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Cultura Pop

Captain Beefheart: surto coletivo em formato de clipe

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Captain Beefheart: surto coletivo em formato de clipe

No comecinho dos anos 1980, pouco antes de largar a música para virar pintor, Captain Beefheart tentou dar seu jeito de se infiltrar na onda dos clipes e da MTV, mas não rolou. Em setembro de 1982, o músico lançou, ao lado de sua Magic Band, o disco Ice cream for crow, editado por uma parceria dos selos Virgin e Epic. A sonoridade de Beefheart estava até bastante atualizada na época. Músicos como Jeff Moris Tepper (guitarra), Cliff R. Martinez (bateria) e o tecladista convidado Eric Drew Feldman (aquele mesmo que, nove anos depois, viraria tecladista de turnê dos Pixies) estavam conseguindo extrair partículas de pós-punk da receita consagrada de estranhices do capitão.

Um detalhe curioso a respeito de Ice cream for crow foi que, na concepção original de Beefheart, o disco poderia ter feito como Lick my decals off, baby, disco de 1970, e ter ganhado um comercial de TV. A ideia pro comercial era a mais louca possível: Captain dirigindo seu Volvo por uma estrada, quando de repente um pássaro, que está voando, chega perto do vidro. O capitão abaixa o vidro do carro e o pássaro diz a ele: “Não compre Ice cream for crow!”. Sabe-se lá se psicologia reversa funciona com comerciais de discos, mas era a ideia de Beefheart – que não foi adiante.

Bom, o capitão e seus colaboradores tiveram sua oportunidade de mostrar o quanto aquela insanidade toda ficava bem em vídeo quando resolveram fazer um clipe muito louco para a faixa-título do disco. O projeto dele pro clipe foi todo gravado numa fita K7, com Beefheart falando tudo que deveria acontecer na história, incluindo o chapéu de cowboy do guitarrista Gary Lucas voando até o baixista Richard “Midnight Hatsize” Snyder fazendo uma dancinha maluca, usando um corte de cabelo mais maluco ainda. Daniel Perle, que havia trabalhado em Texas chainsaw massacre, esteve na câmera. Um cara da CBS Creative Services, Ken Schreiber, dirigiu a maluquice junto com o cantor.

O vídeo de Ice cream for crow foi filmado por dois dias no deserto de Mojave, na Caifórnia, no finzinho de agosto de 1982, em meio a uma temperatura altíssima (coisa de 114 graus Fahreinheit). Apesar de ter custado só sete mil dólares e de ter sido dividido entre Virgin e CBS, diz a lenda que muita gente que esteve por trás da câmera trampou de graça. Algumas pinturas de Don Van Vliet (nome verdadeiro do capitão) surgem em certos momentos do clipe e são até mostradas pelos integrantes da banda.

Aliás, Beefheart detestava aparecer em fotos e chegou a comentar que achou todo o processo desgastante e desconfortável. Tempos depois, era flagrado dizendo que o clipe tinha sido um ponto baixo. “Eu estava esperando uma coisa tão selvagem e artística quanto a música e no final das contas tudo se parecia mais com uma performance careta”, disse.

1982 era o ano dos clipes sensuais e hiperproduzidos do Duran Duran, mas ainda assim a gravadora achou que valia a pena tentar emplacar o surto coletivo de Captain Beefheart e sua Magic Band na MTV. Bom, o canal vetou o vídeo e Ice cream for crow não apareceu por lá não. O clipe, no entanto, foi exibido no Museu de Arte Moderna de Nova York. E olha aí o Capitão num papo bastante descontraído com David Letterman, falando sobre o disco, sobre sua carreira, sobre o calorão na hora de gravar o clipe (“disseram que não seria tão quente e foi”) e sobre o fato do vídeo não ser exibido pelo canal. “É uma pena, o azar é todo deles”, diz Letterman. “Eu não quero minha MTV se eles não querem meu vídeo”, diz Beefheart. E na sequência (opa), Letterman também exibe o clipe.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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