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Novas de Lambrini Girls, Bleachers e Edgar (que lança disco amanhã)

“A velha história de vender a alma ao diabo é um conto lendário da alta sociedade há anos. No entanto, devido a eventos recentes, descobrimos que a elite é, na verdade, a própria encarnação do diabo, comedores de bebês e pedófilos. Que surpresa! Eles não tinham almas para vender”, dizem Phoebe Lunny, vocalista e guitarrista, e Lilly Macieira, baixista, integrantes do duo britânico Lambrini Girls. No último dia de março elas lançaram, Cult of personality, primeiro single desde o álbum Who let the dogs out (resenhado pela gente aqui). E agora a faixa, uma obra prima punk com riff grudento e melodia distorcida, ganha um curioso clipe feito por Harv Frost.
O vídeo é tão, digamos, endiabrado quanto a faixa, mas mistura sangue e deboche para falar de um assunto bem grave: os abusos e assédios no universo do show business. “Por favor, ignore as jovens que desaparecem com Harvey / em seus famosos jantares / Hollywood Boulevard, jatos jumbo, clubes secretos / elas podem ser tão jovens quanto você quiser, só não sejam pegas”, diz a letra, citando o ex-produtor de cinema Harvey Weinstein, acusado de crimes sexuais por várias atrizes e preso após condenação por estupro.
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Aos poucos vai todo mundo conhecendo Everyone for ten minutes, o quinto disco dos Bleachers, projeto musical liderado pelo produtor Jack Antonoff, previsto pelo selo Dirty Hit para o dia 22 de maio. You and forever e Dirty wedding dress já haviam chegado a público, e Van, outro single, é o mais recente. O som da nova música é bem curioso: é um pop de rádio AM setentista, mas com beat moderno e linhas vocais que lembram um folk sentido, com versos bem maiores do que o espaço proporcionado pela melodia – um lance meio Bob Dylan ou quem sabe até, um lance meio Belchior (sério!).
A letra cita o Blue Magic, quinteto de soul da Filadélfia que teve hits como Chasing rainbows e Look me up (e que contou com uma ajudinha dos Rolling Stones, que os convidaram em 1974 para os backing vocals da faixa If you really want to be my friend). E essa onda soul toma conta também dos singles anteriores. Vamos ver o que tá vindo aí…
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Amanhã tem lançamento novo de pop nacional: é Rewind, disco novo de Edgar – um álbum que ele define como “retorno à escuta, às raízes e à periferia. Enquanto a performance continua nas margens das artes, disputando espaço com o centro, a periferia é bem representada pelo sound system e pelos paredões, tomando a cena e a tendência internacional. Pensar Rewind nunca foi estética, e sim necessidade”, afirma. O álbum sai pela Deck.
Enquanto Rewind não sai, vale dizer que Zum zum zum, single que adianta o disco, já pode ser ouvido – uma faixa inspirada pelo dub e pela palavra falada, mais até do que pelo rap formal. Detalhe é que se trata de uma faixa que está totalmente inserida na onda do “rewind” proposta pelo disco: ela já havia sido disponibilizada originalmente em 2013 no YouTube, com o título de Meus velhos dedos amarelos, e retorna em outra onda, mas com uma letra que Edgar considera totalmente atual. O flow lembra o de Marcelo D2 no hit solo Eu tiro é onda.
“Essa música é um marco na minha carreira. Mesmo hiper underground, é meu primeiro hit na cena de São Paulo”, conta. “Essa faixa aponta essa possibilidade infinita de revisitar o trabalho e perceber que, em uma frase de letra antiga, mora um longa-metragem ou um livro a ser destrinchado. Pra mim, é o legado da obra”.
Texto: Ricardo Schott – Foto Lambrini Girls: Divulgação
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Jack White lança single duplo de surpresa – e toca as duas novas na TV

Na sua sexta ida ao programa de TV Saturday Night Live, no último sábado – dessa vez com Jack Black apresentando, o que já rende umas brincadeiras com os sobrenomes – Jack White aproveitou o palco pra mostrar duas músicas novas: G.O.D. and the broken ribs e Derecho demonico. Foi um dia depois das duas faixas chegarem às lojas e às plataformas, de surpresa.
As faixas saem pela Third Man Records e também ganharam aquele tratamento físico que White adora: compacto de 7” em edição limitada (tem versão colorida e preta rolando no site e nas lojas da gravadora). O vinil tradicional (preto de polegadas) começa a aparecer nas lojas independentes nesta semana. O som das duas músicas é o rock “clássico”, referenciado em blues e com clima indie que Jack costuma fazer, entre guitarradas e silêncios.
Veterano de SNL (já tinha passado por lá com sua ex-banda White Stripes e várias vezes solo), White também marcou presença nos especiais de 40 e 50 anos do programa — neste último, mandou Seven nation army, hit dos WS e ainda deu uma passada por Rockin’ in the free world, do Neil Young.
As duas músicas novas foram produzidas por ele com a banda de estrada — Patrick Keeler (bateria), Dominic Davis (baixo) e Bobby Emmet (teclados) — e chegam depois do disco No name, lançado no ano passado, e resenhado pela gente aqui. O álbum, aliás, rendeu indicação ao Grammy, e ganhou também uma versão ao vivo (o EP No name live). Tanto No name quanto No name live chegaram de sopetão para os fãs (o primeiro era só o disco brinde da loja da Third Man Records, sem nome e sem indicação de faixas, depois foi lançado para mais gente).
Já as versões de estúdio, do single, você ouve aqui.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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Emily Haines, do Metric, manda recado dançante para as garotas fortes em “Crush forever”

Ficou linda a música nova do Metric, Crush forever. E parece que Romanticize the dive, décimo disco do grupo, anunciado para 24 de abril pela Thirty Tigers, vai mandar bem – pelo menos a julgar pelos singles que já saíram. O Metric decidiu voltar ao passado e lembrar Nova York no auge da explosão do indie-rock, quando os integrantes da banda australiana se conheceram. A banda gravou o novo disco no estúdio Electric Lady, teve como produtor o mesmo Gavin Brown que cuidou dos discos Fantasies (2009) e Synthetica (2012) e suou pra trazer todo o calor daquela cena dos anos 2000 para os dias de hoje.
Ou seja: a época em que até a eletrônica era “humana” é o que vigora em Romanticize the dive, disco que já teve sua capa e sua lista de músicas revelada (veja lá embaixo). E Crush forever, uma indie-dance altamente sintetizada e bela, é o que a vocalista Emily Haines chama de “minha carta de amor às garotas fortes deste mundo”. A letra foi escrita em um fluxo de consciência, e tem frases como: “tenha o melhor, não se deixe enganar / não tenha medo da dor, você vai se recuperar / muito mais forte, mais doce do que antes / somos assim, vai lá, arrase, conquiste o que é seu”.
O Metric é formado há mais de duas décadas pela mesma turma: Emily Haines (vocais, teclas), Jimmy Shaw (produtor, guitarra, teclas), Joshua Winstead (baixo, teclas) e Joules Scott Key (bateria). E continua sendo um exemplo de musicalidade e independência, tocando o próprio selo e observando de perto todos os detalhes de sua carreira. E o disco que vem aí tem cara de manifesto, já que Time is a bomb, um dos singles novos, fala sobre curtir o presente, e Victim of luck, outro single, fala sobre as tensões do começo da banda. Tem todo jeito de uma linha do tempo sonora, pois.
E aí segue a lista de músicas e a capa de Romanticize the dive. E o som de Crush forever.
Victim of luck
Wild rut
Time is a bomb
Crush forever
Tremolo
Moral compass
As if you’re here
Loyal
Antigravity
Clouds to break
Leave you on a high
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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“Todos os olhos”: SescTV exibe doc que faz todo mundo entrar na mente de Tom Zé

Antes de virar esse inventor que a gente conhece, Tom Zé era basicamente um garoto curioso de Irará, na Bahia, que ouvia as conversas dos adultos e tentava decifrar o mundo. Meio que tudo que ele fez depois vem daí – e é isso que o doc Todos os olhos, dirigido por Jorge Brennand Junior, tenta capturar. O filme estreia dia 10 de abril, às 22h, no SescTV e na plataforma Sesc Digital (assista aqui).
Com 1h45, o doc junta falas do próprio Tom Zé com gente que cruzou o caminho dele em várias fases. Luiz Tatit lembra que, enquanto Caetano Veloso e Gilberto Gil foram mais pro lado do pop que tocaria no rádio, Tom Zé seguiu pirando nos experimentos – e é isso que mantém a obra dele viva até hoje.
A lista de depoimentos é boa: Mallu Magalhães fala da conexão com o presente, Fernanda Takai destaca o fator surpresa do som dele, Ná Ozzetti puxa o lado técnico e José Miguel Wisnik fala que as ideias de Tom Zé se expandem como “comprimidos de música”, pela elaboração constante.
O jornalista Leonardo Lichote o define como um “cientista do sertão”, misturando tudo: publicidade, jornalismo, cultura pop e raiz. E o filme também abre o lado pessoal, com a parceira Neusa Martins, o filho e os netos. No geral, um convite de Tom Zé pra você entrar na mente dele.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Rodrigo Palazzo / Divulgação








































