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Cultura Pop

Am I Not Your Girl?: uma fase bem estranha na vida de Sinéad O’Connor

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Am I Not Your Girl?: uma fase bem estranha na vida de Sinéad O'Connor

Sinéad O’Connor atingiu o estrelato mundial apostando em gestos ousados. Raspar a cabeça com máquina zero, defender publicamente o grupo terrorista IRA e lançar uma obscura balada escrita por Prince como música de trabalho de seu segundo álbum foram algumas dessas ousadias – bem recompensadas com um número 1 na parada da Billboard e um Grammy (que ela se recusou a receber). No ano de 1992, no auge do sucesso, a irlandesa conseguiu suplantar todas essas cabriolas ao lançar seu terceiro disco, Am I not your girl?: a trilha sonora de um verdadeiro suicídio comercial, do qual sua carreira nunca mais se recobrou.

A ironia é que o LP, hoje lembrado apenas pelos fãs mais fieis, não era nem um pouco agressivo ou contundente.

Recheado de canções de amor compostas entre 1936 e 1978, o álbum traz Sinéad mandando as interpretações mais delicadas de sua discografia, acompanhada de uma big band jazzística e uma orquestra completa. Então aos 26 anos, a cantora concebeu Am I not your girl? como um resgate das músicas que ouvia quando era criança e do repertório de seus tempos de crooner nos pubs de Dublin.

O disco tem temas de musicais do cinema e da Broadway, country, bossa nova e standards pop das décadas de 1930 e 40. Era como se Sinéad olhasse sua trajetória até ali e se perguntasse: “Hum, qual é a coisa menos rock’n’roll que posso fazer agora?” (Lembremos que a cantora virara sucesso global com Nothing compares 2 U, a tal música obscura do Prince, menos de dois anos antes, e sua cabeça careca adornava a MTV sete dias por semana.)

A reverência aos clássicos em Am I not your girl? incluiu a escolha de Phil Ramone como produtor, um veteraníssimo de sessões com Frank Sinatra, Ray Charles e Burt Bacharach. No fim, ela acabou pecando pelo excesso de recato. Seus vocais para canções como I wanna be loved by you (sucesso na voz de Marilyn Monroe), Bewitched, bothered and bewildered (gravada por Sinatra e um monte de outros), How insensitive (é, a nossa Insensatez), Love letters e Gloomy sunday são contidos, afinadíssimos, delicadamente melancólicos.

Mas nem a voz, nem os suntuosos arranjos arrancam as versões do lugar-comum. Há passagens mais esquisitas. O passo aceleradinho imprimido a Secret love, cavalo de batalha de Doris Day, não orna direito. Os metais tonitruantes incluídos em Success has made a failure of our home (hit country também gravado por Elvis Costello) descaracterizam a tristeza original. E as duas (!) versões de Don’t cry for me Argentina, uma vocal e outra instrumental, aproximam-se arriscadamente da paródia.

Achou pouco? No fim do disco, como faixa-bônus não creditada, Sinéad complementava a surpreendente virada estilística com… um monólogo de dois minutos descendo o pau na Igreja Católica. “Antes e agora, sempre houve um único mentiroso: o Santo Império Romano. E isso é exatamente o que eles fizeram: contaram mentiras para nos afastar de Deus”, declama ela, num tom sereno que não encobre a raiva no discurso.

A cantora já era conhecida por suas ferozes críticas ao que enxergava como a opressão católica sobre o povo irlandês. Mas as palavras de encerramento em Am I not your girl? eram apenas o começo da ofensiva total que Sinéad desfecharia contra o catolicismo em 1992. Em plena fase de divulgação do novo trabalho, no mês de outubro, ela escolheu o palco do programa Saturday Night Live para rasgar (ao vivo!) uma foto do Papa João II, bradando “Enfrente o verdadeiro inimigo”. Combinada à recepção fria que o álbum teve da crítica e do público, a reação negativa causada pelo gesto torpedeou sua carreira nos EUA. Am I not your girl? permanece como um curioso (e incongruente) souvenir sonoro dessa turbulenta época.

Aliás, tem um documentário de 23 minutos no YouTube mostrando a gravação do disco. Curta aí.

Jornalista, escrevendo coisas que ninguém lê, desde 1996 (Jornal do Brasil, Extra, Tribuna da Imprensa, Rock Press, Cliquemusic, Gula, Scream & Yell, Veja Rio, Bula)

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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