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Cultura Pop

Zumpano: quando a Sub Pop foi fuçar a cena do Canadá

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Sabe o Zumpano? Vamos por partes. Lá por 1993, quando já era a gravadora mais importante do grunge, a Sub Pop decidiu ir ciscar em outro terreiro. Foi parar no Canadá, onde conheceu a cena de Halifax, cidade que era costumeiramente deixada de lado nas escalas de shows das grandes bandas – que preferiam ir para Montreal, quinze horas distante de lá. Conheceu uma cena voltada, acima de tudo, para punk e power pop.

Não por acaso, o Sloan, uma das mais duradouras banda canadense, é de lá. Eles, ao lado do Eric’s Trip, do Jale e do Idée du Nord, seriam contratados pela Sub Pop para gravar o EP-pau de sebo Never mind the molluscs, dando uma pequena geral no que havia de mais legal na produção da cidade. Você já até leu sobre isso no POP FANTASMA.

O Eric’s Trip iria para a lista de contratados da Sub Pop (e existe até hoje). O Sloan seria a banda mais popular: foi contratada pela mesma gravadora que mandou o Nirvana para as paradas (a Geffen Records), mas acabaria lançando boa parte de sua discografia por seu próprio selo, Murderecords.

Quem entrou para a SubPop naquela época foi também o Zumpano, que consistia no vocalista / guitarrista Carl Newman, no tecladista Michael Ledwidge, no baixista Stefan Niemann e no baterista Jason Zumpano. O grupo não era de Halifax – vinha de Vancouver, e surgira da separação de algumas bandas. O batera e o tecladista Ledwidge tinham um grupo chamado Glee, que se dissolvera. Newman vinha de uma banda chamada Superconductor e tinha influências que incluíam nomes como Burt Bacharach.

Ao contrário da deprê do grunge, o Zumpano vinha com uma proposta punk pop, romântica, com letras que muitas vezes traziam “o cantor duvidando da sua própria sinceridade” (era o que o grupo esclarecia num número do CMJ New Music Monthly, em abril de 1995). Ledwidge dizia que “toda mulher em Vancouver é bonita e nossa música celebra este fato”. Era outro clima.

O grupo acabou contratado da Sub Pop na mesma leva do Eric’s Trip, quando o selo decidiu ir além do grunge. A banda mal pôde acreditar que estava no selo (admitiram anos depois que ficaram “chocados”), e estrearam lá com um disco que já estava gravado havia dois anos, Look what the rookie did (1995). O segundo disco, Goin’ through changes (1996), foi gravado em Chicago. Newman chegou a declarar que a banda se desgastava na época da gravação e que ele tinha a sensação de fim de relacionamento quando voltava de avião para Canadá.

O Zumpano recebeu muitas resenhas elogiosas e muita gente chegou a ver no grupo uma espécie de salvação do rock – na Showbizz, aqui no Brasil, Álvaro Pereira Jr dedicou algumas linhas (alguns caracteres, enfim) à banda. Mas não durou muito tempo, de verdade. A banda não chegou a anunciar seu fim formalmente, mas logo logo os integrantes seriam vistos em outros trabalhos. Newman montaria o New Pornographers, por exemplo.

O baterista Zumpano, apesar de nem se destacar tanto assim na banda que levava seu nome, aproveitou para aprender a tocar piano depois do fim do grupo. Se deu tão bem que foi convocado pelo Destroyer, conhecida banda indie de Vancouver. Montou uma banda instrumental chamada Sparrow, aprendeu a cantar e decidiu virar vocalista. Também fez coisas solo.

E pega aí o primeiro clipe do Zumpano: The party rages on.

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Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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