Cultura Pop
Chumbawamba: uma banda anarcopunk, antes do sucesso

Você provavelmente mal lembra do Chumbawamba. Mas entre 1998 e 1999, você não conseguia escapar do maior hit deles, Tubthumping, lançado em 1997 e presente em qualquer rádio pop que honrasse seus fundilhos. No Rio, as rádios Cidade e Jovem Pan tocavam toda hora. A música foi um dos temas da Copa da França, de 1998. Sobreviveu nas rádios pelo menos até 2000. A Rolling Stone, sempre atenta, aproveitou para conversar com esse grupo de Lancashire, Inglaterra, que tinha oito integrantes, e os definiu como “os únicos anarquistas do mundo que vendem milhões de discos”.
O The Guardian bateu um papo com o guitarrista do grupo, Boff Whaley, em 2016 – quatro anos depois da banda anunciar seu fim (o último disco, ABCDEFG, saiu em 2010 e foi lançado por um selo político-musical-esquerdista chamado No Masters). E ouviu deles que bem antes de Tubthumping (uma música sobre “a resiliência de pessoas comuns”), o Chumbawamba em nada lembrava uma banda que frequentaria as paradas pop. Estavam mais para uma versão Família Dó-Ré-Mi da comunidade hippie-anarco-punk do Crass.
“Quando o Chumbawamba começou em 1982, estávamos todos agachados em uma casa grande e vazia, trabalhando a tempo parcial e compartilhando nosso dinheiro. Nós éramos um coletivo anarquista, influenciado pelos Sex Pistols e o Clash, mas desde o início queríamos cantar harmonias e ter coros singalong.
Nós não ganhamos nenhum dinheiro por pelo menos dez anos porque fizemos concertos beneficentes o tempo todo – greves, linhas de piquete, eventos anti-guerra … Mas nós dávamos muita risada”.
Se você tem algum recordação do Chumbawamba e lembra que Tubthumping tocava MUITO no rádio, talvez não acredite na barulheira que era o grupo em 1985, na época do EP Revolution. Era quase hardcore. Na época, a banda fundou um selo chamado Agit-Prop, ligado à filosofia anarquista.
Isso aí era o primeiro disco do grupo, Pictures of starving children sell records (Figuras de crianças com fome vendem discos), lançado em 1986. Começa com How to get your band on television, uma colagem sonora lembrando Crass e Negativland, que pega no pé de metade do showbusiness (Paul McCartney, Freddie Mercury, David Bowie, Mick Jagger, Keith Richards entre eles) e zoa cruelmente o Live Aid.
Isso aí é a primeira parte de Jesus H Christ, disco da banda que seria lançado em 1992, mas foi deixado de lado antes que o grupo ganhasse um monte de processos. Além da capa e do título, todas as músicas tinham samples de nomes como Abba, Pet Shop Boys e até Beatles. O grupo cortou vários samples, mudou a capa e soltou o álbum como Shhh.
Mais encrenca: em 1994 saiu Anarchy, sexto disco da banda, com um quase hit, Give the anarchist a cigarette, e uma canção chamada Homophobia. A capinha com uma singela foto de um bebê recém-nascido sendo retirado da vagina de sua mãe chocou geral – muitas lojas se recusaram a vender o álbum. Na época, a banda estava no cast do selo One Little Indian, que lançou Sugarcubes e Bjork.
A banda foi contratada pela EMI em 1997 e lançou Tubthumping (e o disco Tubthumper) por lá. Curiosamente, eles estiveram entre os participantes de uma coletânea chamada Fuck EMI, em 1989, só com bandas relendo músicas de contratados da gravadora. Entre os grupos, além do Chumba, tinha Generic, Sore Throat e os inacreditáveis Ex Pistols (paródia de você sabe quem). Em 1997, o papo que rolava era o tradicional “vamos levar nossa mensagem para um público maior”, etc. Deu certo.
https://www.youtube.com/watch?v=jNenSExuei8
O fato do Chumbawamba ter virado banda de rádio não passou despercebido a vários antigos fãs. Em 1998, quatro bandas (Riot/Clone, Anxiety Society, Oi Polloi e The Bus Station Loonies) pegaram tanto ranço do grupo que lançaram um EP chamado Bare faced hypocrisy sells records/The Anti-Chumbawamba EP. Saiu por um selo chamado Ruptured Ambitions. O Riot/Clone mostrou todo seu rancor pela virada de mesa do Chumba com a música Chumbawanka. Olha o disquinho aí.
Quem cantou e tocou percussão no Chumbawamba por muito tempo – em 1997 ela ainda estava por lá – foi Alice Nutter. Hoje ela é escritora e roteirista. Durante o período de fama da banda, chegou a dar declarações recomendando aos fãs durangos que roubassem os discos do Chumbawamba.
O contrato da banda com a EMI não durou muito – só mais um disco, WYSIWYG (What You See Is What You Get), de 2000. O grupo foi passando por outros selos independentes, como o britânico Mutt e o já citado No Masters. ABCDEFG, o último disco, tinha essa encrenquinha aí. Torturing James Hetfield era a resposta da banda a uma alegada omissão do vocalista do Metallica sobre a tortura a presos iraquianos na Base Militar de Guantanamo – num lugar informalmente conhecido como “discoteca”, músicas como Enter sandman, do Metallica, eram tocadas em decibéis altíssimos para os prisioneiros. Em 2013, vazou que a banda tinha pedido às forças militares americanas que não usassem suas músicas.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.

































