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Ouvimos: Nation Of Language – “Dance called memory”

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Em Dance called memory, o Nation Of Language mistura synthpop e eletrorock melancólico, entre Ultravox, New Order e MGMT, mas com voz própria.

RESENHA: Em Dance called memory, o Nation Of Language mistura synthpop e eletrorock melancólico, entre Ultravox, New Order e MGMT, mas com voz própria.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Sub Pop
Lançamento: 19 de setembro de 2025

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O Nation Of Language do disco anterior, Strange disciple (resenhado pela gente aqui) era uma boa banda de synthpop esparso, com silêncios entre beats, vocais e teclados – com toda uma ambiência quase servindo como um outro instrumento em meio aos sons. O quarto disco do trio novaiorquino, Dance called memory, leva essa receita para um clima de eletrorock triste e sonhador, bastante referenciado em Ultravox (em ambas as fases do grupo, a inicial, mais roqueira, e a segunda, mais tecnopop-eletrorock), Velvet Underground, Stereolab, Human League dos primeiros tempos, Orchestral Manoeuvres In The Dark (este, acima de tudo), Yeah Yeah Yeahs e até mesmo o New Order mais humanizado do álbum Technique (1989).

  • Ouvimos: Saint Etienne – International
  • Ouvimos: Ivy – Traces of you

Tanto que Dance abre com Can’t face another one, um som que abre quase em clima de faroeste, com teclado, algo que lembra uma gaita e um som que remete mais ao dream pop – mania de várias bandas e vários artistas novos, no rock e na música pop – e ao lado sombrio do pos-punk. In another life, na sequência, investe numa vibe mágica associável a New Order, Joy Division e Kraftwerk. Silhouette tem um belo diálogo entre guitarra e baixo, e vai crescendo no ouvido. Enfim: o que já soou como um cozidão de referências oitentistas começa a ganhar uma cara própria, que chega mais perto das zonas cinzentas da música, da conversa entre eletrônico e analógico, e dos sons tecnológicos quando eles ainda eram uma novidade pós-punk.

Em Dance called memory, Ian Richard Devaney (vocal principal, guitarra, sintetizador, percussão), Aidan Noell (sintetizador, backing vocals) e Alex MacKay (baixo), os três do Nation, arriscam unir raggamuffin e doideira a la Devo – em Now that you’re gone. Também fazem pop romântico vaporoso e oitentista na linha do hit cinematográfico Take my breath away (Berlin), mas com a cara do MGMT – em Can you reach me?. E dão uma guaribada toda própria em climas que vão de Ultravox a Erasure, em faixas como Under the water e o single Inept Apollo.

O final de Dance called memory é triste e celestial, sombrio e noturno, com o quase folk Nights of weight, levado à frente por guitarra sem pedal e vocais. Pode ouvir e curtir sem sustos.

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Ouvimos: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

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Resenha: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

RESENHA: Starly Kind mistura lo-fi, screamo, pós-punk e psicodelia em Inferno (xe/xem), EP sombrio sobre angústia queer e demônios internos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: CorpoRAT Records
Lançamento: 8 de maio de 2026

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Musicista agênero do Oregon, Estados Unidos, que se radicou em São Paulo, Starly Lou Riggs criou a Starly Kind como veículo para uma música lo-fi e fantasmagórica. Um som que volta e meia ganha ares math rock, ou que se aproxima de um art rock em clima de pesadelo. Inferno (xe/xem) é um EP sobre demônios xamânicos, angústia existencial queer, dores acumuladas durante uma vida inteira – e sobre como é chamar o inferno de casa.

Starly kind, a faixa de abertura, é lo-fizaça, com glitches, clima dreamy e vocais torturados e gritados. Held me with soma a isso um clima mais ambient, em que vibrações screamo unem-se ao experimentalismo da música. Superanatural clutches fica entre a psicodelia e a no wave, com direito a uma guitarra próxima do som do Black Sabbath. Uma curiosidade e uma mudança de rumo vêm com Bloodlust rising, algo entre Beach Boys, Residents e Devo – seguida justamente pela onda reggae + dub + fantasmagoria de And the devil watched me dance in.

  • Ouvimos: Delmore – Tão logo cada poste se ilumina

Demon dreams, que encerra o disco, é pós-punk mais do que tudo, e é a música mais bonita do EP – aliás lida com uma noção mais tranquila de “beleza” na melodia, ainda que também invista na vibe sombria das outras faixas. Um disco bem instigante, em todos os momentos.

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Ouvimos: Duo Violeta – “Mar pequeno”

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Resenha: Duo Violeta – “Mar pequeno”

RESENHA: Duo Violeta mistura violão, escaleta e folk nordestino em Mar pequeno, disco contemplativo, viajante e cheio de imagens sonoras.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: The Citadel House
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Se você for com muita sede ao pote no disco do Duo Violeta e chegar meio desavisado, pode acabar adorando o encontro do violão com a sanfona. Depois vai dar risada quando descobrir que André Sant’Anna e Rafael Campanaro, são na real, e respectivamente, o encontro da escaleta – teclado de sopro popularizadíssimo pelo reggae e pelo dub – com o violão. Mais que isso, as gravações tiveram vários testes de estúdio, que envolveram posicionamentos dos músicos, microfones diferentes e muitas experimentações sonoras.

Mar pequeno tá bem longe de ser um disco experimental, mas passa perto. É um disco brasileiríssimo e quase sempre nordestino, que parece seguir o curso de um rio e contar uma história – já que as músicas parecem encadeadas e evocam imagens que soam do mesmo modo. Será marés, Na rede e O boto, no começo, são folk nordestino – sendo que a última insere clima sombrio e efeitos de tremolo na escaleta. Para a ilha é forró + jazz, mas tem algo de indie rock na sonoridade, até algo de Beatles no meio da melodia. Inverno no mar é balada, blues e folk, com final contemplativo e várias partes diferentes.

Esse clima de viagem sonora, que insere segmentos diferentes em canções curtas, chega no ápice na última faixa do álbum, Emergiu. Até lá, André e Rafael proporcionam surpresas como a melodia de À deriva, que chega a lembrar um soul no final. Ou a recriação da folclórica Peixe vivo, cujas linhas melódicas só se tornam claras lá pelas tantas. Ou o clima folk brasileiro de Náufrago. Um disco muito bonito.

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Ouvimos: Soma Please – “Ballet” (EP)

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Resenha: Soma Please – “Ballet” (EP)

RESENHA: Soma Please mistura synth pop, pós-punk e dream pop em Ballet, um EP que cruza Queen, U2, LCD Soundsystem e até samba indie.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Skud & Smarty
Lançamento: 14 de maio de 2026

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O Soma Please é um duo luso-britânico, formado pelos músicos Nuno Bracourt e Rob Williamson. Não chega a ser um som muito inovador, mas tem detalhes que conquistam de cara, já que Ballet, o EP, soa às vezes como um encontro entre estilos e épocas. Tipo o que rola com I’m a fan, entre o synth pop e uma onda que lembra o Queen, ou Love, um dream pop com peso. Pockets on my sleeves é pós-punk com alma oitentista, e algo de Radiohead e LCD Soundsystem misturado.

As duas últimas faixas do EP são as mais diferentonas do disco: Alone é um curioso pop meio samba, meio bossa, com cara indie e solar. What’s the score é mais ruidosa, abre com clima sombrio fake, e depois chega a lembrar um blues rock eletrônico. Ballet é um pequeno apanhado do som deles, e uma demonstração de sonoridades que estão no arquivo deles.

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