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Cultura Pop

Relembrando: Patto, “Hold your fire” (1971)

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Relembrando: Patto, "Hold your fire" (1971)

A banda britânica Patto é talvez, quem sabe, uma das maiores surpresas que você vai ter quando ouvir algo deles – provavelmente você já ouviu uma ou outra faixa, já que discos como este Hold your fire (dezembro de 1971) se tornaram há alguns anos bastante populares entre colecionadores e fãs de bandas de rock obscuras.

Se você é fã da mescla entre psicodelia, progressivo e quase-pré-punk de Kevin Ayers, você já tomou contato com Ollie Halsall, guitarrista do Patto, considerado uma espécie de pós-Jimi Hendrix por muita gente – embora haja diferenças básicas entre as técnicas dos dois músicos. Ollie tocou com ele durante vários anos e transformou o som de Kevin em coisa de outro planeta, em discos como The confessions of Doctor Dream ans other stories (1974).

Composto por Mike Patto (vocal), John Halsey (bateria), Ollie Halsall (guitarra) e Clive Griffiths (baixo), o Patto vinha do Timebox, uma estranha banda meio psicodélica, meio engraçadinha, que lançava músicas como Walking through the streets of my mind e baixarias á moda do Who como I wish I could jerk like my uncle Cyril (“adoraria poder me masturbar como meu tio Cyril”, literalmente). Halsey jura que pouco antes do fim, o Timebox trabalhava numa canção chamada Ob la di, ob la da (e que o título da faixa acabou batendo no ouvido dos Beatles sabe-se lá como).

Com o nome mudado para Patto (justamente por causa da presença de palco do vocalista), as poucas aspirações pop do quarteto foram-se de vez. O quarteto passou a unir rock progressivo, jazz, blues e psicodelia, à maneira de formações então novatas como o Free, o Blodwin Pig e o Fleetwood Mac. A ideia não era facilitar as coisas: Patto (1970), o primeiro disco, tinha improvisos quilométricos como Money bag, unidos a folk-rock tristes como Time to die, e protestos como Government man, rock com letra dylanesca em clima norte-americano, falando sobre pessoas que são expulsas de suas casas por policiais e poderosos em geral, sem mandado.

O disco foi produzido por Muff Winwood, irmão de Steve Winwood, lenda dos bastidores das gravadoras e executivo da Island Records – gravadora para a qual o Patto sonhava em ir, embora a banda tenha acabado contratado pela Vertigo, selo mais roqueiro e underground. Hold your fire, segundo álbum, acabou igualmente sendo um lançamento da Vertigo. Não fez muito sucesso, mas flagrou o grupo em um momento extremamente criativo.

Em pleno começo do reinado do glam rock, e perdido em meio a bandas pesadas que vendiam o triplo do Patto (Led Zeppelin, Black Sabbath), o quarteto oferecia um rescaldo da psicodelia, só que unindo partículas de jazz, soul e blues, e letras que teciam comentários afiados sobre seu tempo. A faixa-título, com mais de oito minutos, era narrada do ponto de vista de um debandado da contracultura, uma espécie de Forrest Gump da psicodelia que vinha da imprensa underground e das religiões orientais. You, you point your finger traz as anotações de um hippie setentista confrontando o conservadorismo da época.

Sonoridades lembrando discos de Kevin Ayers e Joe Cocker meio que balizam o álbum, em canções como o blues Hows your father, o rock em alto volume Give it all away (com um solo sensacional de Halsall), a experimental Air raid shelter e um espécie de gospel progressivo e psicodélico, Magic door. As reedições mais recentes em CD (que podem ser achadas nas plataformas digitais) trazem mais magicismo ligado ao jazz na faixa bônus Beat the drum, e blues-rock turbinado em outro extra, Bad news.

O Patto ficou na promessa: Halsey se recorda de Mike Patto e Ollie pensando em guiar o grupo para uma direção mais comercial, o que não aconteceu. A banda lançou o terceiro disco, o cara-de-pau Roll ‘em, smoke ‘em, put another line out (1972, finalmente pela Island) e começou a gravar um quarto disco, Monkey’s bum, que sairia em 1973 mas foi engavetado (anos depois sairia em edições semi-piratas).

Independentemente do pouco sucesso e da separação, o futuro definitivamente não sorriu para os integrantes do Patto. Mike morreu de leucemia. Ollie, após anos de vício em heroína, morreu de ataque cardíaco. Halsey, após passar um tempo trabalhando como vendedor de peixe, montou uma banda com Clive. Só que ambos sofreram um acidente voltando de uma gig – por sinal, um acidente grave o suficiente para deixar Clive desmemoriado e Halsey com limitações nos movimentos. Hoje, o grupo revive nas poucas entrevistas de John Halsey, num site de fãs, e em reedições ocasionais.

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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