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Cultura Pop

Relembrando: Iggy Pop, “New values” (1979)

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Após fazer certo barulho com discos produzidos por David Bowie e lançados pela RCA, Iggy Pop assinou contrato com a Arista, no fim dos anos 1970, contando com a produção do velho amigo James Williamson (que tocara na formação pós-1973 da ex-banda de Pop, Stooges). A estreia no selo foi um disco que fracassou comercialmente, New values (1979), que trazia, além de Williamson, outro ex-stooge, Scott Thurston, na guitarra e nos teclados.

O disco reúne qualidades o suficiente para ser considerado um dos discos preferidos de ninguém menos que Frank Black. Mas como costumava acontecer nos discos de Iggy, uma série de fatores bizarros e coincidências infelizes atrapalhou tudo. Quilos de cocaína foram consumidos na gravação, o que já ajudou a tirar o foco do cantor – e isso só para ficar num exemplo.

Testemunhas reclamam que Williamson, mesmo sendo braço-direito de Iggy, encheu o disco de corais e backing vocals. A Arista, ocupada que estava com artistas como Barry Manilow, nem chegou a trabalhar direito o disco. O diretor de A&R Ben Edmonds, que levara Iggy para lá, saiu do selo e deixou o cantor largado.

Alguns esforços foram feitos para divulgar o disco, como uma turnê e a aparição de Iggy em alguns programas de TV – como o Wyld ryce, espécie de revista de artes da emissora americana PBS. Em 3 de maio de 1980 foi ao ar o programa com Iggy. O artista dividia espaço com o cantor e compositor Taj Mahal e aparecia, entre outras coisas, no palco do Jay’s Longhorn, casa de shows em Minneapolis, em novembro de 1979.

Na turnê, Iggy contava com Klaus Kruger (ex-Tangerine Dream) na bateria, Glen Matlock (ex-Sex Pistols) no baixo, Brian James (The Damned) na guitarra, entre outros. No vídeo, Iggy fala palavrão, cospe no palco e se joga sobre um teclado – o barulho introduz uma canção, Dog food.

Iggy também aparecia dando autógrafos numa loja de discos (os fãs são entrevistados), mostrando o pinto no palco (a câmera corta o bagulho, calma), interrompendo o show para parar uma briga na plateia e respondendo perguntas. O apresentador fazia questão de destacar que o rock já estava um tanto quanto domesticado e era visto como “música positiva” – enquanto o som de Iggy era o mais negativo que se podia escutar naquele período.

Durante o papo com o cantor, realizado numa kombi, ele estranhamente mete o pau no rock feito na época e diz que o estilo estava longe de ser seu favorito. E diz que sua música é basicamente sobre “faça você mesmo”. Iggy reclama também que New values não tinha exposição suficiente e não tocou no rádio.

E New values, afinal de contas, é bom? Sim é. Importante falar que se trata de Iggy Pop devidamente reapresentado ao público, só que convertido a uma mescla de punk, blues, soul e rock básico. O som tem mais a ver com o de Lust for life (1977), só que um tanto mais domesticado. O aspecto experimental de The idiot (também de 1977) quase não dá as caras, por exemplo – só um pouco em The endless sea, faixa extensa, gélida, de filiação pós-punk e discreto acento reggae. Importante também destacar que se trata do primeiro registro solo de Iggy em que David Bowie (seu ex-produtor e tecladista de turnê) não dá as caras em nenhum momento.

Tell me a story, na abertura, é praticamente um punk doo wop. A faixa-título, na sequência, é pré-new wave. Girls volta no tempo do glam rock, só que sem a mesma sensação de perigo – soa como Sex Pistols fazendo som para um público pouca coisa mais velho. I’m bored, quase-hit do disco, une o balanço do R&B e a energia do punk. O clima de doo wop dos três acordes retorna na balada Don’t look down. Cruzamentos punk + glam são achados em How do ya fix a broken part e Five foot one. Já Billy is a runaway é o lado Ramones do disco, até no título da faixa, que lembra Judy is a punk.

Já o lado “esta obra reflete pensamentos da época em que foi criada etc etc” fica por conta de African man, uma imbecilidade cuja letra Pop diz ter roubado de um cantor africano, e que descreve moradores da África de maneira bastante estereotipada, preconceituosa e estúpida. Recentemente Iggy disse ao The New York Times que não pretende encobrir as besteiras que fez no passado, mas preferiria que os serviços de streaming retirassem a faixa do disco. Pulando essa faixa, e levando em conta que Iggy nunca bateu bem, tem muita diversão em New values.

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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