Cultura Pop
Relembrando: The Residents, “Meet The Residents” (1974)

Há poucas coisas mais estranhas do que os Residents. A definição mais tranquila que se pode dar a eles é que são “uma banda que não é uma banda”. Os nomes e os rostos dos integrantes nunca são revelados, os discos trazem várias coisas sampleadas e desfiguradas (já trabalhavam com amostras sonoras bem antes do sampling virar algo que poderia ser feito com um apertar de botões), o colaborador mais ilustre foi um guitarrista e multi-instrumentista – de rosto bem conhecido – chamado Phillip Lithman, ou Snakefinger. E a máscara de olho, sempre com uma cartola em cima, que adotaram como marca, é a única coisa que quase todo mundo reconhece como familiar, quando pensa no grupo.
Nem mesmo o nome da banda quer dizer muita coisa. E surgiu por acaso. Consta que em 1971 enviaram uma fita a Hal Halverstadt, um executivo da Warner, chamada The Warner Brothers Album, com 39 faixas do repertório inicial do grupo, que ainda nem tinha um nome. Hal havia contratado Captain Beefheart and His Magic Band havia pouco tempo, e talvez aquele espírito livre e aquele clima de doideira musical chamasse sua atenção – era o que os músicos esperavam. Em vão: o executivo detestou aquilo, mandou de volta pelo correio e, como não havia remetente na fita, escreveu “the residents” (os moradores) no pacote, antes do endereço. Pelo menos fez surgir o nome do suposto grupo.
Se a história dos Residents é bem estranha, o som, vanguardista ao extremo, não fica muito atrás. E, mais do que isso, pode decepcionar quem espera apenas barulho experimental, tons aporrinhantes e ruídos diversos. Soa como se os integrantes tivessem obsessão por Revolution 9, aquela colagem sonora dos Beatles, mas fizessem questão de colocar melodia ali, cabendo coisas herdadas do jazz, da música clássica e até de trilhas de filmes e antigos sucessos da música pop.
É o que rola no primeiro álbum do grupo, Meet The Residents (lançado em 1974 num significativo 1º de abril). Até que o debute saísse, muita coisa já tinha rolado: a banda havia se mudado da Louisiana para San Francisco, tinha aberto um estúdio, começara uma gravadora (a Ralph Records, cujo nome vinha de uma frase, “ligar para o Ralph”, equivalente ao nosso “chamar o Raul” ou “chamar o Hugo”). Havia também gravado mais fitas e tentado fazer um longa-metragem, Vileness fats, filmado entre 1972 e 1976 e cancelado por total falta de organização e experiência dos envolvidos.
Meet the Residents segue a chamada Teoria da Organização Fonética, criada por um estranhíssimo musicólogo chamado N Senada – a quem o grupo diz ter conhecido e que jura ter como líder. Pela tal teoria, a música deve ter sons individuais e não se preocupar com notas. É o que rola até quando resolvem gravar These boots were made for walkin’, sucesso de Nancy Sinatra, como faixa de abertura: a música fica irreconhecível, como se fossem várias colagens sonoras (o título vira apenas Boots).
O disco é ocupado em grande parte por uma trilha de jazz dividida em vinhetas, entremeada por riffs de piano, microfonias, ruídos e sons distorcidos de metais, cordas e percussão – em faixas com nomes como Numb erone, Smelly tongues (essa, lembrando um avô do Ministry), Guylum Bardot. E vai ficando cada vez mais desafiador, em termos de criação e colagem musical, quando vão começando as maiores faixas do álbum. Como na união de jazz e música clássica de Rest aria, nas diversas partes de Spotted pinto bean e no funk-rock-bandinha-de-inauguração-de-farmácia de Infant tango – que, curiosamente, tem um riff de piano idêntico ao que os New Radicals incluiriam na abertura do hit You get what you give, anos depois.
No final do álbum, tem os quase dez minutos de N-ER-GEE (Crisis blues), que adicionam inicialmente ruídos e desafinações a um sample de Nobody but me, sucesso da banda pop sessentista The Human Beinz, seguidos de uma fanfarra sinistra feita com metais, percussão e instrumentos que parecem ser de brinquedo.
Meet The Residents ficou mais como uma curiosidade e uma excentricidade, já que os Residents sempre foram uma banda midiática, mas nunca foram um grupo muito popular. Vários álbuns desafiadores e bem mais estranhos se seguiriam – o mais recente saiu em 2020 e é uma ópera-rock chamada Metal, meat and bone, que tem até Frank Black fazendo vocais.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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