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Louva-a-deus aparece na cozinha e inspira o (ótimo) novo single de Courtney Barnett

RESUMO: Courtney Barnett recorda que Mantis nasceu após ver um louva-a-deus; single antecipa Creature of habit, que sai dia 27 de março.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Lindsey Byrnes / Divulgação
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“Eu estava me sentindo particularmente perdida enquanto trabalhava nessa música. Um dia, eu estava na cozinha, fazendo um café, quando notei um pequeno louva-a-deus verde empoleirado no batente da porta. Eu nunca tinha visto um ali na casa no deserto, então interpretei como um sinal importante do universo”, diz Courtney Barnett, sobre a inspiração de seu novo single, Mantis, que saiu hoje.
E da visita do simpático bichinho, segundo Courtney, acabou nascendo não apenas a música como todo o conceito de Creature of habit, novo e aguardadissimo álbum da cantora, que sai dia 27 de março. “Essa música é peça central e microcósmica deste álbum, ela incorpora a mensagem e o significado de cada faixa. É uma canção sobre busca, e me ajudou a encontrar meu caminho em Creature of habit“, contou ela, que quando viu o inseto, correu para fotografá-lo (está na capa do single) e enviou a imagem para uma amiga muito especial – Stella Mozgawa, baterista, co-produtora e uma das forças motrizes de Creature of habit.
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“Mandei uma foto para a Stella e ela disse que era sinal de boa sorte, para eu pesquisar! Fiz uma busca rápida e descobri que também representa paciência, perseverança e um guia para aqueles que precisam de direção. Fiquei conversando com o louva-a-deus por um tempo. Foi um momento estranho e esclarecedor que jamais esquecerei. Finalmente, voltei a compor e, enfim, cheguei ao refrão desta música”, contou.
Não foi só Mantis que saiu hoje: saiu também outra faixa que vai estar no disco, Sugar plum. Mantis aposta numa atmosfera indie rock, batida no violão, com palmas e percussão, enquanto Sugar plum é mais próxima de um soft rock alternativo, com ritmo mais lentinho. Antes haviam saído mais dois singles: Site unseen, parceria com Waxahatchee, e Stay in your lane.
E sobre o álbum: Creature of habit é o primeiro trabalho totalmente inédito desde Things take time, take time (2021). No intervalo, Barnett lançou o instrumental End of the day (2023), trilha de seu documentário Anonymous club, projeto mais introspectivo que mostrou bastidores e inquietações da compositora. O novo disco também marca uma fase de mudanças práticas: é o primeiro lançamento pela Fiction, depois de encerrar o ciclo com sua própria gravadora Milk! Records, e também o primeiro álbum após mudar-se para Los Angeles.
Você ouve as duas músicas abaixo!
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Nada de poesia e trevos: em single novo, Kneecap quer mostrar a Irlanda como ela é

O lançamento de Fenian, novo disco da banda irlandesa Kneecap, previsto para sair em 24 de abril pela Heavenly Recordings, vai ficando cada vez mais tenso – musicalmente falando. Depois do lançamento do single Liars tale, sai agora Smugglers & schollars, que já aponta para um território mais denso e confrontador: abre com um riff de três notas, bem cru, que lembra o hip hop de Detroit, e depois entra uma base claustrofóbica, marcada por versos como “você acha que é tudo poesia e trevos / quando na verdade são capas de chuva e Land Rovers da polícia / gente simples, olhando por cima do ombro / alguém leva um tiro, helicóptero pairando lá em cima”.
Ou seja, se por acaso você tinha alguma réstia de imagem poética sobre a Irlanda, pode esquecer tudo, porque o Kneecap veio para falar dos confrontos policiais, das brigas entre povos e da intolerância – e não custa lembrar que eles vieram de Belfast, na Irlanda do Norte, país briguento e contestador por natureza. O Kneecap – você deve saber – compõe tudo do ponto de vista da classe trabalhadora e resgata o idioma irlandês na hora de escrever (com alguns versos em inglês). “Essa música relembra tempos revolucionários na Irlanda, movida por uma esperança, quando a classe trabalhadora, acadêmicos e pessoas de bem se uniram e agiram em busca de um futuro melhor”, diz a banda.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Tom Beard / Divulgação
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Pulp lança “Begging for change” e reforça ligação histórica com o projeto HELP

RESUMO: Pulp lança o single Begging for change e adianta compilação HELP(2), da War Child: punk urgente com Damon Albarn e outros nomes do indie britânico no coral.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Adama Jalloh / Divulgação
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Após um disco excelente lançado no ano passado, More, o Pulp volta com som novo. A banda de Jarvis Cocker participa de HELP(2), álbum beneficente da organização de ajuda War Child, com o single Begging for change, faixa gravada no estúdio Abbey Road e produzida por James Ford e Animesh Raval.
A faixa foi gravada justamente enquanto a banda britânica trabalhava em More. O tom passa longe de reencontro confortável: é punk, seca, urgente e direto, quase como se o grupo tivesse decidido usar a própria tradição britpop para falar do presente, não do passado.
A música tem um monte de gente importante no DNA, com backing vocals de um pequeno all-stars do indie britânico: Damon Albarn, Grian Chatten (Fontaines D.C.), Kae Tempest (poeta e rapper) e Carl Barat (Libertines). Jarvis ainda chamou o mesmo coral infantil ouvido em Flags, single já lançado do projeto, dividido por Damon Albarn, Grian Chattene e Kae Tempest. Mas aqui as vozes soam mais como intervenção, como gritos num hino primal.
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A participação tem também um peso histórico para o grupo. Em 1996, o álbum do Pulp Different class concorreu ao Mercury Prize justamente no mesmo ano da primeira coletânea HELP, criada para arrecadar fundos para a War Child. Quando venceu o prêmio, Cocker doou as 25 mil libras à organização durante o discurso. Jarvis diz que esse ano a banda doou mais do que em 1996 – só não revela a quantia.
HELP(2) chega em 6 de março e atualiza a ideia do disco original de 1995: reunir artistas populares para mobilizar fãs em torno da ajuda a crianças afetadas por guerras. A War Child financia assistência imediata, educação, apoio psicológico e proteção em regiões de conflito. O contexto atual, evidentemente, tornou o projeto menos simbólico e mais literal.
Confira a música do Pulp, a capa e a tracklist do disco abaixo. Até agora, já saíram três singles: Opening night (Arctic Monkeys), Flags (Damon Albarn, Grian Chatten e Kae Tempest) e Let’s do it again (Last Dinner Party).
Arctic Monkeys – Opening night
Damon Albarn, Grian Chatten e Kae Tempest – Flags
Black Country, New Road – Strangers
The Last Dinner Party – Let’s do it again!
Beth Gibbons – Sunday morning
Arooj Aftab & Beck – Lilac wine
King Krule – The 343 loop
Depeche Mode – Universal soldier
Ezra Collective e Greentea Peng – Helicopters
Arlo Parks – Nothing I could hide
English Teacher e Graham Coxon – Parasite
Beabadoobee – Say yes
Big Thief – Relive, redie
Fontaines D.C. – Black boys on mopeds
Cameron Winter – Warning
Young Fathers – Don’t fight the young
Pulp – Begging for change
Sampha – Naboo
Wet Leg – Obvious
Foals – When the war is finally done
Bat For Lashes – Carried my girl
Anna Calvi, Ellie Rowsell, Nilüfer Yanya e Dove Ellis – Sunday light
Olivia Rodrigo – The book of love

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Bon Iver abre o arquivo e lança “Volumes: One” com o que chama de melhor fase ao vivo

RESUMO: Bon Iver lança Volumes: One com 10 registros ao vivo (2019–2023), escolhidos por Vernon como nova porta de entrada à banda.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Bon Iver resolveu mexer no próprio baú – mas sem aquele ar de “sobras de gaveta”. Justin Vernon, o cara por trás do codinome, anunciou Volumes: One, início de uma série de discos de arquivo pensados como outra porta de entrada para a banda. Nada de álbum de estúdio: a ideia aqui é pegar gravações ao vivo, demos e inéditas e tratar tudo como obra principal, escolhida pessoalmente por ele.
O primeiro volume sai dia 3 de abril, pela Jagjaguwar, com um subtítulo quase acadêmico: Selections from music concerts 2019–2023 Bon Iver 6 Piece Band. Na prática, são dez registros ao vivo espalhados por quatro anos de shows, pinçados depois de horas e horas de material filmado. Vernon diz que esse recorte resume o momento mais forte do grupo em palco. “Aqui, se você nunca ouviu Bon Iver, ou se já ouviu e não gostou, isso pode ser para você”, afirma.
O disco vai incorporar músicas dos álbuns 22, A million (2016) e i,i (2019), além de PDLIF, faixa lançada durante a pandemia, um cover de A satisfied mind, de Mahalia Jackson, e o hit Heavenly father. O Bon Iver anda sumido dos palcos: a última tour acabou em 2023 e houve uma só apresentação em 2024 num evento da candidatura de Kamala Harris à presidência dos EUA. E isso talvez explique a vontade de mostrar a categoria de Vernon e seus colegas nos shows. De qualquer jeito, não parece um simples lançamento paralelo: soa mais como Justin Vernon reorganizando a própria história enquanto prepara o próximo capítulo.
Aliás, Sable, fable, o lançamento mais recente do Bon Iver – que inclui um EP, Sable, de 2004, mais material adicional – foi resenhado pela gente aqui. Abaixo, você confere a lista de faixas de Volumes: One
1. Intro – The Forum, Los Angeles, CA. Sep 15 2019
2. Man like U – The Forum, Los Angeles, CA. Sep 15 2019
3. We (feat. Bizhiki) – Xcel Energy Center, St Paul, MN. Oct 03 2019
4. Jelmore – Tennis Indoor Senayan, Jakarta, ID. Jan 19 2020
5. 666 – The Pavilion at Toyota Music Factory, Irving, TX. Apr 03 2022
6. Heavenly father – Mediolanum, Milan, IT. Nov 05 2022
7. P.D.L.I.F. – Red Hill Auditorium, Perth, AU. Feb 26 2023
8. Hey, ma – Pitchfork Music Festival, Chicago, IL. July 23 2023
9. A satisfied mind – State Theatre, Portland, ME. Dec 08 2017
10. 33 “god” – WOMADelaide Festival, Adelaide, AU. Mar 10 2023
11. Sh’diah (boardmix) – Scotiabank Arena, Toronto, CA. Oct 06 2019
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