Cultura Pop
Servio Túlio (Saara Saara) foi o padrinho do Pop Fantasma

Em 1991 eu e um amigo fomos assistir a um show do Saara Saara no Teatro MPB-4, do DCE da Universidade Federal Fluminense, aqui mesmo em Niterói. Conhecíamos a banda porque tocava na rádio Fluminense FM e fomos na base do “pô, é música eletrônica, Kraftwerk, bora lá”. Na época, o que aparecia deles na “rádio rock de Niterói” eram só demos, havia uma matéria ou outra sobre eles no jornal e a Bizz tinha dado algo sobre a dupla de Servio Tulio e Raul Rachid, mas disco mesmo, nunca tinha rolado.
Eu tinha 16 anos e confesso que saí daquele show sem entender nada, e muitas coisas que vi ali, minha imaturidade (que me acompanhou por muitos anos) não iria deixar que eu entendesse naquele momento. O show do Saara Saara não era só “música eletrônica”: era um cabaré no palco, músicas cantadas em vários idiomas, muito humor ácido e um cantor extremamente debochado, o Servio Tulio, acompanhado por um tecladista não menos irônico, o Raul Rachid. E ainda por cima o show terminava com uma versão bem particular de O amor e o poder, sucesso de Rosana.
Uma pena que não haja nada no YouTube desse show – e ele foi realizado bem antes das câmeras digitais, enfim. Mas aí embaixo tem o Saara Saara ao vivo.
Daí até que eu me tornasse jornalista demoraria mais de uma década – houve uma outra escolha profissional no caminho antes, além de mudanças de gosto musical, etc. Não cheguei a ficar amigo do Servio mas conversamos bastante nesses últimos anos. Afinal, o jornalismo me levou a ficar próximo de muita gente que eu admirava. Gostava não apenas da música que ele produzia – e que meu amigo Leo Rivera pôs em CD no único disco do Saara Saara, lançado pelo selo Astronauta Discos – mas também do serviotulioverso, do universo musical que gravitava em torno dele, que incluía música eletrônica, sons experimentais, música clássica, música alemã, glam rock. Numa das vezes em que o entrevistei, ele me contou da primeira vez que visitou um estúdio e viu um mellotron funcionando. “Nunca esqueci!”, disse entre gargalhadas.
Muitas vezes, aqui mesmo no Pop Fantasma, eu escrevi textos sobre Nina Hagen, Todd Rundgren, Klaus Nomi, Human League, David Bowie, e por um motivo básico: sabia que o Servio ia ler, porque ele lia o site, comentava e até corrigia erros de apuração. Durante esse tempo todo, foi um dos leitores mais aplicados do site e um comentarista de tudo o que eu fazia. Levando em conta o conhecimento dele – um cara que trabalhou vários anos na Rádio MEC produzindo atrações que iam da música clássica a canções pouco conhecidas de cabaré alemão – eu não poderia ter um leitor mais aplicado.
Não era só isso. Em momentos de desânimo, quando eu achava que ninguém além de alguns amigos, mãe e pai, estavam acompanhando o site, eu pensava “pô, pelo menos o Servio vai ler”. E em vários momentos quando faltou assunto, fui ver o que ele andava escrevendo ou ouvindo pra me inspirar. Era batata: sempre que eu dava uma olhada nas redes dele, saía de lá com algum tema legal, ou alguma ideia.
E aí que, sem saber, o Servio era padrinho do Pop Fantasma, e uma enorme fonte de inspiração. Sua morte aos 59 anos no dia 10 de março, é uma das maiores porradas existenciais que o site leva desde que ele começou. Felizmente, contamos algumas histórias da dupla nessa matéria, inspirada por uma demotape em que Servio e Raul tocavam Showroom dummies, do Kraftwerk. O Saara Saara surgiu da amizade de dois músicos, Servio e Raul, que se conheciam desde crianças e que vinham de Bom Jesus do Itabapoana, cidade na fronteira entre os estados do Rio e do Espírito Santo.
“Bom Jesus, assim como algumas cidades do interior do norte Fluminense, tinha muito jovem interessadíssimo em saber o que acontecia no mundo da música. Talvez por termos poucos meios de informação, éramos ávidos por novidades”, recorda. “Tudo o que eu conheci de progressivo, krautrock, etc, conheci ainda criança por causa dos meus tios e amigos que eram mais velhos. Se você chegasse numa festa na casa de pirralhos em BJ em 1978, provavelmente estaria ouvindo coisas que aqui em Niterói (onde ele mora) nem rolavam… Meu primeiro compacto dos Sex Pistols comprei em Bom Jesus assim que foi lançado”.
Ouça Saara Saara hoje. Eu recomendo.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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