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Cocteau Calines: pós-punk + noise japonês, em protesto contra as guerras

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RESUMO: O grupo japonês Cocteau Calines cruza pós-punk, dream pop e rock alternativo em A city made of sorrow, canção de protesto contra a guerra com ecos de DIIV, Stone Roses e Smashing Pumpkins.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Tem algo de pós-punk soturno e de rock alternativo dos anos 1990 em A city made of sorrow, novo single do Cocteau Calines. O quarteto de Tóquio estica a música por pouco mais de seis minutos, num caminho que passa pelo DIIV, pelo balanço hipnótico do primeiro Stone Roses e por momentos mais pesados, que lembram o Smashing Pumpkins das guitarras distorcidas e do baixo ocupando bastante espaço.

É uma mistura que vai se revelando aos poucos. A city made of sorrow começa apoiada numa atmosfera de dream pop e em guitarras melódicas, mas ganha corpo conforme avança. O baixo distorcido ajuda a empurrar a faixa para um terreno mais escuro, próximo de certas bandas pós-punk, enquanto a voz em japonês de Yuya Nishiyama aparece quase incorporada à massa sonora – sempre na busca de repetição, clima e crescimento gradual.

A música também tem um contexto específico. Programada para sair na véspera do dia em que o Japão relembra o fim da Segunda Guerra Mundial, A city made of sorrow é uma canção de protesto contra a permanência das guerras e contra a ideia de violência praticada em nome da justiça. Formado em Tóquio em torno do baixista e vocalista Yuya Nishiyama, o Cocteau Calines também aposta no idioma japonês como parte fundamental de sua identidade, mesmo mirando ouvintes fora do país – aliás a ideia é propagar o idioma em outros países.

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Cockney Rejects volta ao Brasil em 2027 com Olga, do Toy Dolls, na formação

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Cockney Rejects (Foto: Divulgação)

RESUMO: O Cockney Rejects faz três shows no Brasil em abril de 2027, em Goiânia, Curitiba e São Paulo. A formação atual traz Michael “Olga” Algar, fundador do Toy Dolls, na guitarra.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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O Cockney Rejects volta ao Brasil em abril de 2027 para três shows – e com Michael “Olga” Algar, fundador do Toy Dolls, na guitarra. A banda inglesa de street punk toca em Goiânia (15 de abril, De Leon Music Pub), Curitiba (16, Basement Cultural) e São Paulo (17, Hangar 110). No dia seguinte, segue para Buenos Aires, em local ainda a ser anunciado. A turnê é da R&C Productions e terá a banda inglesa Few Thoughts como convidada.

Olga entrou para o Cockney Rejects em 2024, numa reformulação que manteve Jeff “Stinky” Turner nos vocais. “Depois de 45 anos brincando com The Toy Dolls, tive vontade de tentar algo novo! Felizmente ouvi de Stinky que ele estava montando um novo Cockney Rejects e ele me perguntou se eu gostaria de fazer parte dele. Claro que eu disse sim, sou fã do Cockney Rejects. Os shows têm sido incríveis e a nova formação é muito mais punk, como os Rejects de 1978-1980!”, contou na época.

Completam a formação JJ Pearce, ex-baixista do The Last Resort, e Ray Bussey, baterista que passou por grupos como The Business, Deadline e Knuckledust.

Formado no East End londrino no fim dos anos 1970 pelos irmãos Jeff e Mick Geggus, o Cockney Rejects tornou-se um dos nomes associados ao nascimento do Oi!, ao lado de bandas como Sham 69 e Cock Sparrer. O próprio termo ganhou força a partir de Oi! Oi! Oi!, música lançada pelo grupo em 1980. Futebol, vida operária e questões dos subúrbios londrinos sempre estiveram próximos de seu repertório.

A ligação da banda com o futebol chegou também ao Brasil. Em 2017, o Cockney Rejects lançou Chapecoense, homenagem às vítimas do acidente aéreo que matou jogadores e integrantes da comissão técnica do clube catarinense em novembro de 2016. A música adaptava Goodbye Upton Park, feita anteriormente para marcar o fechamento do antigo estádio do West Ham United, clube do qual Stinky é torcedor.

A abertura dos quatro shows ficará com o Few Thoughts, grupo de punk rock de Ramsgate, no sul da Inglaterra. Nos shows, o Cockney Rejects deve passar por músicas como Fighting in the streets, We are the firm, The power and the glory, Police car e, claro, Oi! Oi! Oi!.

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SERVIÇO
Cockney Rejects South America 2027

Goiânia
Data: 15 de abril de 2027 (quinta-feira)
Local: De Leon Music Pub
Endereço: Rua 86, 605 – Setor Sul, Goiânia – GO, CEP 74083-330
Ingressos aqui.

Curitiba
Data: 16 de abril de 2027 (sexta-feira)
Local: Basement Cultural
Endereço: Rua Desembargador Benvindo Valente, 260 – São Francisco, Curitiba – PR
Ingressos aqui.

São Paulo
Data: 17 de abril de 2027 (sábado)
Local: Hangar 110
Endereço: Rua Rodolfo Miranda, 110 – Bom Retiro, São Paulo – SP, CEP 01121-010
Ingressos aqui.

Buenos Aires
Data: 18 de abril de 2027 (domingo)
Local: a confirmar
Banda convidada em todas as datas: Few Thoughts (UK)

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Manicburg: abandono em clima pós-punk e post rock em “One for you and one for me”

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Manicburg: abandono em clima pós-punk e post rock em “One for you and one for me”

RESUMO: A banda nova-iorquina Manicburg combina guitarras pesadas, compasso em 7/4 e referências de Radiohead em One for you and one for me, faixa sobre abandono, solidão e ressentimento.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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O Manicburg gosta de fazer as coisas se chocarem em One for you and one for me. O novo single da banda nova-iorquina parte de uma estrutura pouco convencional, com compasso em 7/4, guitarras pesadas e mudanças de clima que aproximam pós-punk, post-rock e rock progressivo.

A banda nasceu do encontro entre o nova-iorquino Ray Lustig e o italiano Luigi Porto, que se conheceram na Juilliard School. Os dois vêm da música de concerto e acumulam trabalhos como compositores, com passagens por espaços como Carnegie Hall e Lincoln Center, além de festivais, casas de ópera e pequenos clubes – e depois o duo foi virando banda, com outros amigos.

No Manicburg, essa formação aparece misturada a referências do rock alternativo dos anos 1960 e 1990, da cena punk e experimental de Nova York dos anos 1970 e 1980, do cinema italiano, do cabaré, da vanguarda e da ópera-rock.

One for you and one for me tem muito de post-rock no som, com referências de Radiohead, além de alguns climas bem próximos do progressivo, de verdade. A estrutura ajuda a criar esse clima: as partes mais pesadas são conduzidas por guitarras e por uma batida em 7/4, enquanto a letra assume uma simplicidade quase infantil, mas vai deixando aparecer um lado bem menos inocente.

One for you and one for me é uma expressão de abandono, solidão e ressentimento crescente. A letra parece saída de rimas infantis, mas traz implicações ameaçadoras, lembrando Edward Gorey”, explica a banda, referindo-se ao escritor e ilustrador americano (1925–2000) conhecido por desenhos em preto e branco de aparência vitoriana e humor macabro.

O próprio nome Manicburg ajuda a entender esse universo. Além de identificar o grupo, representa uma cidade imaginária às margens do rio Hudson, pensada como um lugar instável, em que nada parece definitivamente resolvido. Ao vivo, Lustig e Porto trabalham com o baterista costa-riquenho Alvaro “Varo” Barahona, o baixista mexicano Daniel Espinoza e o guitarrista nova-iorquino Rob Salmon.

O single ganhou ainda um clipe feito em colaboração com o animador John W. Lustig e o fotógrafo do New York Times Robert Presutti. O vídeo conta também com a participação de Bill Weeden, ator ligado aos filmes da produtora independente Troma.

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Mais dois singles de tributo a Neil Young, com Modest Mouse e My Morning Jacket

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Digitalizaram todos os números de Broken Arrow, revista do fã-clube de Neil Young

RESUMO: A série Heart of gold, de tributo a Neil Young, ganha mais duas prévias: Modest Mouse e Califone regravam Barstool blues, enquanto My Morning Jacket e Preservation Hall Jazz Band encaram Like a hurricane.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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O segmento de “discos de covers” (naquela onda de “várias bandas regravando músicas do mesmo fulano”) assusta – tem muito projeto por aí que só faz empilhar covers sem pé nem cabeça. Agora, Heart of gold: The songs of Neil Young Volume I, lançado ano passado, não só não assusta como é uma bela coleção de versões, incluindo artistas como Fiona Apple e Eddie Vedder interpretando canções de Young.

Deu tão certo – e Neil tem um catálogo tão rico – que vêm mais dois volumes aí. Heart of gold, Vol. 2 – Out of the blue e Vol. 3 – Into the black, saem em 6 de novembro, cabendo nomes como MJ Lenderman, Kurt Vile, Ben Gibbard, My Morning Jacket, Lucinda Williams, Los Lobos, Jesse Malin, Devendra Banhart e Modest Mouse com Califone. Mais uma vez, toda a renda das coletâneas será destinada à Bridge School de Young.

Após os singles em que King Princess, interpreta Helpless (música que Young escreveu para o álbum Déjà vu, de 1970, do Crosby, Stills, Nash & Young) e Draco Rosa canta After the gold rush, tem mais duas nocidades circulando: Modest Mouse gravou Barstool blues, e My Morning Jacket interpreta Like a hurricane, que estão respectivamente nos volumes 2 e 3 da série.

Nas duas versões, rolam participações importantes: o Modest Mouse (leia-se o criador do grupo, Isaac Brock) uniu-se ao grupo experimental Califone, e o MMJ toca ao lado da veterana Preservation Hall Jazz Band. Brock diz que resolveu o desafio de reinterpretar um clássico de Young dando um toque krautrock à faixa.

“Fazer um cover de uma música do Neil em um projeto como este é importante tanto por ajudar uma causa importante como a The Bridge School, quanto por estar ligado à pessoa cuja música estamos interpretando. É realmente… bem, é uma honra estressante. A responsabilidade parece um pouco maior. Eu gosto disso”, conta, em comunicado à imprensa.

“Inicialmente, eu havia escolhido e começado a trabalhar em um cover de Cortez the killer, antes de perceber que, para fazer do jeito que eu queria, levaria mil horas. Então me ocorreu: existe uma música que eu gosto tanto quanto e com a qual me identifico mais, Barstool blues. Essa era uma música que eu realmente podia cantar com toda a minha alma”, continua.

“Além de ser uma música muito cativante, era algo com o qual eu sentia uma conexão mental e emocional maior do que com Cortez, com a qual tenho uma conexão emocional mais ‘histórica'”, diz. “O próximo desafio, sempre que você faz um cover de uma música que já ouviu tantas vezes, é encontrar uma maneira de não deixar sua versão muito parecida com a original. Afinal, por que alguém precisaria disso?”

E estão aí as duas versões. Mais sobre os volumes 2 e 3 do tributo aqui.

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