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“Todos os olhos”: SescTV exibe doc que faz todo mundo entrar na mente de Tom Zé

Antes de virar esse inventor que a gente conhece, Tom Zé era basicamente um garoto curioso de Irará, na Bahia, que ouvia as conversas dos adultos e tentava decifrar o mundo. Meio que tudo que ele fez depois vem daí – e é isso que o doc Todos os olhos, dirigido por Jorge Brennand Junior, tenta capturar. O filme estreia dia 10 de abril, às 22h, no SescTV e na plataforma Sesc Digital (assista aqui).
Com 1h45, o doc junta falas do próprio Tom Zé com gente que cruzou o caminho dele em várias fases. Luiz Tatit lembra que, enquanto Caetano Veloso e Gilberto Gil foram mais pro lado do pop que tocaria no rádio, Tom Zé seguiu pirando nos experimentos – e é isso que mantém a obra dele viva até hoje.
A lista de depoimentos é boa: Mallu Magalhães fala da conexão com o presente, Fernanda Takai destaca o fator surpresa do som dele, Ná Ozzetti puxa o lado técnico e José Miguel Wisnik fala que as ideias de Tom Zé se expandem como “comprimidos de música”, pela elaboração constante.
O jornalista Leonardo Lichote o define como um “cientista do sertão”, misturando tudo: publicidade, jornalismo, cultura pop e raiz. E o filme também abre o lado pessoal, com a parceira Neusa Martins, o filho e os netos. No geral, um convite de Tom Zé pra você entrar na mente dele.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Rodrigo Palazzo / Divulgação
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Emily Haines, do Metric, manda recado dançante para as garotas fortes em “Crush forever”

Ficou linda a música nova do Metric, Crush forever. E parece que Romanticize the dive, décimo disco do grupo, anunciado para 24 de abril pela Thirty Tigers, vai mandar bem – pelo menos a julgar pelos singles que já saíram. O Metric decidiu voltar ao passado e lembrar Nova York no auge da explosão do indie-rock, quando os integrantes da banda australiana se conheceram. A banda gravou o novo disco no estúdio Electric Lady, teve como produtor o mesmo Gavin Brown que cuidou dos discos Fantasies (2009) e Synthetica (2012) e suou pra trazer todo o calor daquela cena dos anos 2000 para os dias de hoje.
Ou seja: a época em que até a eletrônica era “humana” é o que vigora em Romanticize the dive, disco que já teve sua capa e sua lista de músicas revelada (veja lá embaixo). E Crush forever, uma indie-dance altamente sintetizada e bela, é o que a vocalista Emily Haines chama de “minha carta de amor às garotas fortes deste mundo”. A letra foi escrita em um fluxo de consciência, e tem frases como: “tenha o melhor, não se deixe enganar / não tenha medo da dor, você vai se recuperar / muito mais forte, mais doce do que antes / somos assim, vai lá, arrase, conquiste o que é seu”.
O Metric é formado há mais de duas décadas pela mesma turma: Emily Haines (vocais, teclas), Jimmy Shaw (produtor, guitarra, teclas), Joshua Winstead (baixo, teclas) e Joules Scott Key (bateria). E continua sendo um exemplo de musicalidade e independência, tocando o próprio selo e observando de perto todos os detalhes de sua carreira. E o disco que vem aí tem cara de manifesto, já que Time is a bomb, um dos singles novos, fala sobre curtir o presente, e Victim of luck, outro single, fala sobre as tensões do começo da banda. Tem todo jeito de uma linha do tempo sonora, pois.
E aí segue a lista de músicas e a capa de Romanticize the dive. E o som de Crush forever.
Victim of luck
Wild rut
Time is a bomb
Crush forever
Tremolo
Moral compass
As if you’re here
Loyal
Antigravity
Clouds to break
Leave you on a high
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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“Fenian”: clipe novo do Kneecap mostra a balaclava do grupo virando moda

Recorremos ao Google para explicar isso direito: fenian (feniano) era o nome dado aos irlandeses anti-britânicos, que lutavam pela independência de seu país. A série House of Guinness, levada ao ar ano passado pela Netflix, além de contar a história da companhia cervejeira, fala também dos combatentes fenianos, que lutavam contra as injustiças do governo inglês.
Enfim, se você não entendia o significado do nome do próximo disco do Kneecap, Fenian, agora já sabe. E a faixa-título do álbum acaba de ganhar um clipe, dirigido por Thomas James. Detalhe: assim como rolou recentemente no clipe novo do Daft Punk, Human after all – que, aproveitando cenas do filme Electroma, dirigido pelo duo, mostrava uma cidade em que todos usavam capacetes iguais aos deles – a balaclava tricolor do DJ Provai aparece em tudo quanto é canto possível e imaginável.
Dá para dizer que o texto de lançamento não está brincando quando diz que Fenian é a típica música de festival, para gerar corais na plateia – o refrão traz o nome da faixa soletrado. “Um hino para abraçar nosso passado feniano e curar nossa ressaca colonial, reconectando os guerreiros do folclore irlandês com os ‘fenianos’ do Norte da Irlanda de hoje”, diz o Kneecap, sempre envolvido em lutas políticas (temas como a liberdade da Palestina surgem volta e meia nos shows do grupo).
Até o momento já saíram três singles do álbum Fenian: a faixa-título, Smugglers & scholars e Liar tale. Fenian, o disco, sai no dia 1º de maio pela Heavenly Recordings. O álbum tem produção de Dan Carey. E o clipe de Fenian tá aí!
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Djon: indie rock de Moçambique

E o indie rock em Moçambique, como vai? No que depender do Djon, vai bem, obrigado. No release de seu single mais recente, Stall, o trio de Maputo até brinca com os questionamentos e as dúvidas em relação à existência de uma cena roqueira e atual por lá.
“Não, não há uma cena de indie rock em Moçambique. E sim, o Djon é uma banda de indie rock de Moçambique. Para nós isso significa muito”, dizem Melchior Ferreira, Pedro Alves e Nuno Jerónimo, os três integrantes da banda, que em Stall fazem um pós-punk atual, com evocações que vão de The Police a Death Cab For Cutie, passando por afrobeats.
Além do som, tem o inventivo clipe de Stall, feito justamente por Melchior, que também é diretor de cinema (fez recentemente ao lado de Bill Boy o curta Vándalos, sobre a juventude oprimida e apertada pela crise em Moçambique).
No vídeo, graças a muita pesquisa e a um uso bacana da IA – coisa rara em clipes novos, aliás – os três integrantes transformam-se em psikelekedanes (figuras de madeira artesanais tradicionais de Moçambique) que tocam em vários lugares: um estúdio, uma geladeira, o capô de um carro. Vai tudo bem, até que os três músicos em carne e osso aparecem e acabam com a farra dos bonecos.
“As figuras são reimaginadas como uma banda de indie rock ao vivo, refletindo o tema da música: superar a sensação de estar ‘preso’ ou ‘sentar na casca'”, diz o grupo, oferecendo Stall como uma “exploração urgente da libertação da estagnação, narrada visualmente através da lente icônica do patrimônio moçambicano”.
Melchior pôs um pouco dos bastidores do clipe no Instagram. Uma parte do trabalho para chegar nos psikelekedanes tá no vídeo abaixo. Fuçando no insta do grupo, dá para ver a música sendo gravada também.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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