Cultura Pop
Shrapnel: conheça a banda punk que originou o Monster Magnet

No AllMusic, a biografia do Monster Magnet informa que, antes do primeiro disco da banda ser lançado em 1989, o líder Dave Wyndorf, então com 33 anos de idade, já era veterano do underground. O site informa que, antes da colossal banda stoner, Wyndorf perdeu os dentes de leite com a pouco conhecida Shrapnel.
Formada em Nova Jersey no final dos anos 1970, a primeira banda de Wyndorf também contava com outros dois guitarristas que tornaram-se conhecidos: Phil Caivano, que passou a integrar o Monster Magnet a partir do álbum Powertrip (1998), e Daniel Rey, que produziu três discaços do Ramones (Halfway to sanity, Brain drain e ¡Adios Amigos!) além de álbuns do White Zombie, Nebula, Gluecifer, Nashville Pussy, entre tantos outros (incluindo a gaúcha Tequila Baby).
Voltando ao Shrapnel (termo em inglês para os estilhaços de metal que voam pelo ar quando uma bomba ou arma similar explode e se destina a ferir pessoas), a bandinha deixou registrado apenas dois singles – Combat love (1979) e Go cruisin’ (1981) – e um EP, Shrapnel (1984). O grupo costumava aparecer no palco (e posar para fotos) usando fuzis e armas pesadas em geral. Era uma sátira, mas virou consenso entre jornalistas que o humor da banda era demasiadamente grotesco – o que não ajudou muito o Shrapnel a conseguir fãs.
Ouça Go cruisin:
Ao vivo em 1981, com várias canções inéditas:
Apesar da obscuridade, o Shrapnel teve conexões com figuras ilustres. Foram a primeira banda agenciada por Michael Alago (responsável pelo primeiro contrato de gravação do Metallica), por exemplo. Acabaram contratados pela Elektra, onde lançaram um EP EM 1984 (já sob outro plano de carreira: a imagem “de guerra” da banda desapareceu dos palcos). Mais: o grupo foi produzido por Vince Ely (baterista do Psychedelic Furs) e foi empresariado por Legs McNeil (fundador da revista Punk e autor do livro Mate-me por favor). Chegou a tocar em festas do escritor Norman Mailer, um entusiasta da energia primal do punk.
Por fim, os moleques de New Jersey figuraram em uma edição de Homem Aranha, alegria máxima para Wyndorf, nerd assumido de HQ’s. A diminuta discografia dos moleques está disponível no YouTube, onde também subiram a apresentação do grupo em uma estação local de TV.
Confira o Shrapnel ao vivo.
Curioso ver Dave Wyndorf garoto, com uniforme militar e cabelo de cuia à Johnny Ramone. Look completamente diferente ao Space Lord de visual “hippie de Altamont” que ele viria a ostentar no Monster Magnet.
E, claro, o som do Shrapnel também era outra coisa, um punk/power pop que não lembra em nada a psicodelia stoner do Monster Magnet. Mas, diga-se de passagem, a voz singular de Wyndorf dava um quê de originalidade ao som do Shrapnel e, no primeiro EP, o grupo já demostrava uma evolução que provavelmente renderia trabalhos mais interessantes.
De qualquer maneira, o pop punk da primeira incursão de Wyndorf na música é de alta qualidade, com notórias influências de Cheap Trick e Gary Glitter.
Ouça Didn’t know I loved you (Til I saw you rock n roll), cover de Gary Glitter.
Ouça Master of my destiny.
Como Alago conta em sua biografia, o Shrapnel acabou sendo dispensado da Elektra – em parte pela sua inexperiência em lidar com a indústria musical. Em seguida, Dave Wyndorf formou um grupo ainda mais obscuro, um tal Crash And Burn, que teria mais a ver com a sonoridade do Monster Magnet, formado em 1988.
Com a explosão do grunge, ele viu a oportunidade de ser mais bem sucedido na música.
“Eu realmente não esperava que o Monster Magnet seria algo mais do que um trabalho de amor (…) (Quando o Monster Magnet começou) eu estava fora de uma banda por seis ou sete anos, apenas trabalhando em uma loja de quadrinhos, e então ouvi coisas como Screaming Trees, Mudhoney e Soundgarden, e fiquei tipo, ‘Porra, estou de volta! ‘Foi realmente quando o Monster Magnet nasceu”, disse Wyndorf ao site Loudersound.
Aos 63 anos, Wyndorf não demonstra a mínima vontade de se aposentar e continua produzindo discos excelentes com o Monster Magnet – grupo que pertence ao raro time de bandas que nunca gravou disco ruim.
Seu último trabalho é Mindfucker (2018), porrada que condensa as principais características do grupo: proto-punk do Stooges e MC5, Hawkwind e psicodelia garage rock.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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