Cultura Pop
Dead Kennedys e The Knack: parabéns por você existir, amigo

O texto abaixo, assinado por André Barcinski na Discoteca Básica da Bizz em março de 2000, dá conta da bomba cultural que foi ter uma banda como os Dead Kennedys nos Estados Unidos, lá pro fim dos anos 1970 (leia também aqui se tiver dificuldade de enxergar as letras).

E o grupo criado por Jello Biafra surgiu numa era complicada para o punk rock. Não haviam mais gravadoras de peso contratando bandas novas do estilo. A não ser que os grupos novos se bandeassem para a new wave. A onda pós-punk, por sua vez, surgia turbinada por gravadoras britânicas como Rough Trade e Factory. A nova era do punk americano permanecia sem perspectiva de lançamentos.
Para compensar (e para suprir a falta de gravadoras que escoassem a produção de bandas punk da Califórnia), Jello Biafra montou o selo Alternative Tentacles, pelo qual lançaria quase todo o catálogo dos Dead Kennedys e vários grupos novos. Teve mais gente tentando reverter esse quadro. Em 1978, os produtores Chris Knad e Howie Klein montaram a 415 Records, que lançou discos de bandas como Mutants, The Offs, The Nuns e The Units.
A relação do selo com o punk durou pouco: a gravadora, em breve, seria adquirida pela Sony – e se concentraria na new wave. E os punks locais – nisso incluídos os Dead Kennedys – passariam a alimentar um ranço enorme pela mais nova sensação da new wave e do power pop angeleno, o The Knack. Os de My sharona.
O The Knack vendia discos e tinha músicas bem bacanas (Let me out também é boa e tocou em rádio), mas ganhava bola preta de muitos críticos, que acusavam o grupo de se apropriar de elementos do punk para fazer sucesso, de fazer um som derivativo, de escrever letras sexistas (Good girls don’t fez fãs e detratores), etc. O grupo gravou inicialmente três discos, terminou em 1981 com o líder Doug Fieger afundado numa maré de drogas e álcool. E era “homenageado” pelos punks da Califórnia com uma camiseta na qual se lia “nuke The Knack” (“exploda The Knack”).
Por mais que a cena punk californiana fosse articulada a ponto de ter fanzines, festas pelos subúrbios, moquifos para se apresentar e até um candidato a prefeito (o próprio Jello, que abiscoitou o quarto lugar ao se candidatar ao cargo em San Francisco, em 1979), não era essa turma que aparecia na TV ou tocava no rádio.
Seja como for, o sucesso do primeiro single dos DK, California uber alles, credenciou a banda a abrir um show para o Clash em outubro de 1979. E aparecer no Bay Area Music Awards, o popular Bammies Awards, prêmio musical da região, em 25 de março de 1980. Se você se recorda daquela foto de Jello, East Bay Ray (guitarra), Klaus Flouride (baixo) e Ted (bateria, substituído depois por D.H. Peligro) vestidos com um figurino assumidamente new wave – camisas com um enorme S desenhado, que, combinadas com gravatas, formavam o símbolo do cifrão – elas foram tiradas nesse evento. Era o look da rapaziada na época.
A história dos DK nos Bammies foi devidamente contada por Alex Ogg no livro Fresh fruit for rotting vegetables – Os primeiros anos (no Brasil saiu pela Ideal). O grupo resolveu partir para o protesto: não cantou California e substituiu-a por Pull my strings, que tinha versos como “quero ser uma ferramenta/não quero ter alma/quero fazer grana pra burro tocando rock´n roll”.
Mais: crentes de que os notáveis do mercado fonográfico (todos presentes ali) só conheciam o “punk” por causa do The Knack, ainda incluíram uma paródia de My Sharona, mudada para My payola (meu jabá, em português). Esse atrevimento foi assistido por nomes como Carlos Santana, Francis Ford Coppola, Jerry Garcia e pela turma do Journey.
“Aquilo era um mundo diferente, nós o odiávamos e não queríamos estar ligados a ele”, jurou Biafra no livro de Alex Ogg, afirmando que o resto da banda não estava tão certo assim sobre se queria mesmo comparecer ao evento, mas todos foram. Quanto ao The Knack, depois da separação, Fieger anunciou um retorno com um grupo chamado Taking Chances, e depois, em 1986, disse que estava remontando sua principal banda. Saíram discos novos em 1991 e 1998, Serious fun e Zoom, respectivamente. My Sharona continua rolando em pistas de dança e, às vezes, em trilhas de filmes. Fieger morreu em 2010, de câncer, num dos retornos do The Knack, e a banda permanece inativa desde então.
Via LA Times e Music Aficionado
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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