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Cultura Pop

Chico Buarque na TV: descubra agora!

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Chico Buarque na TV: descubra agora!

O livro Noites tropicais, de Nelson Motta, entrega que rolou um grosso temporal de granizo nas relações de Chico Buarque (aniversariante deste sábado, 77 anos) e a Rede Globo, nos anos 1970. O cantor ficou sabendo que a nova decoração do bar Antonio’s, em Ipanema, tinha sido custeada pelo todo-poderoso da emissora, Boni. A casa, no novo look, tinha as paredes cheias de foto dos frequentadores famosos. Segundo Nelson Motta, Chico, frequentador assíduo do local, arrancou o pôster de Boni da parede do bar – no caminho para casa, rasgou tudo e jogou fora.

Chico diz que esse rancor todo não era à toa: em artigos e entrevistas, afirmou que a Globo o boicotava e que seu nome foi proibido na emissora durante os anos 1970. O poder exercido pela emissora na ditadura militar também não deixava o cantor nada feliz. De qualquer jeito, bizarro imaginar o cantor fora de qualquer momento da história da televisão no Brasil, porque, antes de tudo, Chico chegou ao grande público por intermédio dela. Tornou-se uma cara conhecida ao participar dos festivais de música transmitidos pela Record e ao aparecer em outros programas da emissora, como o Esta noite se improvisa.

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Aliás, Chico, ao lado de Nara Leão, tentou ser apresentador da emissora no fim de 1966. Os dois amigos ficaram à frente de um curioso programa de auditório da Record chamado Para ver a banda passar. A atração era tão variada que apresentava Elza Soares e Altamiro Carrilho, lado a lado com a própria Nara cantando As tears go by, dos Rolling Stones.

Chico ficou sumido da Globo mas nem tanto – sua voz era ouvida em trilhas sonoras de novelas, e lá pelos anos 1980 ele voltou a dar entrevistas ao canal. E ele passou vários anos dando as caras em outras emissoras, que fizeram especiais até bem grandinhos e importantes com seu trabalho. Separamos dez desses momentos em que o autor e cantor de Vai passar passou (ai) na TV.

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“A BANDA” NO FESTIVAL DE MÚSICA POPULAR BRASILEIRA DE 1966. O primeiro hit de Chico era meme puro: “estava à toa na vida” e “vendo a banda passar” viraram frases que muita gente repete até hoje. A capacidade de comunicação da música conquistou público e jurados e fez a canção, de início, vencer o festival. Ainda que o júri decidisse criar um empate com Disparada, de Geraldo Vandré e Theo de Barros (com Jair Rodrigues na defesa) para evitar maiores problemas.

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“RODA VIVA” NO FESTIVAL DE MÚSICA BRASILEIRA DE 1967. Uma apresentação que dispensa apresentações (eita), já que existe até mesmo um filme sobre esse festival, Uma noite em 67, dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil. Ficou em terceiro lugar na competição, dessa vez sem empates. A música era tema de uma peça, escrita por Chico em 25 dias e montada por José Celso Martinez Corrêa.

ESPECIAL NA BAND. Num papo com o combativo jornal gaúcho Coojornal, em junho de 1977, Chico disse que nunca esteve brigado com a TV (apenas queixou-se de censuras da Globo). E comentou sobre um programa de televisão que fizera há pouco: Meus caros amigos foi um especial exibido em 30 de março, dirigido por Roberto de Oliveira, e exibido pela Rede Bandeirantes, com uma gama extremamente variada de convidados, indo de Francis Hime e Milton Nascimento, aos atores Antonio Pedro e Paulo Cesar Pereio.

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NOVELA DO CHICO. Ainda que a Globo e Chico não tivessem boas relações, volta e meia apareciam músicas do cantor em novelas. Espelho mágico (1977) tinha na abertura Vai levando, parceria do cantor com Caetano Veloso, na interpretação de Miúcha e Tom Jobim. A trilha da novela era repleta de nomões da MPB, e Chico ainda aparecia no disco cantando Maninha, também ao lado da irmã e do compositor. O produtor Guto Graça Mello contou no livro Teletema, de Guilherme Bryan e Vincent Villari, que era amigo de Chico nessa época, e que ele e o diretor Daniel Filho montaram a trilha na base da intuição, “sem nenhuma visão política e mercadológica da MPB”.

“ÓPERA” NA TV. O disco duplo Ópera do malandro (1979), cheio de convidados (e surgido do musical dirigido por Luiz Antonio Martinez Correa), rendeu um especial de fim de ano da Rede Tupi em 1979, com participações de nomes como Marlene e Moreira da Silva. Fernando Faro, o diretor, aproximou a estação (que fecharia portas no ano seguinte) do Estado Maior da MPB: a emissora encerraria o ano também com especiais de Paulinho da Viola (Violão e cavaquinho), Gal Costa (tendo o disco Gal tropical como tema), Gonzaguinha (idem com o LP Gonzaguinha da vida) e Caetano Veloso (dedicado ao disco Cinema transcendental).

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CHICO NA ABERTURA DA ÚLTIMA NOVELA DA REDE TUPI. Parece brincadeira mas aconteceu: a Tupi saiu do ar em 18 de julho de 1980 sem exibir o final de sua última novela, Como salvar meu casamento, de Carlos Lombardi. A abertura, um primor de fantasmagoria, tinha Cotidiano, de Chico (na mesma versão do cinquentão disco Construção) como tema.

NA MANCHETE. Inaugurada em 1983, a Rede Manchete tentou imprimir na cabeça do telespectador a ideia de que era um projeto revolucionário, “artístico” e diferente do feijão com arroz habitual. Durou o quanto pôde, porque a emissora passou a adotar uma linha bem mais popularesca depois de certo tempo – e, como você deve saber, fechou portas em 1999. Durante um bom tempo, investiu em programas top de linha como o musical Bar academia (em que um astro da MPB falava sobre seu trabalho, com convidados e clipes exclusivos) e Persona (entrevistas comandadas por Roberto D’Ávila).

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CHICO E CAETANO NA GLOBO. O cessar-fogo entre a Globo e Chico incluiu, numa mudança de grade da Globo, a criação de um programa mensal, Chico & Caetano (1986), unindo os dois artistas, com uma gama de convidados que incluía Astor Piazzolla, Jorge Ben, Mercedes Sosa, Tom Jobim, Gilberto Gil, e até mesmo Legião Urbana e Paulo Ricardo (RPM).

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NO CHACRINHA. Pois é, Chico passou por lá. O cantor foi ao Cassino do Chacrinha lançar seu disco de 1984, Chico Buarque, e mostrar o sucesso Vai passar, em meio a confete, serpentina e chacretes.

MUSICAL. Antes de Chico & Caetano já tinha rolado a adaptação para a TV de O corsário do rei, musical de Chico e Edu Lobo, em 6 de janeiro de 1985. A atração ganhou o nome de Corsário especial, teve participações dos artistas que estariam no disco do programa (lançado pela Som Livre em 1985) e contou com depoimentos de atores e cantores sobre musicais. A curiosidade é a participação da Blitz, com Show bizz.

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Cultura Pop

Adult Themes For Voice, de Mike Patton, fez 25 anos! (e em abril)

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Adult Themes For Voice, de Mike Patton, fez 35 anos! (e em abril)

Adult themes for voice, a estreia solo (100% solo, inclusive) de Mike Patton, vocalista do Faith No More, não está nas plataformas digitais. Você consegue encontrar o disco, com várias faixas faltando, para ouvir numa playlist do YouTube. O álbum comemorou silenciosamente 25 anos em 2021 (saiu em 23 de abril de 1996). Em lojas virtuais, ele pode ser encontrado em pequenas quantidades ou em MP3.

Quem se dispuser a tirar 43 minutos do seu dia para ouvir, vai descobrir, mais do que um disco experimental, o equivalente musical da frase “quem tem limite é município”. Enquanto divulgava King for a day… Fool for a lifetime, quinto disco do Faith No More, Mike Patton trancava-se nos quartos de hotel – no meio das excursões do grupo – e gravava tudo de Adult themes usando apenas um gravador TASCAM de quatro canais. Fez tudo sozinho mesmo, até porque não precisava mais do que o próprio Mike para fazer tudo: o álbum consiste em gritos, peidos, arrotos, barulhos de raspagem e ruídos estranhos e aleatórios.

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Patton disse que boa parte do disco vinha de lembranças de infância, já que ele aprendeu a cantar fazendo sons não-verbais, e quando era uma criança, ganhou de seus pais um flexidisc com “sons de boca, de uns caras que podiam fazer sons estranhos. Não sei porque me deram, mas era um dos meus discos favoritos”. Na época, rolou certo ruído a respeito do disco, mas era um lançamento underground demais até para os fãs do Mr. Bungle, a banda que Mike mantinha paralela ao Faith No More. Numa loja virtual, um fã do disco define: “É uma ótima ‘música’ para encerrar uma festa que está ficando longa demais. Não é perfeito, mas não enfadonho”, escreveu.

Seja como for, mais interessante até do que a estreia solo do cantor, era o selo que havia lançado o álbum: o Tzadik, gravadora experimental “sem fins lucrativos” do músico John Zorn.

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A Tzadik existe até hoje e se apresenta em seu site oficial como “uma gravadora dedicada a lançar o melhor em música experimental e música de vanguarda” e “uma comunidade mundial de músicos que encontram muita dificuldade ou até mesmo impossibilidade de lançarem seus trabalhos pelos canais convencionais”. Recentemente o próprio Zorn lançou pela sua gravadora a caixa de 4 CDs Bagatelles, com quatro formações diferentes (do jazz ao noise rock) tocando 300 canções compostas por ele.

No catálogo, a gravadora tem até mesmo pins para crianças (feitos pelo designer oficial do selo, Heung-Heung Chin), além do próprio Adult themes e do disco seguinte de Patton, Pranzo oltranzista  (1997), só com faixas com títulos em italiano, inspiradas no livro Futurist cookbook, de Filippo Tommaso Marinetti, e que basicamente falavam sobre comida – havia temas como Carne cruda squarciata dal suono di sassofono (“carne crua rasgada por som de saxofone”), Bombe a mano (“granadas de mão”) e Scoppioingola (“explosão na garganta”). Dessa vez, Patton convocou um grupo que incluía músicos como Mark Ribot (guitarra) e o próprio John Zorn (sax alto). Mas essa maluquice você não acha nem no YouTube.

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Cinema

Michael Lindsay-Hogg: descubra agora!

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O cara que dirigiu Let it be (o filme dos Beatles que hoje todo mundo conhece como uma série chamada Get back) rende, ele mesmo, uma série cheia de histórias. O americano Michael Lindsay-Hogg, hoje com 81 anos, diretor de TV e cinema, é filho da atriz irlandesa Geraldine Fitzgerald, grande nome da Broadway que migrou para o cinema. Herdou o sobrenome do inglês Sir Edward Lindsay-Hogg, com quem sua mãe foi casada, e cresceu acreditando que o britânico era seu pai biológico. Só que havia uma belíssima confusão por trás disso: sua mãe disse a ele, quando Michael tinha 16 anos, que havia suspeitas de que o cineasta Orson Welles – com quem ela tivera um affair – era seu verdadeiro pai.

A informação chegou aos ouvidos de Michael de maneira tão confusa que ele passou um bom tempo na dúvida sobre se aquilo era verdade ou não. E para piorar, Orson era bastante próximo da família, a ponto de Michael ser amigo de infância da filha do cineasta, Chris. O bom tempo aí não é figura de linguagem, não. Em 2010 (!), após até mesmo a própria Chris afirmar que acreditava que ele poderia ser ser irmão, Lindsay-Hogg decidiu fazer um teste de DNA, que não revelou praticamente nada. Seja como for, Patrick McGilligan, autor da biografia Young Orson, afirma que o cineasta não poderia ser pai de Michael pelo motivo de que Geraldine estava na Irlanda quando engravidou, e isso teria acontecido durante um período em que Orson estava nos EUA.

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Com o tempo, Michael foi se interessando por dirigir programas de TV e acabou cuidando do Ready steady go!, sucesso jovem da televisão britânica. Saiu-se tão bem que acabou inventando o videoclipe. Bom, não foi bem assim: ele dirigiu alguns dos primeiros promos (filmetes promocionais) para músicas pop, nos anos 1960. Coisas como Rain e Paperback writer, dos Beatles, 2.000 light years from home, dos Rolling Stones e outros.

Aliás, Hogg acabou cuidando de dois filmes para as maiores bandas dos anos 1960, Beatles e Stones. Por sinal dois caroços na vida das duas bandas: o proscrito Rock and roll circus, dos Rolling Stones, gravado em 1968 e só lançado em 1996, e… Let it be, dos Beatles, lançado no cinema em 1970 e sempre deixado de lado na era do DVD. E hoje, impossível não saber, transformado em prato principal das discussões pop, por causa de Get back.

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Pega aí sete coisas que Michael dirigiu – só não incluímos Let it be/Get back, porque esse você tem a obrigação de saber.

“RAIN”, BEATLES (1966). Por causa desse filme e do de Paperback writer, George Harrison costumava dizer que os Beatles “inventaram a MTV”. Na verdade, inventaram o hábito de fazer várias versões para o mesmo clipe, já que Rain teve três clipes, todos dirigidos por Michael Lindsay-Hogg. Num dos mais populares, os quatro parecem saídos da contracapa do LP Revolver (1966). Paul, que tivera um acidente de moto, aparece com um dente quebrado.

“CHILD OF THE MOON” – ROLLING STONES (1968). Lado B do single Jumpin’ Jack Flash, e a música mais bonita já feita por Mick Jagger e Keith Richards. Ganhou um clipe extremamente surrealista, o melhor feito pela banda na época. Uma mesma personagem é interpretada na juventude por Dame Eileen Atkins, e na velhice por Sylvia Coleridge. E deixa Jagger, Richards, Brian Jones, Bill Wyman e Charlie Watts intrigados. O clipe também é de Lindsay-Hogg, em parceria com Tony Richmond. Outros clipes da banda, como Angie e Start me up, também seriam dirigidos por Hogg.

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“ROLLING STONES ROCK AND ROLL CIRCUS” (1968, lançado em 1996). Concebido por Mick Jagger como uma ideia original para promover o disco Beggar’s banquet, esse filme tem caráter histórico. Soa como uma despedida digna dos anos 1960 – um ano antes dos Stones transformarem a década quase num morto-vivo com o festival de Altamont – e é a última aparição da banda ao vivo com Brian Jones, que morreria no ano seguinte. Os motivos pelos quais a banda decidiu engavetar o filme sempre foram nebulosos, e o mais provável é que tenham se sentido engolidos pelo Who (na ponta dos cascos). O próprio Hogg diz que ouviu Keith Richards dizendo que o show não era “o Who Rock And Roll Circus”. Parte da filmagem ficou perdida por vários anos, e teve que ser rastreada e restaurada.

“JOURNEY TO THE UNKNOWN” (série britânica, 1968). Produção de horror exibida pela ABC nos Estados Unidos, entre 1968 e 1969, e na Inglaterra pela ITV em 1969. Lindsay-Hogg dirigiu o episódio Matakitas is coming, sobre uma pesquisadora e um bibliotecário presos numa biblioteca com um assassino em série (o Matakitas do título, interpretado por Lion Lissek). Foi ao ar em 28 de novembro de 1968 nos EUA.

“NASTY HABITS” (filme de 1977). Michael, que já havia feito vários telefilmes, dirigiu essa comédia exibida nos cinemas, com Glenda Jackson, Melina Mercouri e Geraldine Page no elenco. O roteiro era baseado em The abbess of crewe, livro da escritora escocesa Muriel Spark, e leva o escândalo de Watergate para o dia a dia maluco de um bando de freiras sem caráter. Tem inteiro no YouTube.

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“THE CONCERT IN CENTRAL PARK” – SIMON & GARFUNKEL (1981, lançado em 1982). Feito com o objetivo de arrecadar fundos para a manutenção do parque de Nova York, o concerto que marcou a reaproximação da dupla (uma reaproximação que só duraria três anos, vale dizer) não teve sua importância dimensionada pelos dois na hora. Art Garfunkel se achava fora de forma, mas topou cantar. Paul Simon só se tocou da repercussão quando leu os jornais no dia seguinte. Hogg dirigiu o filme do concerto para transmissão na HBO e lançamento em vídeo. O próprio Simon despejou uma carreta de grana na gravação.

“YOU GIVE GOOD LOVE” – WHITNEY HOUSTON (1985). Lindsay-Hogg dirigiu também um dos primeiros clipes de Whitney, que foi definido pela Time como “a história de um romance com um cinegrafista”, já que a cantora aparecia sendo filmada por um admirador, no vídeo. Acostumado com os Beatles e os Stones dos primeiros tempos, Hogg estranhou o batalhão de funcionários com quem teria de trabalhar: cabeleireiros, maquiadores, estilistas… Mas tratava-se de um orçamento nada apertado e Houston era uma das maiores estrelas pop da época.

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Cultura Pop

Quando Paul Weller resolveu acabar com o Jam

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Quando Paul Weller resolveu acabar com o Jam

Términos de bandas em que um líder compõe todo o repertório – e ainda por cima resolve largar os colegas para investir em si próprio – costumam acabar em mágoas eternas. Com The Jam não foi muito diferente. Para piorar só um pouco, o pai do vocalista e guitarrista Paul Weller (este, o autor de todas as músicas e responsável pelo término do grupo) era o empresário da banda. E Paul resolveu acabar com tudo logo que a banda conseguiu um enorme sucesso comercial, com o LP The gift (1982) e o hit nº1 Town called malice.

Ao que consta, Weller surpreendeu bastante os colegas Bruce Foxton (baixo) e Rick Buckler (bateria) com a decisão de dar fim à banda logo numa época que parecia bem boa para o Jam. A história foi anunciada no dia 30 de outubro de 1982 após uma série de shows no Reino Unido, e o músico basicamente achava que a banda tinha parado na hora certa, porque ele não queria ficar refém de um grupo só porque tiveram bastante sucesso. Em 2007, ele disse para a Billboard que não se recordava direito do dia em que resolveu terminar tudo. Só soube que a coisa estava terminada no último ano da banda.

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“Antes de o Jam se separar, eu simplesmente senti que era hora de seguir em frente, apenas artisticamente e criativamente. Eu precisava encontrar algo diferente e diferentes tipos de caminhos para fazer música, e uma maneira diferente de fazer música”, recordou, lembrando que esteve com a banda por uns dez anos. “Gastamos quatro ou cinco tentando fazer discos, então foi um tempo terrivelmente longo também. Portanto, mesmo que tenha sido um movimento egoísta, eu simplesmente sabia, instintivamente, que era hora de seguir em frente. As outras coisas que eu queria tentar, não poderia ter tentado no âmbito do Jam. Tinha que ser algo diferente”.

Em 2008 c0ntinuou a conversa falando com o New Musical Express, e disse que sabia que era a decisão certa. “Foi uma decisão artística, sem parecer exagerada. Eu não queria estar na mesma configuração pelo resto da minha vida. Gosto de mudar e seguir em frente”, contou. Os ex-colegas não curtiram nem um pouco a ideia: ficaram sem falar com Weller por vários anos.

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Buckler lembrou num papo com o jornal Woking News & Mail, da cidade do grupo, como foi o fim. Foi chamado para uma reunião da banda em 1982 (“estranhei, porque nunca tínhamos reuniões da banda”) e ao chegar lá, foi o próprio John Weller, pai de Paul e empresário da banda, que informou sobre a separação. “Foi quase como se John não conseguisse pronunciar as palavras. Tenho certeza que ele não queria que a banda terminasse”, recordou.

“Ele tinha que falar por Paul, Paul realmente não disse nada. Enfim, John disse que era isso, Paul ia deixar a banda e nós – especialmente Bruce – tentamos dizer: ‘Por que não colocamos em espera por seis meses e qualquer um pode ir e fazer seu projeto solo e ver como nós sentimos?’ Parecia tão repentino, não parecia haver nenhuma lógica nisso”. A banda teve mais seis meses de shows e depois disso os integrantes começaram a montar seus projetos pessoais.

Weller, você deve saber, montou em 1983 o Style Council, dupla de pop sofisticado, com o tecladista Mark Talbot. Fez bastante sucesso (a ponto de arrebanhar gente que desconhecia o Jam, até mesmo no Brasil) mas deu uma desagradada básica em alguns fãs de sua antiga banda. O hit Sowing the seeds of love, dos Tears For Fears, tinha a frase “kick out the style/bring back The Jam”.

Anos depois, Buckler diz que entendeu mais ou menos a decisão de Paul, já que o ex-colega se sentia responsável por criar todas as músicas da banda, e esteva sobrecarregado. Mas ainda achava que tirar uns seis meses de separação para cada um fazer o que queria da vida seria o ideal. Ele e Foxton chegaram a tocar adiante um grupo chamado From The Jam, com repertório do grupo, que durou alguns anos. Paul nunca quis saber de um retorno e os ex-integrantes volta e meia comentam que nunca mais conseguiram manter contato com ele. Os trêx ex-membros têm seus projetos pessoais e Rick ainda mantém um site de fãs da banda.

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E pega aí o The Jam ao vivo em 1982.

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