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Cultura Pop

Jô Soares zoando impiedosamente É O Tchan no “Onze e meia”

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É O Tchan no Jô Soares em 1997

É o Tchan do Brasil, CD lançado em 1997No ano de 1997, o É O Tchan estava fazendo bastante sucesso. E vinha com algumas novidades. A primeira delas deixou muita gente de nariz torcido na época, mas fez a alegria de muitos. O grupo liderado por Cumpadre Washington e Beto Jamaica levou seu pagode baiano para o festival de jazz de Montreux.

Logo ao voltarem de lá, a partir de um concurso realizado no Domingão do Faustão, admitiram na formação uma nova morena do Tchan, a mineira Scheila Carvalho. O novo disco É o Tchan do Brasil (1997) tinha sido lançado em mais de 20 países – é o disco da inesquecível Ralando o Tchan (Dança do ventre). O grupo vinha também com uma má nova: o excesso de shows tinha causado males físicos às duas meninas do grupo. Scheila dera um mau passo e torcera o tornozelo durante um show. Carla Perez, apoiada na mão na hora da coreografia da música Malhação, abriu o pulso.

Para divulgar o disco, mesmo com o dodói das duas garotas, havia uma entrevista no Jô Soares Onze e Meia na agenda. E lá foi toda a banda para aquele que possivelmente foi o bate-papo mais, digamos, inesquecível da história do Tchan na TV.

Jô Soares passou toda a entrevista zoando cruelmente Cumpadre Washington e Beto Jamaica. Acusou os dois de explorarem as duas garotas (já que tanto eles quanto o dançarino Jacaré não estavam com nenhuma contusão de palco) e, ao ouvir dos dois a justificativa de que como eles eram os cantores, não estavam sujeitos a acidentes no palco, respondeu: “Vocês então acreditam piamente que cantam, né?” (clique abaixo para conferir esse momento do papo).

https://www.youtube.com/watch?v=FHAPTMfdbn0&t=120

Jô pergunta quanto o disco já vendeu e escuta que É o Tchan do Brasil estava sendo ouvido em mais de dois milhões de lares. “Dois milhões e meio de cópias graças aos gogós de vocês, né? As meninas não contribuíram em nada!”, brincou. “Tô vendo aqui o Frank Sinatra, o Tony Bennett…” – Beto Jamaica entra no clima e responde que prefere ser Gilberto Gil (clique abaixo e vá logo nessa).

https://www.youtube.com/watch?v=FHAPTMfdbn0&t=180

Jô pergunta se a dupla de frente está bem de grana depois de vender alguns milhões de discos, já que desde o primeiro álbum É O Tchan vendia muito. Cumpadre Washington diz que tem seis filhos e que tem que dar de comer a todos. “E depois de cinco milhões de discos vendidos não dá para dar de comer ainda, não?”, pergunta Jô Soares. “Não, tem que trabalhar mais ainda”, responde o cantor, rindo. “Além de tudo eles são de um cinismo!”, completa o apresentador.

https://www.youtube.com/watch?v=FHAPTMfdbn0&t=300

Depois o papo sobre grana, discos vendidos e cachê cresce mais um pouquinho. Jô Soares brinca que a dupla obriga Carla e Scheila a fazer “trabalho escravo”. Beto Jamaica diz que O Tchan faz muito show beneficente. Carla Perez, digamos assim, diverte-se bastante com a pergunta “quanto tá custando esse show beneficente de vocês?” e o apresentador ouve que são “uns dez” shows desses por ano. “Bom, são 300 show por ano, uns dez beneficentes… Não dá pra recolher dinheiro nenhum assim”.

https://www.youtube.com/watch?v=FHAPTMfdbn0&t=350

Veja a foto abaixo. Carla Perez fez essa cara enquanto Jamaica e Washington explicavam a Jô Soares sobre a folha de pagamento do É O Tchan – cuja empresa Bicho da Cara Preta tinha uma série de funcionários. E também abrigava novos artistas (“esses só dão prejuízo”, completou Jô).

“O que vocês foram fazer no Festival de Montreux? Era festival de jazz, agora é qualquer coisa então”, espeta Jô Soares. Aparentemente Washington e Beto fingem que não escutam.

https://www.youtube.com/watch?v=FHAPTMfdbn0&t=465

Na plateia de Jô Soares naquela noite, estava o então presidente do Inmetro, que falou a respeito de uma matéria do jornal carioca O Dia sobre as “formas e as dimensões” de Carla Perez e Scheila Carvalho. O presidente disse que não poderia fazer a medição porque estava sem o aparelho que usava para isso. Jô pega uma fita métrica e decide fazer ele mesmo a medição da bunda e das coxas das garotas. Agora imagina isso hoje.

https://www.youtube.com/watch?v=FHAPTMfdbn0&t=490

Jô chama as meninas (visivelmente constrangidas) e pergunta se os líderes do grupo pagam direitinho as duas. “Se vocês largarem eles, eles tão fritos… Eles não têm salvação. Vocês têm que exigir o dobro e eles ainda vão ficar no lucro”, falou para elas.

https://www.youtube.com/watch?v=FHAPTMfdbn0&t=680

Na época, Scheila Carvalho e Carla Perez apresentavam um número com bambolê no palco, na música Bambolê. Mesmo contundidas, elas atendem a um pedido de Jô Soares e dão uma canja do número.

https://www.youtube.com/watch?v=FHAPTMfdbn0&t=800

Diga-se de passagem, três coisas só aconteceram por causa da entrada do bambolê no aparato de palco do É O Tchan: 1) a Glasslite lançou um bambolê da Carla Perez, o popular Bambotchan, que vendeu horrores e virou presente de Natal de muitas meninas; 2) o fato de Carla, num show, ter atirado um bambolê para a plateia – por causa disso, teria rolado uma agressão física de Cumpadre Washington, que deu em briga violenta dos dois colegas de grupo; 3) uma menina chamada Tatiana Rocha viu Carla Perez rebolando no bambolê, começou a treinar com o brinquedo e passou a fazer números em que usava até oito bambolês simultaneamente. A habilidade levou a garota, com apenas oito anos, a ser uma das atrações do Pequenos brilhantes, apresentado por Moacyr Franco no SBT (lembra disso?).

No final rola É O Tchan no palco do Jô Soares Onze e Meia cantando Bambolê, um dos hits deles da época. Boa viagem!

https://www.youtube.com/watch?v=FHAPTMfdbn0&t=1080

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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