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Bob Dylan, autor independente: cantor e escritor lançou um Patreon

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Bob Dylan, autor independente: cantor e escritor lançou um Patreon

Sabe quando um programa de TV pede um minutinho para “uma palavrinha dos nossos patrocinadores”? Bom, o nosso patrocinador é o (você deve saber) apoia.se/popfantasma. E ninguém menos que Bob Dylan acaba de lançar o seu (digamos) patrocinador: uma conta no Patreon.

Anúncio do patreon de Bob Dylan nos stories do Instagram

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Por enquanto, a história está meio na encolha: o site do cantor nem lista o lance na aba de “novidades”. Mas na tarde deste domingo, ele anunciou num story de seu instagram a série “Lectures from the grave” (“palestras da sepultura”), exclusiva para assinantes do seu Patreon. Para assinar e ter acesso aos textos, custa 5 dólares por mês.

O site Pitchfork entrou no tal Patreon de Dylan e viu que a atual fase de autor independente do cantor já inclui algumas publicações: um vídeo de uma apresentação ao vivo de Mahalia Jackson, além de três publicações com ensaios em áudio sobre o ex-vice-presidente Aaron Burr, o fora da lei do século XIX Frank James e o herói folclórico do Velho Oeste americano Wild Bill.

“Esses trechos, com duração entre 15 e 67 minutos, parecem ser lidos em voz alta por uma voz de inteligência artificial. Dylan compartilhou trechos de dois desses ensaios em áudio no Instagram nos últimos meses”, diz o site.

Mas o fino da história é uma série chamada Cartas Nunca Enviadas, que provavelmente incorpora o tal conceito das “palestras da sepultura”. Por enquanto, tem lá uma carta fictícia do escritor Mark Twain para Rodolfo Valentino, ator italiano da época do cinema mudo.

Valentino tinha 14 anos quando Twain morreu em 1910. A carta termina com a assinatura cursiva de Twain, e toda a correspondência é atribuída ao pseudônimo Herbert Foster. Um trecho: “Caso esta carta chegue de alguma forma ao seu endereço celestial, gostaria de saber como é ser lembrado principalmente por romances. Autores são lembrados por suas frases, o que é uma tarefa bem menos lisonjeira; os leitores as destrincham, as citam de forma inadequada e culpam o escritor quando elas se tornam antiquadas”.

Você acha lá também o conto Bull rider, de sete páginas, creditado a Marty Lombard como autor – a história é a de um homem que procura um rodeio no Texas para tentar montar touros. O site Stereogum, com a graça que lhe é peculiar, anuncia o pacote como “Bob Dylan entra para o Patreon com fanfic histórica”. Os leitores do site, por sua vez, caíram na zoeira, com observações como “adorei o fato de ele não ter conseguido o nome de usuário ‘bobdylan’ no Patreon. Ele teve que procurar no final da lista até encontrar ‘bobdylan180′”.

Uma outra pessoa observou que “o cara usou o SparkNotes para a palestra dele quando recebeu o Nobel há dez anos, não me surpreende que ele esteja optando por um método tão ruim agora” (na época em que fez o discurso de recebimento do prêmio, o cantor foi acusado de plagiar um texto publicado no site de estudos).

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

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Jambu lança versão deluxe do álbum “Manauero”, com três faixas bônus

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Jambu (Foto: Rafael Tavares / Divulgação)

Já passaram pelos ouvidos do Pop Fantasma discos que poderiam ter saído dos estúdios da Odeon em 1975, ou da CBS em 1979 – e no dia 25 de abril do ano passado, chegou a vez de um álbum que tem cara de CD lançado pela Sony Music em 1995. A diferença é que Manauero, segundo disco do Jambu, chega num mercado que, se não premia a ousadia pop com vendagens de milhões (como fez com Skank e Cidade Negra), entende um pouco mais de discos fora da curva.

Manauero traz Gabriel Mar (voz e guitarra), Roberto “Bob” Freire (guitarra) e Yasmin “ysmn” Moura (bateria e voz) misturando duas vivências: são moradores de São Paulo (desde 2023) e estão cada vez mais voltados para suas raízes de Manaus. O som do Jambu deixa de fazer parte do contexto indie nacional e ganha uma cara mais voltada para o reggae – mas um reggae unido a sons de Manaus, lambada, guitarrada e até a forró.

Isso aí foi o que falamos na época sobre Manauero (você lê a resenha inteira aqui). E agora a banda solta nas plataformas a versão deluxe do álbum. O Manauero ampliado vem com três faixas bônus: as versões ao vivo, gravadas no Red Dog Pub em Manaus, de Cerveja gelada e Vc se foi e é tarde, com participação do percussionista Stivisson Menezes, e o registro em estúdio da inédita A noite toda.

Outra novidade é que as versões ao vivo chegam acompanhadas de dois clipes. Já tá tudo no canal da banda no YouTube. E o Jambu continua em turnê divulgando o disco.

Foto: Rafael Tavares / Divulgação

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Tá a fim de ver Mac DeMarco no Brasil? Só tem ingresso pra Porto Alegre (e corra!)

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Mac DeMarco (Foto: Mac DeMarco / Divulgação).

Inspiração para vários artistas indies daqui do Brasil, com seu clima tristinho, lo-fi e meio derretido, Mac DeMarco retorna ao Brasil oito anos após sua última visita, quando se apresentou como uma das principais atrações do festival Lollapalooza Brasil, em 2018.

Os shows da turnê pelo Brasil, promovidos pela Balaclava Records, rolam de 4 a 16 de abril, passando por Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Recife, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. Agora, detalhe: ainda só há ingressos a venda para o show da capital gaúcha (que rola no dia 16 de abril no Auditório Araújo Vianna). Você compra aqui.

O músico vem ao país com sua banda para continuar a tour de um disco que foi feito no esquema mais bedroom possível: Guitar, lançado no ano passado (e resenhado pela gente aqui) foi TODO feito por ele, da arte da capa, aos clipes, passando por execução, produção e mixagem – só a masterização foi feita pelo convidado David Ives. “Acho que Guitar é o mais próximo de uma representação real, que consigo colocar no papel, de onde estou na minha vida hoje”, conta o músico (e antes que você pergunte, Mac também é o autor da foto que aparece aí em cima).

Essa vai ser a quarta passagem do canadense pelo Brasil e a terceira vez em parceria com a Balaclava, que já trouxe o músico para shows no país nos anos de 2014 e 2015, incluindo uma apresentação no Balaclava Fest.

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Courtney Barnett põe disco novo na agulha. E Gelli Haha dá uma de Katy Perry no LSD em single novo.

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Courtney Barnett (Foto: Lindsey Byrnes / Divulgação)

Courtney Barnett está (você já deve ter visto) de volta. Nesta sexta sai seu quarto disco de estúdio, Creature of habit, que já foi adiantado por alguns singles – entre eles, Mantis, inspirado pela visita de um louva-a-deus que apareceu no batente da porta da sua cozinha.

O último single antes do álbum, One thing at a time, saiu nesta terça (24). A letra fala sobre aquela sensação de ter vários pensamentos chegando na mente de uma só vez, além de vários padrões pessoais de pensamento e atitude (antigos e novos) duelando para sair na frente. Um tema bem próprio de Courtney, que aliás volta no single novo fazendo rock introspectivo e suingado, lembrando um Red Hot Chili Peppers triste – e não por acaso, Flea, baixista do RHCP, toca na faixa.

One thing também ganhou um clipe bacana, dirigido por Lance Bangs, em que Courtney (vista aí em cima em foto de Lindsey Byrnes) toca guitarra e canta em meio a um convescote caótico, e depois sai dirigindo por uma estrada, para conseguir um lugar isolado para tocar.

Creature, aliás, vai sair pelo selo Mom+Pop e vai ser o primeiro lançamento dela depois de fechar as portas de sua gravadora, Milk! Records. Em 2023, num papo com o jornal The Guardian, Courtney Barnett recordou a história da gravadora, que partiu de um negócio totalmente “faça você mesmo” e tornou-se uma das empresas de música mais legais da Austrália, movimentando uma comunidade de músicos.

A gravadora sobrevivia com dificuldades e levou uma calça arriada séria com a pandemia – como aliás todo o mercado, mas no caso de um selo indie, o arraso nas contas foi inevitável. “Um ano atrás ou talvez até seis meses atrás, pensar em fechar o selo teria sido tão impossível e tão difícil e eu teria resistido. Um dia eu literalmente acordei e minha mente havia mudado”, disse ao jornal em 2023.

Ela também afirmou que foi duro anunciar o fim aos artistas contratados da gravadora, mas que a conversa foi gentil. “Mas acho que quase todo mundo dizia: ‘Eu entendo totalmente… nem sei como vocês conseguem’”, disse.

***

E adivinha quem também tá de volta na praça? Gelli Haha, autora de um dos discos mais bacanas do ano passado, Switcheroo, acaba de lançar um single novo, Klouds will carry me to sleep – primeiro lançamento dela desde o álbum, com direito a clipe dirigido por David Gutel.

O vídeo é repleto de glitches e de uma alegria psicodélico-circense que lembra a Katy Perry do álbum Teenage dream (2010), só que depois de uns cinco LSD. Se você duvida, olha aí Gelli pilotando uma nuvem e parando no posto do céu para abastecer a caranga voadora.

Até o momento, não se sabe se Gelli vai lançar um álbum novo ainda em 2026 – mas em compensação, ela está em turnê pela América do Norte. Confira as datas no Instagram dela. E pelo que dá pra perceber na música nova, a cantora norte-americana Angel Abaya (nome verdadeiro de Gelli, que ela chegou a usar quando iniciou carreira como cantora folk, há alguns anos) acaba de descobrir a fórmula do pop perturbador e criativo que ela vinha desenvolvendo desde a estreia com Switcheroo.

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