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Som

Democracia chinesa: “Sweet child o’mine” tocado num guzheng

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Democracia chinesa: "Sweet child o'mine" tocado num guzheng

Seria legal ver essa cena num restaurante chinês. Todo mundo sentado, almoçando, quando de repente entra uma menina carregando um guzheng (espécie de cítara chinesa, com 26 cordas) e começa a tocar Sweet child o’mine, do Guns N’Roses. A musicista canadense Michelle Kwan já tem meio caminho andado para promover essa cena: já até arrumou um guzheng e fez uma versão da música.

Cultura Pop

Relembrando: Veruca Salt, “Eight arms to hold you” (1997)

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Eight Arms To Hold You, do Veruca Salt, fez 25 anos!

Nina Gordon, cantora e guitarrista da banda americana Veruca Salt, relembrou certa vez que nem mesmo a gravadora da banda (a Geffen, que havia contratado a banda de Chicago para o selinho alternativo DGC) entendeu nada quando ela, Louise Post (guitarra e voz), Jim Shapiro (bateria, guitarra) e Steve Lack (baixo), decidiram que Bob Rock seria o cara ideal para produzir o disco novo do grupo.

Eight arms to hold you (11 de fevereiro de 1997) era o segundo disco da banda. Compositoras de canções que podem ser colocadas na gaveta do grunge, ou na da união de punk e power pop, as duas vocalistas talvez tivessem pouco a ver com o trabalho de um cara que cuidou de discos de Metallica e Mötley Crue. “Mas era o som que a gente procurava para o disco”, esclarece Nina, que com a ajuda de Bob, fez canções como o hit Volcano girls ganharem peso e ambiência de hit de rádio. E escolheram para o título do álbum o nome provisório (e descartado) do filme Help, dos Beatles.

O disco do Veruca Salt chegava um pouco atrasado ao mercado – 1997 era um ano importante para o brit pop, para grupos como Spice Girls, mas não era definitivamente um ano de guitar bands ou coisa parecida. Nina e Louise, que apresentavam suas canções no álbum em sequência (uma compunha uma, outra compunha a próxima), traziam de volta uma musicalidade tradicional de sua região, Chicago, com melodias pop associadas a guitarras altas.

O Cheap Trick, mestres nisso, eram de Rockford, cidade do mesmo estado (Illinois), distante poucas horas da capital. Os Smashing Pumpkins, igualmente de Chicago, tinham a mesma mão boa, mas seguiam um estilo diferente – e dois anos antes de Eight arms to hold you, preferiram vender milhões de cópias explorando o que restava da angústia dos anos 1990 no disco Mellon Collie and The Infinite Sadness.

Bob Rock não deu ao Veruca Salt o mesmo peso e exuberância que deu ao Metallica – mas antes de tudo, ajudou o quarteto a se tornar uma banda mais simpática do que já era, e muito bem direcionada. O produtor teve um material de primeira para trabalhar, em canções com heranças simultâneas do punk e do hard rock, como Awesome (essa, com um lado Pixies de barulho-e-silêncio bem acentuado), Volcano girls, With David Bowie (que narra uma paixão e um dating com o camaleão do rock), Stoneface, além de pelo menos um momento em que o Veruca Salt soava como a versão feminina do Nirvana de Nevermind, que era Venus man trap.

Eight arms to hold you significou sucesso moderado para a banda. E também aumentou o nível de estresse. Nina e Louise embarcaram numa briga que muita gente compara às disputas de território entre Bob Mould e Grant Hart no Hüsker Dü. A primeira saiu e preferiu ficar em carreira solo. Jim e Steve também debandaram. Sobrou Louise, sozinha com o nome Veruca Salt, e já sem contrato com a Geffen.

Resolver, o excelente disco seguinte (2000), trazia Louise acompanhada por outros músicos, e contratada pelo selo independente Beyond Records. Mas o Veruca Salt depois enterrou diferenças e disputas musicais (além de questões pessoais), e retornou com a formação de Eight arms no disco Ghost notes (2015). O grupo ainda existe e lançou recentemente um álbum com as demos feitas entre o segundo e o terceiro álbuns, But I love you without mascara (Demos ’97-’98). E permanece uma ilha de guitarras e melodias grudentas em meio às mudanças no universo pop-rock.

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Crítica

Ouvimos: Melvins, “Tarantula heart”

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Ouvimos: Melvins, "Tarantula heart"
  • Tarantula heart é o 27º disco de estúdio da banda norte-americana Melvins – que, para o lançamento, adotou o nome “The” Melvins. O disco vem sendo gravado desde 2022 e, diz o vocalista Buzz Osborne, “é um disco diferente de tudo que nós já gravamos”.
  • Buzz conta que, no novo álbum, a banda fez as músicas ao contrário: tocou tudo antes de começarem a escrever as canções. A banda se enfiou no estúdio, foi gravando, depois escreveu novas partes para fazer o material se adequar.
  • Para Tarantula heart, o Melvins transformou-se num quinteto: Buzz Osborne (voz, guitarra), Dale Crover, Roy Mayorga (baterias), Gary Chester (guitarra) e Steven Shane McDonald (baixo).

Das bandas que conseguiram fama na onda de Seattle, Melvins era a que mais tentava ganhar os fãs no susto. Dedicaram-se a fazer canções de hard rock aterrador (o tal do sludge metal, em sua pureza), ao contrario de seus colegas. O Nirvana só foi se tornar uma banda realmente gritalhona no fim da carreira, o Mudhoney era protopunk + rock de garagem dos anos 1960. Em discos como Houdini (1993), Stoner witch (1994) e (A) Senile animal (2006), a ideia do grupo era construir cenários musicais nos quais ninguém gostaria de morar, com direito a uso de paredes de guitarra e duas baterias.

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Nem tudo dos Melvins é realmente necessário de ouvir, ou bom de verdade, já que a fórmula foi perdida durante vários discos que soavam mais como caricaturas – Pinkus abortion technician, disco de 2019 repleto de covers, tinha uma versão de I wanna hold your hand, dos Beatles, que não servia sequer como afronta. Tarantula heart, o novo, põe o grupo nos eixos oferecendo 40 minutos de terror psicodélico. Já rola logo na primeira faixa, Pain equals funny, vinte minutos de pancada sonora, com uma letra que parece revirar seres humanos do avesso.

O novo disco da banda parece se inspirar numa receita musical que tem mais a ver com grupos como Faust e Suicide do que com punk, metal ou coisas do tipo. Allergic to food é o momento Minstry do disco, mas sem eletrônica. She’s got weird arms tem guitarras maníacos e ritmos quebrados percorrendo os quase quatro minutos da faixa. Já Working the ditch é metal arrastado e de poucos amigos (e poucos acordes), a cara de discos do grupo nos anos 2000. E Smiler é a faixa mais prototipicamente metal do álbum. Disco curto e conciso mesmo nas canções grandes, para ouvir muito barulho.

Nota: 8
Gravadora: Ipecac

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Crítica

Ouvimos: Claire Rousay, “Sentiment”

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Ouvimos: Claire Rousay, "Sentiment"
  • Sentiment é o novo disco de Claire Rousay, instrumentista de vanguarda que tem uma discografia bem numerosa. Nascida no Canadá, ela vive em Los Angeles e grava pelo selo Thrill Jockey, gravadora independente norte-americana que vai do metal ao som experimental e que é dirigida por Bettina Richards, uma ex-executiva de A&R da gravadora Atlantic.
  • Claire é uma mulher trans. Passou a falar sobre o assunto em entrevistas em 2019. “Quando as pessoas dizem coisas transfóbicas ou homofóbicas, é como se eu já tivesse ouvido tudo. E muitas das vezes que ouvi isso não foram na internet. Alguém gritou comigo do carro. Ou ficou me encurralando em um bar ou me empurrando ou algo assim. Já ouvi todas essas coisas em situações muito mais extremas”, disse ao Irish Times.

Se for escolher um disco para dar aquela alegrada básica no fim de semana, nem passe perto do novo lançamento de Claire Rousay. Sentiment faz jus ao título: investiga tanto os sentimentos de quem passa por uma fossa abissal, que, como disco de cabeceira, pode ser uma péssima companhia.

A abertura é com 4pm, uma faixa falada, gravada como se fosse um recado na secretária eletrônica. Theodore Cale Schafter, convidado de Claire, avisa que “são 4 da manhã e não consigo parar de chorar” e “nunca me senti tão sozinho e descartado em minha vida, e isso inclui momentos em que perdi amigos, família e até mesmo o que eu pensava ser meu deus”.

Sentiment, pode acreditar, é o disco “pop” de Claire, já que ela é originalmente uma artista de sons experimentais e de música concreta – vários discos dela têm canções que chegam a quase 20 minutos, e que usam e abusam de sons gravados na rua. O novo álbum é pródigo em músicas curtas e investe num material desafiador, mas que, se devidamente rearranjado, ganharia uma cara pop mais definida.

Aparentemente, o recado de secretária da primeira faixa é um recado para quem ouve o disco. Talvez como brincadeira com o “sentimento” do nome, Claire investe em vocais robóticos, cheios de autotune – em faixas como as baladas tristes Head e It could be anything e a vinheta Asking for it. Curiosamente, a impressão que dá é a de estar escutando artistas que habitam um espectro bem diferente (e mais radiofônico) que o dela.

A imagem de capa, com Claire em clima de “ah não, o dia amanheceu e não quero levantar da cama” permeia o disco. Sentiment, afinal, é o álbum do descontrole emocional de Head, do orgulho ferido e da misantropia de Lover’s spit plays in the background e de uma porrada emocional que se chama justamente… Please 5 more minutes, aquela frase que quase todo mundo um dia falou ao acordar. Também é o disco de Sycamore skylight, instrumental com piano ao longe, e ruídos de conversa, quase como num sonho estranho e meditativo. Um som para os momentos em que ficar só, morgando na cama, pode ser doloroso, mas é necessário.

Nota: 7
Gravadora: Thrill Jockey

 

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