apresentar no país por tempo indeterminado. Singapura adota regras rígidas sobre manifestações públicas e a exibição de símbolos nacionais estrangeiros.

No domingo, o Massive Attack comentou o episódio em uma publicação nas redes sociais.

Após nossa apresentação no Star Theatre, em Singapura, no dia 29 de julho, ficamos surpresos e decepcionados ao saber que toda a nossa banda foi detida pela polícia, isolada e interrogada separadamente – com alguns membros tendo seus quartos de hotel revistados e seus passaportes temporariamente confiscados.

Antes mesmo de subirmos ao palco e novamente ao final do espetáculo, grandes setores do auditório entoaram espontaneamente cânticos de “Palestina Livre”, presumivelmente cientes, mas sem se deixarem intimidar, pelo fato de que essa expressão espontânea por si só poderia violar as leis de censura de seu governo.

Por nossa parte, não imaginávamos que o simples fato de hastear a bandeira de um Estado soberano reconhecido por 157 países (Palestina) violaria alguma lei.

Refletindo sobre o ocorrido, nos orgulhamos de termos feito essa manifestação espontânea com nossos fãs em Singapura, que claramente sentiram um imperativo moral de demonstrar solidariedade ao povo da Palestina em sua contínua realidade de ocupação ilegal, apartheid e genocídio, e saudamos sua coragem por fazê-lo. Em todo o mundo, a inação contínua da “comunidade internacional” está levando cidadãos a correrem riscos pessoais.

Essa experiência surreal serviu como um lembrete da importância de defender os direitos humanos universais e a liberdade de expressão onde quer que esses direitos estejam ameaçados, inclusive em nosso próprio país, o Reino Unido, onde, extraordinariamente, ainda vemos manifestantes pacíficos sendo presos sob leis antiterroristas por exibirem cartazes escritos à mão em protesto contra o genocídio — apesar dos apelos de todos os lados do espectro político.

Somos gratos ao povo de Singapura por nos receber tão bem e esperamos que o Governo de Singapura opte por ratificar o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos da ONU e permita que seus cidadãos expressem suas opiniões de consciência sem medo de perseguição estatal.

Como estávamos dizendo… Palestina Livre.

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Aquele Jon transforma medos e inseguranças da vida urbana em “Jogo do bicho”

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Aquele Jon transforma medos e inseguranças da vida urbana em “Jogo do bicho”

RESUMO: Em Jogo do bicho, segundo single de seu projeto solo Aquele Jon, Jonston Guerra cruza indie rock, MPB e música latino-americana para falar de medos, culpas e conflitos internos em meio à vida urbana.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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“Todos carregamos nossos próprios bichos”, diz Jonston Guerra, e é a partir dessa ideia que Jogo do bicho, novo single de seu projeto Aquele Jon, trata de medos, culpas e inseguranças que nem sempre chegam a ser compartilhados. Lançada em 7 de agosto, a faixa é a segunda amostra do álbum de estreia do artista, previsto para o fim de 2026.

Se Devolva-me, primeiro single do projeto, partia da ausência e do autoconhecimento, Jogo do bicho olha para o que acontece por dentro quando a rotina deixa pouco espaço para lidar com os próprios sentimentos. A madrugada aparece na letra como um intervalo em que pensamentos acumulados durante o dia finalmente encontram espaço.

“São medos, culpas, inseguranças e questionamentos que nem sempre conseguimos explicar ou dividir com quem amamos. Muitas vezes parecemos distantes, quando, na verdade, estamos tentando entender aquilo que acontece dentro da gente”, explica Guerra.

A música também relaciona esse conflito pessoal à vida nas grandes cidades. Trabalho, responsabilidades e falta de tempo acabam interferindo nas relações, criando uma distância que nem sempre é desejada. Em vez de transformar essa situação em uma tese, Aquele Jon trabalha o tema por meio de imagens: um “furacão de coisas”, um “leão com rabo de serpente” e caminhadas solitárias por estradas de chão quente aparecem como metáforas para contradições e inquietações.

Musicalmente, Jogo do bicho aproxima o indie rock da canção brasileira, com referências de MPB e elementos da música latino-americana. A faixa foi gravada no Último Estúdio, com produção de Lou Alves (Walfredo Em Busca da Simbiose), e lançada pelo próprio estúdio, com distribuição da Virgin Music Group.

Aquele Jon é o projeto solo de Jonston Guerra, músico que passou mais de uma década à frente da banda Olho da Cara, ligada à cena independente do ABC Paulista. Na carreira solo, ele mantém o interesse pela canção, mas amplia o diálogo com o indie contemporâneo.

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Cvrrículos Em Branco: som gótico e bem profundo, do interior de SP

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RESUMO: Cvrrículos Em Branco tem nome inspirado no Ludovic e som bem gótico, com lembranças de The Cure, Joy Division, Sonic Youth e outros grupos. O primeiro single é Camus.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Tem uma nova banda fanática pelas fases mais sombrias do The Cure – e também por grupos como Ludovic, Terno Rei, Joy Division, Sonic Youth. O Cvrriculos Em Branco (se pronuncia “currículos em branco” mesmo) vem do interior de São Paulo, dispensa qualquer outro tipo de denominação e diz que faz pós-punk mesmo.

“A banda transforma aquele clima pesado da cidade em um sentimento. Um som cru, atmosférico, e minimalista, combinando com vazio urbano e o caos de uma grande metrópole. A intenção da banda é passar uma mensagem por meio da atmosfera densa e das letras muitas vezes abstratas”, avisa o grupo que une a frieza das bandas da metade dos anos 1970 com a densidade de ruídos dos anos 1990.

O grupo já está preparando um álbum e lançou recentemente seu primeiro single, Camus – a escolha foi pelo fato dessa música captar bem a essência do grupo, e a união entre pós-punk e climas noventistas. O Cvrrículos é formado por Lucio (voz, synth e baixo), Mateus Furtado, João Otávio (ambos voz e guitarra) e Gabriel Lira (bateria).

Já o nome da música tem origem na discografia de uma das bandas nacionais favoritas deles: a letra de Atrofiando / Recém-convertido / Ex-futuro diplomata, do Ludovic, foi a inspiração, já que tem a expressão “currículos em branco” num dos versos. “Achamos a ideia legal e para ser diferente do habitual, trocou o ‘U’ por ‘V’ já que no latim não se utiliza a letra ‘U’. Num dos nossos shows abrimos pro Jair Naves (vocalista do Ludovic) e o Lúcio cantou uma música com ele”, recordam.

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Christine Valença questiona a exposição excessiva em “Holofotes”

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Christine Valença - Foto: Lucas Campbell Barbato / Divulgação

RESENHA: Em Holofotes, primeiro single de seu novo EP, Christine Valença aborda a pressão da exposição e os jogos de poder, em uma gravação ao vivo com quatro músicos.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Lucas Campbell Barbato / Divulgação

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Há oito anos em carreira solo, Christine Valença vem fazendo música no próprio ritmo. Em vez de viver em função da exposição constante nas redes sociais, a cantora e compositora prefere lançar seus singles, encontrar parceiros que tenham a ver com seu universo e deixar que as músicas façam boa parte da conversa.

Não por acaso, esse assunto aparece em Holofotes, primeiro single de Tempo arranhado, EP que Christine lança neste mês. A música fala justamente sobre o que acontece quando estar em evidência começa a pesar: entram em cena jogos de poder, relações que ficam mais complicadas e aquela sensação de que existe sempre alguém olhando. E o que significa fazer música quando a própria exposição passou a fazer parte do trabalho do artista?

Entre luzes e sombras, a letra pergunta quem está no controle da própria história e como é continuar sob os holofotes quando, na verdade, tudo o que se quer é um pouco de silêncio. Nesse caso, estar em evidência não significa necessariamente reconhecimento: pode trazer também incômodo, cansaço e vontade de sair de cena por alguns instantes.

Holofotes foi gravada em tempo real, com Christine no Fender Rhodes ao lado de Elísio Freitas, Estevan Cipri e Rafael Paiva. A ideia foi manter na gravação a troca entre os quatro músicos e aquilo que acontece quando todo mundo está tocando junto, sem tentar aparar demais as arestas.

Esse jeito de gravar ajuda também a entender o caminho do EP. Em vez de montar as músicas aos poucos, com cada parte registrada separadamente, Christine preferiu reunir os músicos e apostar no encontro. É uma maneira mais direta de fazer música, deixando espaço para o improviso, para pequenos acidentes e para a reação de um músico ao que o outro está tocando.

O single ainda ganhou um videoclipe inspirado no universo de David Lynch. O ator e diretor de musicais Vitor Louzada participa do vídeo, produzido pela Zanzibar Produções, mesma equipe responsável pelo clipe de Rematilha.

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