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Cultura Pop

Cinco anos sem Chorão: onze músicas para começar a gostar do Charlie Brown Jr.

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Muita gente falou mal, por gosto, por pegar bem na rodinha ou por condicionamento repetitivo, do Charlie Brown Jr – uma banda que não foi feita para ser ouvida por críticos. Foi feita para ser curtida por uma massa de moleques, gente que passou a infância ouvindo o grupo – e hoje, girando entre 30 e 40 anos, se bobear já está mostrando os discos da banda para os filhos. Não foi à toa que Chorão, em faixas do disco póstumo da banda La familia 013, soltou a frase “Charlie Brown de pai pra filho” – uma das várias que ele costumava repetir em discos da banda, às vezes em momentos diferentes, mas que ali ganhavam um sentido nunca ouvido na obra do grupo.

Se hoje você tem “cebruthuis“, há alguns anos você tinha “tcharroladrão”. Um dos grandes méritos extramusicais do Charlie Brown Jr foi colocar na boca dos fãs expressões de rua que só o público da banda entendia – ou fingia que entendia, e repetia – criando um laço que poucos grupos nacionais conseguiram estabelecer com seus admiradores. Hoje há poucas bandas de rock no Brasil dispostas a fazer isso. Nesta terça (6), em que completamos cinco anos sem Chorão, fica claro – mesmo para quem não era exatamente fã da banda – que com ele vivo, o rock brasileiro estaria num patamar diferente hoje em dia. Seja lá o que signifique isso. Aproveite e pegue aí onze músicas que podem ser a porta de entrada para você começar a gostar de alguma coisa da banda, em nossa opinião.

“PAPO RETO” (do CD Bocas ordinárias, 2002) – A música que inaugurou a expressão “de cu é rola” na história da música popular brasileira (no verso “intelecto de cu é rola”) traz também bons riffs e uma abertura arrasa-quarteirão, com a frase “o teu intelecto é de mesa de bar”. Ganhou um clipe, pouco divulgado na época, em que Chorão e cia aparecem fantasiados de músicos de forró. Logo na abertura, Milhem Cortaz, de Tropa de Elite, interpreta um ator pornô.

“PROIBIDA PRA MIM” (do CD Transpiração contínua prolongada, de 1997) – O primeiro hit romântico do grupo traduz o ska-punk, ensolarado como ele só, para o idioma do rock nacional. Virou MPB na voz de Zeca Baleiro, como ficou público e notório.

“LUGAR AO SOL” (do CD 100% Charlie Brown Jr. – Abalando a sua fábrica, de 2001) – Um ataque evidente à melodia de Crush us all, da banda punk-pop americana Seaweed. Mesmo como versão ilegal em português, tem seu valor.

https://www.youtube.com/watch?v=-3CIw0U6t9c

https://www.youtube.com/watch?v=7tkqyD_loTg

“TARJA PRETA” (do CD Bocas ordinárias, de 2002) – Um dos sons mais agressivos já gravados por uma banda pertencente ao mainstream do rock brasileiro, com ecos (dosados, bem dosados, calma) de grupos como Pantera e Rage Against The Machine, e letra doentia: “Eu sinto que as pessoas não confiam em mim/elas fazem cara feia quando olham para mim”. Bocas ordinárias, por sinal, é o melhor disco da banda. Pelo menos pode ser ouvido sem que o fã precise pular alguma vinheta bizarra, ou algum tipo de maluquice sem pé nem cabeça que Chorão resolveu gravar à revelia do produtor ou da banda.

“NÃO DEIXE O MAR TE ENGOLIR” (do CD Preço curto, prazo longo, de 1999) – Metal-rap-funk praiano de excelente qualidade, com toques politicamente incorretos na letra. O clipe, com várias cenas (caríssimas) feitas em animação, teve boa parte bancada pelo próprio vocalista.

“VÍCIOS E VIRTUDES” (do CD Acústico MTV, de 2003) – A mania do “logo eu”, que se espalhou pelo Facebook há uns dois anos feito praga de piolho em creche, possivelmente veio da lembrança desse hit aí, igualmente viral.

“HOJE EU ACORDEI FELIZ” (do CD 100% Charlie Brown Jr. – Abalando a sua fábrica, de 2001) – Punkão leve demais para estar no underground, pesado demais para estar no mainstream – mas tocou bastante no rádio, apesar do verso “hoje eu acordei para sorrir, mostrar os dentes/hoje eu acordei para matar o presidente”, que daria um barulhão na era Lula-Dilma, faria a felicidade de muitos no atual período Temer, mas passou batido no tempo de FHC. Se você odiar a música, vale dar pelo menos uma olhada no clipe, dirigido por André Abujamra, no qual todos os integrantes da banda são assassinados. Chorão e Champignon, numa infeliz coincidência, tomam tiros juntos e são os últimos da fila.

“COM MINHA LOUCURA FAÇO MEU DINHEIRO, COM MEU DINHEIRO FAÇO MINHAS LOUCURAS” (do CD Bocas ordinárias, de 2002) – A letra repete vários versos que, em outras ocasiões, já haviam aparecido nas músicas do grupo. Vale pelo refrão e boa pela melodia estilo “punk na praia”.

“RALÉ” (do CD Nadando com os tubarões, de 2000) – Jazz-rap suingado com flow bacana e boas linhas de baixo, uma das melhores de um dos álbuns mais confusos da banda.

“SINO DOURADO” (do CD 100% Charlie Brown Jr. – Abalando a sua fábrica, de 2001) – Skate-punk com referência cara-de-pau a relacionamentos lésbicos (o tal “sino dourado” já foi parar até em nome de livro sobre orgasmo clitoriano). Quem ouviu, podia detestar, mas saía cantando a letra.

“UM DIA A GENTE SE ENCONTRA” (do CD La familia 013, de 2013) – Típica música-de-disco-póstumo, daquelas que os fãs do grupo passam horas tentando descobrir mensagens secretas na letra – e muitos concluem que “ah, ele sabia que ia morrer!”. Seja como for, difícil não se emocionar com a mensagem de despedida da letra. E com o clipe repleto de fãs e convidados famosos, como Supla, Kiko Zambianchi e Marcelo Nova.

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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