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Crítica

Ouvimos: Letícia Fialho – “Revoada baile canção”

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Letícia Fialho mistura MPB, pop e rock em Revoada baile canção, álbum que recria com frescor o espírito musical dos anos 1980.

RESENHA: Letícia Fialho mistura MPB, pop e rock em Revoada baile canção, álbum que recria com frescor o espírito musical dos anos 1980.

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O nome “baile canção” surge como uma quase definição do som feito pela brasiliense Letícia Fialho – é MPB, é música pop, é até rock, mas é música para dançar. Seja lá como for, em seu segundo álbum Letícia entrega o tributo definitivo à musicalidade brasileira do começo dos anos 1980: Revoada baile canção mistura com maestria estilhaços de Gal Costa (em especial), pop adulto oitentista (de Tunai e Marcos Sabino a Kiko Zambianchi e Marina Lima), lembranças de arranjos de Lincoln Olivetti e muito do pré-rock nacional da época.

Músicas como Revoada (com participação do Tuyo) e Eu e o tempo chegam a lembrar Flavio Venturini e 14 Bis, assim como o blues-valsa A girar soa como Gal Costa e Clube da Esquina, só que sob outras texturas e climas. Pedaço é puro pop brasileiro dos anos 1980, mas sob ótica nordestina e estileira entre o forró e o reggae – tudo misturado com muita ousadia, já que se trata de uma faixa aberta com uma introdução instrumental de um minuto, o tipo de coisa que qualquer rádio adora NÃO tocar.

  • Ouvimos: Josyara – Avia
  • Ouvimos: Brenda Cruz – Pagando pra ver (EP)

Em Revoada baile canção, Letícia mistura tino pop, espiritualidade – que surge na vinheta de abertura, Flecha (Para abrir e bendizer) – e uma mescla de dança e introspecção. As letras soam como um abre-caminho para quem ouve, em faixas como Revoada, Presente (uma das faixas mais associáveis a Djavan e Milton Nascimento) e Chegada. Um tom jazz-pop toma conta de Sol, chão, luz, estrela (com Ellen Oléria e Luiza Brina).

Já o final, com Tudo de bom, lembra Pepeu Gomes, além do Gilberto Gil de Palco, e até do groove de Pode acreditar, do Grupo Natureza: é soul, pop, jazz, ótimas vibrações e um coral que vai aumentando de intensidade até o fim da canção – com direito a uma ficha técnica narrada. Ouça para melhorar seu dia.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Independente.
Lançamento: 25 de julho de 2025

 

Crítica

Ouvimos: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

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Resenha: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

RESENHA: Starly Kind mistura lo-fi, screamo, pós-punk e psicodelia em Inferno (xe/xem), EP sombrio sobre angústia queer e demônios internos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: CorpoRAT Records
Lançamento: 8 de maio de 2026

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Musicista agênero do Oregon, Estados Unidos, que se radicou em São Paulo, Starly Lou Riggs criou a Starly Kind como veículo para uma música lo-fi e fantasmagórica. Um som que volta e meia ganha ares math rock, ou que se aproxima de um art rock em clima de pesadelo. Inferno (xe/xem) é um EP sobre demônios xamânicos, angústia existencial queer, dores acumuladas durante uma vida inteira – e sobre como é chamar o inferno de casa.

Starly kind, a faixa de abertura, é lo-fizaça, com glitches, clima dreamy e vocais torturados e gritados. Held me with soma a isso um clima mais ambient, em que vibrações screamo unem-se ao experimentalismo da música. Superanatural clutches fica entre a psicodelia e a no wave, com direito a uma guitarra próxima do som do Black Sabbath. Uma curiosidade e uma mudança de rumo vêm com Bloodlust rising, algo entre Beach Boys, Residents e Devo – seguida justamente pela onda reggae + dub + fantasmagoria de And the devil watched me dance in.

  • Ouvimos: Delmore – Tão logo cada poste se ilumina

Demon dreams, que encerra o disco, é pós-punk mais do que tudo, e é a música mais bonita do EP – aliás lida com uma noção mais tranquila de “beleza” na melodia, ainda que também invista na vibe sombria das outras faixas. Um disco bem instigante, em todos os momentos.

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Ouvimos: Duo Violeta – “Mar pequeno”

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Resenha: Duo Violeta – “Mar pequeno”

RESENHA: Duo Violeta mistura violão, escaleta e folk nordestino em Mar pequeno, disco contemplativo, viajante e cheio de imagens sonoras.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: The Citadel House
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Se você for com muita sede ao pote no disco do Duo Violeta e chegar meio desavisado, pode acabar adorando o encontro do violão com a sanfona. Depois vai dar risada quando descobrir que André Sant’Anna e Rafael Campanaro, são na real, e respectivamente, o encontro da escaleta – teclado de sopro popularizadíssimo pelo reggae e pelo dub – com o violão. Mais que isso, as gravações tiveram vários testes de estúdio, que envolveram posicionamentos dos músicos, microfones diferentes e muitas experimentações sonoras.

Mar pequeno tá bem longe de ser um disco experimental, mas passa perto. É um disco brasileiríssimo e quase sempre nordestino, que parece seguir o curso de um rio e contar uma história – já que as músicas parecem encadeadas e evocam imagens que soam do mesmo modo. Será marés, Na rede e O boto, no começo, são folk nordestino – sendo que a última insere clima sombrio e efeitos de tremolo na escaleta. Para a ilha é forró + jazz, mas tem algo de indie rock na sonoridade, até algo de Beatles no meio da melodia. Inverno no mar é balada, blues e folk, com final contemplativo e várias partes diferentes.

Esse clima de viagem sonora, que insere segmentos diferentes em canções curtas, chega no ápice na última faixa do álbum, Emergiu. Até lá, André e Rafael proporcionam surpresas como a melodia de À deriva, que chega a lembrar um soul no final. Ou a recriação da folclórica Peixe vivo, cujas linhas melódicas só se tornam claras lá pelas tantas. Ou o clima folk brasileiro de Náufrago. Um disco muito bonito.

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Crítica

Ouvimos: Soma Please – “Ballet” (EP)

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Resenha: Soma Please – “Ballet” (EP)

RESENHA: Soma Please mistura synth pop, pós-punk e dream pop em Ballet, um EP que cruza Queen, U2, LCD Soundsystem e até samba indie.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Skud & Smarty
Lançamento: 14 de maio de 2026

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O Soma Please é um duo luso-britânico, formado pelos músicos Nuno Bracourt e Rob Williamson. Não chega a ser um som muito inovador, mas tem detalhes que conquistam de cara, já que Ballet, o EP, soa às vezes como um encontro entre estilos e épocas. Tipo o que rola com I’m a fan, entre o synth pop e uma onda que lembra o Queen, ou Love, um dream pop com peso. Pockets on my sleeves é pós-punk com alma oitentista, e algo de Radiohead e LCD Soundsystem misturado.

As duas últimas faixas do EP são as mais diferentonas do disco: Alone é um curioso pop meio samba, meio bossa, com cara indie e solar. What’s the score é mais ruidosa, abre com clima sombrio fake, e depois chega a lembrar um blues rock eletrônico. Ballet é um pequeno apanhado do som deles, e uma demonstração de sonoridades que estão no arquivo deles.

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