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Radar: Dizturbia, Dudipadi, Macaco Estrela, Roger Deff, Paulo Miklos e Papisa, Lince

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Banda Dizturbia (Foto: Fernanda Gamarano / Divulgação)

Semana começando meio atrasada depois de um fim de semana na praia – é, rolou, finalmente – mas com Radar nacional variado, indo do indie rock ao samba, passando pelo pop alternativo e até pelo rap. O Dizturbia, projeto paralelo de Dani Buarque (The Monic) e Fabrizio Martinelli (Maguerbes) abre a lista de hoje.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Dizturbia): Fernanda Gamarano / Divulgação

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DIZTURBIA, “SABOR NOVIDADE” / “DIZTURBIA”. Dani Buarque, vocalista e guitarrista da The Monic, e o guitarrista e produtor Fabrizio Martinelli, do Magüerbes (e ex-Hateen e VOWE), unem-se nessa banda com o objetivo de fazer um som mais minimalista e eletrônico do que as bandas de origem dos dois. Guitarras pesadas e beats unem-se no single duplo deles, que foi feito no computador e gravado no quintal da casa de Dani. “É bem alternativo, muito diferente do que já fizemos e em português”, enfatiza Fabrizio. E para aumentar o clima de feito em casa, o clipe de Sabor novidade vem com essa mesma onda intimista. Lançamento da Deck.

DUDIPADI, “CHANCE”. Artista independente do Rio, Dudipadi volta-se para o pop alternativo, e para uniões de dream pop e bossa, em seu single Chance. Um som basicamente construído com samples e instrumentos eletrônicos, e que usa bastante texturas diferentes em gravações de teclados e até de vozes – e uma música bem curtinha, de dois minutos, que mexe com sonoridades tão pop quanto underground, tão voltadas ao pop praiano carioca quanto à vibe quase psicodélica do hyperpop. Em 2026 sai um clipe de Chance, unindo vídeo e stop motion – e Dudipadi prepara para breve seu álbum de estreia, em parceria com o produtor Vasconcelos Sentimento.

MACACO ESTRELA feat MILENA MAKUXI, “O SINAL”. Rock latino, reggae, ska, cumbia e até sons indígenas contemporâneos unem-se no novo single dessa banda formada em 2019 no bairro da Mooca, em São Paulo. O sinal, segundo o vocalista Guto Almeida, fala “sobre encontros e desencontros da vida, de como um detalhe pode mudar o destino de duas pessoas ou de uma comunidade inteira, atuando como um divisor de águas. Acho que tudo pode ser um sinal de mudanças, sorte e azar”, conta. Milena Makuxi, cantora e compositora indígena de Roraima, participa da faixa, que sai pelo selo Liboo Music/Virgin.

ROGER DEFF, “FORÇA DO VERSO”. “O rap sempre cumpriu este lugar de contribuir para que discussões importantes cheguem até os jovens que vivem nas periferias. A gente não pode agir como se as coisas estivessem resolvidas, porque não estão”, conta Deff, rapper de Belo Horizonte e ex-integrante do grupo Julgamento, além de pesquisador do rap (é doutorando e mestre em artes pela UFMG), e defensor do gênero como ferramenta de transformação social. Seu single solo Força do verso resume toda essa trajetória falando da importância das mensagens no rap. E de toda a potência que vem da história e da cultura hip hop. A música também ganhou um videoclipe dirigido por Israel Oliveira, que também assinou o clipe de Ladeira, outra canção de Deff. “Ouçam sem moderação e espalhem a palavra!”, recomenda Roger Deff.

PAULO MIKLOS E PAPISA, “MAREMOTO” / “SÃO PAISAGENS, NOVAS DESCOBERTAS”. Com temporada de shows marcada no teatro Centro da Terra, em São Paulo, Papisa decidiu convidar Paulo Miklos para participar. “ “O trabalho dele me acompanhou a vida inteira e naquele momento eu tive um insight. Queria trazer alguém com mais experiência e arrisquei”, conta ela, que em seguida iniciou uma verdadeira troca artística com Paulo. “Eu tinha um material muito melancólico, por causa do momento que eu estava vivendo, e eu não sabia como dar vazão a isso”, comentou Paulo.

O resultado é o single duplo que sai agora pela Deck, com o rock Maremoto e o folk São paisagens, novas descobertas, músicas que falam sobre amor, afastamentos, despedidas. “É um pouco sobre esperança, sobre tentar consertar alguma coisa e se perguntar o que vem depois do fim do amor”, conclui o cantor, que se responsabilizou pelo baixo em Maremoto – e usou o mesmo instrumento com o qual gravou o baixo de Sonífera ilha, hit dos Titãs.

LINCE feat ANA SPALTER, “PREVALEÇA”. “Eu estava em um momento muito sombrio na minha vida, vendo tudo desabar em minha volta. Precisava ouvir palavras bonitas, então escrevi algo que achei que fosse motivar a mim e a quem ouvisse. As palavras dizem que é preciso prevalecer, deixar para trás o passado e seguir em frente. Porém as notas e acordes nos dizem que ainda há muita tristeza para se cantar”, diz Lince, um “mineiro de Aracaju”, hoje radicado na capital paulista, sobre seu novo single, Prevaleça. Um samba delicado para o qual ele convida a cantora paulistana Ana Spalter, que recentemente lançou o excelente disco Coisas vêm e vão.

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Ouvimos: The Fall – “BBC Radio sessions” (EP) / The Wedding Present – “Maxi” (EP)

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Dois clássicos do indie britânico voltam em EPs: sessões inéditas do The Fall na BBC e um Wedding Present revendo o passado com guitarras afiadas.

RESENHA: Dois clássicos do indie britânico voltam em EPs: sessões inéditas do The Fall na BBC e um Wedding Present revendo o passado com guitarras afiadas.

Texto: Ricardo Schott

Notas: 8 (The Fall) e 8,5 (The Wedding Present)
Gravadoras: Beggars Banquet (The Fall) e Scopitones (WP)
Lançamentos: 29 de outubro de 2025 (The Fall) e 5 de dezembro de 2025 (WP).

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Duas bandas do indie rock britânico clássico ressurgem em EPs novos. A primeira delas em caráter basicamente póstumo, já que se trata de um grupo (The Fall) que encerrou atividades após a morte de seu líder – Mark E. Smith, saído de cena em 2018. A outra (The Wedding Present) retornou em 2004 e vem fazendo uma torrente de lançamentos desde então, focando justamente em EPs.

BBC Radio sessions traz o segundo volume de gravações do Fall feitas na BBC – no caso, uma sessão gravada em 28 de abril de 1987 e transmitida pela primeira vez em 11 de maio daquele mesmo ano. O repertório focou em faixas de EPs e singles lançados naquele período, trazendo também a novidade de Athlete cured, faixa que sairia em 1988 no disco The frenz experiment. O curto repertório abre com Australians in Europe, pós-punk de poucos acordes, com ataque de guitarra surpreendentemente metálico lá pelas tantas. Twister, por sua vez, tem vibe krautrock, balanço cerimonial e uma abertura que adianta em alguns anos o som de Jon Spencer Blues Explosion.

O EP é complementado pelo clima boogie e sujo de Guest informant – no qual a voz de Mark lembra a de um Mick Jagger insociável. E por Athlete cured, soando como o encontro entre os beats da Motown e de Bo Diddley com a energia caótica da no wave. Já Maxi, do Wedding Present, é um disco novo que faz referência ao passado – mais detalhadamente ao EP Mini, de 1996. Ambos os discos têm músicas que falam sobre… dirigir.

Com uma formação recente turbinada pela guitarrista Rachael Wood, o WP surge variando entre a balada pós-punk e um clima próximo do rock pauleira nos quase sete minutos de Scream if you want to go faster – música que ainda ganha um clima meio psicodélico graças às guitarras e teclados do arranjo. Grand prix é meio jangle pop, mas faz lembrar bandas como XTC e Joy Division, nos vocais e no arranjo, Hot wheels, por sua vez, é punk e ágil, com ótimo trabalho nas guitarras.

Cruzamentos entre jangle pop e pós-punk aparecem também em Two for the road e na ágil e terna Silver shadow. E igualmente em Interceptor, canção que lá pelas tantas, ganha peso no estilo do Black Sabbath – voltando depois ao som comum do grupo.

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Crítica

Ouvimos: Cat Arcade – “Fragmentada”

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Cat Arcade foge do shoegaze padrão em Fragmentada, misturando ruído, pós-punk e melodia, com vocal dramático e identidade própria.

RESENHA: Cat Arcade foge do shoegaze padrão em Fragmentada, misturando ruído, pós-punk e melodia, com vocal dramático e identidade própria.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 2 de dezembro de 2025

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Banda gaúcha formada em 2019, o Cat Arcade lança o segundo álbum, Fragmentada, e marca algumas diferenças em meio à onda shoegaze que assola o rock nacional (e o internacional). O grupo não mira em paredes ruidosas de guitarras: o foco é em climas ruidosos entre Sonic Youth e o pós-punk, como na base de guitarra e nos riffs com eco de Sem rumo e Labirintos, que abrem o novo álbum. O vocal de Nina Barcellos é agudo e dramático, nada da vibe etérea dos sons ruidosos.

O grupo surpreende mais ainda com Videomaker, canção que tem algo de pop adulto anos 1980 (Marina Lima, Claudio Zoli, Vinicius Cantuária), mas traduzido para a atmosfera gélida do pós-punk – vale citar que até o título da faixa lembra a década em que criadores de conteúdo eram conhecidos como “videomakers” mesmo. Interrompida tem dramaticidade lembrando The Cure, enquanto Teste de sanidade tem até um certo clima de MPB “roqueira” dissolvido em meio a uma cara college rock – abrindo com um tom meio hispânico, e ganhando mais peso e melodia na sequência.

No fim do disco, Asas dá uma cara mais simples e melódica a Fragmentada, com evocações de Smiths e The Cure, ótimas guitarras e riff que chama a atenção. Um álbum que encontra identidade própria no ruído, no drama e na melodia.

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Ouvimos: Varanda – “Rebarba” (EP)

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O Varanda retrabalha sobras do ótimo álbum Beirada no EP Rebarba, focando no lado mais ruidoso, experimental e multifacetado da banda mineira.

RESENHA: O Varanda retrabalha sobras do ótimo álbum Beirada no EP Rebarba, focando no lado mais ruidoso, experimental e multifacetado da banda mineira.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 14 de outubro de 2025

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A banda mineira Varanda lançou a ótima estreia Beirada em 2024, e agora, pouco mais de um ano depois, sai Rebarba, EP com quatro músicas que estavam nas demos do álbum, retrabalhadas agora para lançamento e produzidas pelo próprio grupo. Não é raro que bandas e artistas mexam em sobras de seus álbuns para trabalhar como singles e EPs – Nilüfer Yanya fez isso recentemente – ou até mesmo como edições deluxe, o que é até bem mais comum. O Varanda, uma banda bastante multifacetada, escolheu determinadas faces de seu som para focar no EP.

Rebarba começa com o jazz rock indie de Não me – música que ao final, vai ficando saturada, como numa gravação com defeitos, mas que depois volta ao normal, como se Mario Lorenzi, Amélia do Carmo, Augusto Vargas e Bernardo Merhy desejassem que a última mensagem da música ficasse na mente. Espelho é pós-punk-MPB, um som bonito e mágico, baseado num riff grave e numa letra imagética (“me faltou o Carnaval / mas rolaram as fantasias”), além de quebras rítmicas, como numa valsa pós-hardcore. Cores no céu soa como um ensaio gravado, mas ganha um som meio maquínico e um clima lembrando o pop adulto nacional dos anos 1980.

Sol ameaça um blues na abertura, mas vai mexendo com métricas pouco usuas e focando na experimentação rítmica. Ela já me ama encerra o disco de modo bem despojado, com efeitos de teclados e um resultado bem próximo do noise rock – com direito a vocais esgoelados, lembrando Pavement, Nirvana e Sonic Youth. A julgar pela Rebarba, tudo indica um futuro bem ruidoso e experimental pro Varanda nos próximos discos.

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