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Crítica

Ouvimos: Waterboarding School – “Steer clear” (EP)

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EP Steer clear, do Waterboarding School, mistura pop sessentista, psicodelia e sujeira punk para falar de ansiedades estranhas do dia a dia.

RESENHA: EP Steer clear, do Waterboarding School, mistura pop sessentista, psicodelia e sujeira punk para falar de ansiedades estranhas do dia a dia.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: BlackValley Records
Lançamento: 6 de março de 2026

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O Waterboarding School, essa banda sueca de nome sarcástico (“escola do afogamento simulado” – sendo que afogamento simulado é uma espécie de tortura)  já teve seu terceiro álbum, The little sports mirror, comentado aqui. O EP Steer clear é uma continuação do disco anterior em clima meio sessentista e, às vezes, quase psicodélico. Recordações de bandas como XTC permeiam o “lado A”, com as faixas Funcionalty e Living a lie.

  • Ouvimos: O Grande Ogro – O Grande Ogro (EP)

Na segunda metade de Steer clear, Nonsense chega a lembrar o Pink Floyd do começo, mas ganha clima quase beatle depois, enquanto Complaints tem uma cara de pop sofisticado sessentista, com partes diferentes, mas tudo acrescido de alguma sujeira punk. Nas letras, por sua vez, o Waterboarding School fala de um dia-a-dia bem estranho em que pessoas preferem fazer tudo para mudar, menos fazer terapia, e em que todo mundo é assaltado por problemas bem estranhos no meio da noite. Se identificou?

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Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

Crítica

Ouvimos: Liquid Mike – “Hell is an airport”

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Hell is an airport, do Liquid Mike, mistura emo, power pop e punk-pop em faixas curtas e urgentes — boas ideias que às vezes acabam rápido demais.

RESENHA: Hell is an airport, do Liquid Mike, mistura emo, power pop e punk-pop em faixas curtas e urgentes — boas ideias que às vezes acabam rápido demais.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7
Gravadora: AWAL
Lançamento: 12 de setembro de 2025

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Hell is an airport, sexto álbum do Liquid Mike, é um disco curto – as duas primeiras nem têm dois minutos e surgem emendadas, caindo logo na terceira faixa. Essa noção de continuidade marca o comecinho do álbum, que surge repleto de hinos emo, canções próximas do power pop, e alguns temas mais sombrios – como AT&T, que tem uma onda hip hop (rola até um scratch) e lembra um Red Hot Chili Peppers depressivo. Selling swords tem a mesma pegada emo, mas é uma balada folk com violões e percussões.

  • Ouvimos: Charm School – Schadenfreude ploy (EP)

Esse clima punk-pop, de guitarras pesadas, letras emocionadas e clima acessível, é o melhor de Hell is an airport, passando também pelas emanações de Weezer e Teenage Fanclub de Meteor hammer, pela mordacidade de Groucho Marx (de versos como “você realmente não quer saber o que pergunta no espelho / você vai se encolher e morrer? / ok, eu também” e “nunca acaba bem / mas ninguém prometeu que acabaria”) e pelas heranças de bandas como Goo Goo Dolls e Soul Asylum em músicas como Claws e Double dutch.

Problema: o Liquid Mike funciona quase sempre na base do “vai ser bom, não foi?”, com músicas que acabam rápido demais – Grand am, power pop bacana, acaba sendo interrompida (cortada!) bem rapidamente. Essa urgência excessiva tira um pouco a graça da audição e dá um certo ar de mixtape a Hell is an airport, como se o espírito dos EPs que a banda lançou ainda estivesse um pouco lá. De certa forma está.

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Ouvimos: Raging Lines – “Smile blank”

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Smile blank, estreia do norueguês Raging Lines, mistura new wave, pós-punk e synthrock em clima sombrio que lembra New Order, Smiths e Duran Duran.

RESENHA: Smile blank, estreia do norueguês Raging Lines, mistura new wave, pós-punk e synthrock em clima sombrio que lembra New Order, Smiths e Duran Duran.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 19 de fevereiro de 2026

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Sondre Thomassen Thorvik é um jovem músico norueguês (nasceu em 2002) que já teve sua voz comparada a de ninguém menos que Michael Gira, criador dos Swans. O Raging Lines é um projeto individual que ele criou para dar vazão à sua preferência por estilos como new wave e dark rock, e para ter todo o controle musical, já que ele compõe, canta e toca guitarra, baixo e bateria.

Smile blank, o disco de estreia, já espalha brasa para o lado do New Order em Walk with me, bastante associável a discos do grupo como Republic, de 1993 – muito embora a voz de Sondre seja bem grave. Seu vocal ganha mais força (e agudos dosados) no synthrock caseiro de Yamaha 237, que tem lembranças de The Killers e Duran Duran. E soa como algo das profundezas na dance music leve de Don’t bring me down, e em You stay away, que faz lembrar algo entre Smiths e Talk Talk.

  • Ouvimos: Feira Popular – Feira Popular (EP)

Musicalmente, Smile blank tem também coisas mais próximas do indie rock anos 2000, como a suingada Let me know. Já Heartbreak all over again e Things to make it true unem power pop e rock sessentista com muitas bandas dos anos 1970/1980 fizeram (Pretenders, The Cars etc), enquanto a faixa-título explora a vibe melódica do pós-punk gótico, com vocais que curiosamente lembram uma mescla de Morrissey e Jim Morrison, se é que é possível. O mesmo clima rola em Too dramatic, too paralyzed, pós-punk que encerra o disco lembrando até mais a carreira solo do ex-cantor dos Smiths.

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Crítica

Ouvimos: Tom Leonard – “What has been and what will be”

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What has been and what will be: Tom Leonard mistura ecos de U2 com dream pop, shoegaze e pós-punk, num som contemplativo e melancólico.

RESENHA: What has been and what will be: Tom Leonard mistura ecos de U2 com dream pop, shoegaze e pós-punk, num som contemplativo e melancólico.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Shore Dive Records
Lançamento: 6 de fevereiro de 2026

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Outro dia, num papo de zap, um amigo disse que não vê tanta influência do U2 no rock posterior a eles – e de fato, vale dizer que quem tentar imitar o pós-punk com clima gospel do grupo irlandês corre um risco enorme de soar brega. Vindo de Manchester, o músico Tom Leonard equilibra em seu álbum What has been and what will be algumas referências do U2 lado a lado com um clima mais dolorido e contemplativo.

As tais referências apontam para os ritmos maquínicos dos álbuns pós anos 1990 do grupo, a onda meio ambient de discos como The unforgettable fire (1983) e algumas guitarras que fazem lembrar The Edge. Às vezes o clima musical do guitarrista vaza para os teclados do álbum, ou a tristeza de discos como Zooropa (1993) invade algumas canções.

Isso tudo aí rola no folk tristonho In the wind, no ambient The fathoms deep pool of love, na hipnose dream pop de Out tonight (que tem algo também de The Church, New Order e dos Smashing Pumpkins de Machina / The machines of God, disco de 2000) e na onda bem pós-punk de Stay gone – que também une sonoridades associadas a Echo and The Bunnymen e ao Morrissey solo dos primeiros tempos.

Tom às vezes transforma seu som numa onda sonora entre o jangle pop e o shoegaze, como na magia sonora de Clarity e da faixa-título, ou na onda quase darkwave de Hidden me hidden you e In circles. Agora, as tais lembranças do U2 são dosadas: Tom faz um som bastante contemplativo e ruidoso, que está bem mais na linhagem de grupos como Jesus and Mary Chain e Slowdive, e que envolve o/a ouvinte com um vocal rascante e mal educado, às vezes lembrando os irmãos Reid (do Jesus) ou até Johnny Cash – ou Luis Capucho.

Duas ótimas surpresas do disco estão na reverberação eletrônica e ruidosa, parecendo um drone melodioso, da faixa de encerramento, Face away – e também na vibe luminosa de The light show, que abre lembrando uma onda sonora e meditativa, e ganha um beat só aos dois minutos, depois de envolver bastante quem ouve a faixa.

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