Cultura Pop
Ué, Ghost In The Machine, do Police, fez 40 anos e nem falamos nada?

Não estava sendo fácil ser o Police no comecinho do anos 1980. O trabalho rendia, mas as pressões eram enormes: a banda precisou entregar o disco Zenyatta mondatta (1980) no prazo apertadíssimo de um mês e entrou numa turnê exaustiva. De qualquer jeito, resolveram falar mais alto com a gravadora A&M na hora de fazer o quarto disco, o excelente Ghost in the machine, lançado no dia 2 de outubro de 1981. O álbum seria feito no tempo que Sting (voz, baixo), Andy Summer (guitarra) e Stewart Copeland (bateria) quisessem (foi realizado ao longo de 1981), a configuração de gravações e produção mudaria, entre outras novidades.
Para começar, Ghost in the machine surgiu de jams e experimentações musicais, que precisaram ser editadas e transformadas em canções, para caber no espaço de um LP. Músicas como Demolition man, de quase seis minutos (com letra falando sobre “a besta, ele não pode se conter, ele tem que destruir”, segundo Sting), deixavam clara a decisão da banda de fazer uma espécie de (vá lá) Sgt. Pepper’s próprio, com vocais multitrack, e uso de metais e teclados. Que por sinal não foram unanimidade na banda. “Odiei tudo isso”, confessou Andy Summers.
Ghost in the machine, por sinal, faz parte do timaço de discos iniciados com um trio demolidor de futuros hits. No caso Spirits in the material world, Every little things she does is magic e Invisible sun.
Quem ouviu Ghost in the machine com atenção e comparou com outros discos do grupo não deixou de prestar atenção numa coisa: vai entender, o Police, considerada uma das bandas mais bem sucedidas da new wave, voltou com uma cara (er) mais “progressiva” no disco novo.
O Police gravou várias coisas em estúdios portáteis antes de se reencontrar, trocou Nigel Gray pelo produtor de Peter Gabriel, Hugh Padgham e isolou-se no estúdio AIR, em Montserrat. A banda tocou praticamente ao vivo, só que em salas separadas: Andy na sala principal, Sting plugado na mesa de controle e Copeland aproveitando o eco da sala de jantar. Todo o grupo tocou vários sintetizadores (engenhocas como minimoog e Oberheim). E pela primeira vez, o trio dispensou uma foto na capa. O layout trouxe só representações gráficas do trio, em LED, como se eles mesmos fossem os tais fantasmas da máquina do título.
Mais: o disco novo trouxe nas letras aqueles comentários sociais-filosóficos-futuristas típicos de bandas como o Rush – que por sinal, se deixou influenciar pelo Police no disco Moving pictures, lançado alguns meses antes de Ghost. “O título do disco foi tirado de um livro de Arthur Koestler sobre psicologia comparada, em que ele afirma que o homem está se tornando uma máquina, e digo que não deveríamos ser como máquinas. Somos muito mais complexos, mais criativos, mais destrutivos”, disse Sting no livro A visual documentary, de Barry Miles. Diante de tantas mudanças, nem soou estranha a declaração de Summers, de que durante vários anos tinha achado a voz de Sting parecida com a de Jon Anderson, cantor do Yes.
No álbum, algumas letras ganhavam temas pesados, como a violência na Irlanda do Norte (Invisible sun) e skinheads assassinos (Rehumanize yourself, cuja melodia inspirou umas 200 bandas nacionais dos anos 1980), além da vocação do homem por destruir o que está ao seu redor (Demolition man).
A tal separação dos músicos em salas diferentes resolvia um problema milenar do The Police. A convivência dentro da banda nunca foi uma marav… não, pensando bem, sempre foi muito ruim. Aturar o ego de Sting não era para qualquer um, e foi o próprio quem disse isso inúmeras vezes. Mas tudo parecia desmoronar na época de Ghost. Andy Summers estava mesmo descontente com as mudanças na banda e tinha certeza que o Police tinha virado a banda de apoio do cantor pop Sting. O vocalista não escondia seu plano de que a banda deveria ter curta duração (disse certa vez que o Police deveria durar três discos). Para piorar, Sting e Andy estavam com casamentos se desfazendo.
De qualquer jeito, o Police ainda teria tempo de se tornar, de fato, a maior banda do mundo entre 1981 e 1983. Ainda que decidisse terminar tudo após o último álbum, Synchronicity (1983), inspirado pela descoberta, por parte de Sting, da “teoria da sincronicidade” do psicanalista Carl Jung.
Aproveite e pegue aí um bootleg (só áudio) da turnê de Ghost in the machine.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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