Cultura Pop
Relembrando: Goo Goo Dolls, “A boy named Goo” (1995)

Mais fácil lembrar dos Goo Goo Dolls por causa de seu hit Iris, de 1998, do que por causa de qualquer outra coisa. A música fazia parte do sétimo álbum da banda, o extremamente bem sucedido Dizzy up the girl, e foi popularizada pela trilha de Cidade dos anjos, de Brad Silberling, com Meg Ryan e Nicolas Cage. O grupo já existia desde 1986, escapara por pouco de ser uma formação daquelas que nem com empurrão vão para a frente, e tinha deixado para trás alguns anos de carreira na independência.
Aliás, John Rzeznik (voz e guitarra), Robby Takac (voz e baixo) e George Tutuska (baterista que saiu do grupo em 1995) deixaram para trás alguns anos de carreira na certeza de que eram um “grupo punk”, criado “para a geração que anda de skate” (era assim que eles costumavam se apresentar). Algo desmentido pelo power pop com letras meio angustiadas e melodias um pouco mais “pra cima”, que a banda fez durante vários anos.
A boy named goo, lançado em 14 de março de 1995, era o quinto disco da banda, e o segundo pela Warner – embora ainda lançado em parceria com a indie Metal Blade. Era também um disco mais ou menos de acordo com a onda punk pop da época, de bandas norte-americanas naturalizando e popularizando os poucos acordes e as melodias ágeis (Green Day, Offspring), mas ao mesmo tempo era um disco “atrasado”. Soava pouco mais pesado que os discos de uma banda como os Replacements, por exemplo – e muito mais bem gravado que Tim, disco que marcou a estreia da banda de Minneapolis na Warner, só que… dez anos antes.
Foi também a verdadeira mudança na carreira da banda, alguns anos antes de Iris. Afinal, a predominantemente acústica Name, faixa de A boy named Goo, abriu um espação para a banda nas rádios com sua letra desencantada (“e mesmo se o tempo passar por mim/eu ainda não posso voltar atrás/porque todos os sonhos que você nunca pensou que iria perder/foram jogados fora ao longo do caminho”). Mais que isso: a música chegou ao quinto lugar na parada Billboard Hot 100. Era sucesso sem sombra de dúvida.
O fantasma do “eles se venderam” passou a perseguir o trio. A capa do álbum, com uma criança, ficou presa na peneira de lojas como o Walmart, que se recusaram a vender o disco para não incentivar a pedofilia. E a síndrome de impostor também virou uma companheira da banda – em entrevistas, Rzeznik chegou a confessar que viu aquilo como uma oportunidade única que havia sido dada à banda, e que passaria rapidamente de qualquer jeito.
O clima de A boy named Goo é o da luta contra as dores pessoais. Afinal, estamos falando de um disco que abre com um punk rock triste chamado Long way down. O astral aumenta um pouco em Burnin’ up, uma melodia solar para uma letra que detalha um relacionamento tóxico e sem diálogo. Naked, lembrando uma música perdida do Hüsker Dü (ou do Sugar, então a nova banda de Bob Mould, do Hüsker), expõe uma tendência do álbum: a letra parece um diálogo entre alguém “oprimido, abatido” e outra pessoa que observa e aconselha (“você está nu dentro de seus medos/você não pode ter de volta todos esses anos/os tiros disparados no escuro por pistolas vazias/não foram ouvidos por ninguém”).
Já Impersonality traz um pouco de alegria ao disco: um power pop sobre infância, saudade e orgulho. Do repertório, grudam na mente o protesto de Flat top, o pop-rock perfeito de Eyes wide open e a explosão melódica de Ain’t that unusual, incluída na trilha da comédia adolescente Angus, de Patrick Read Johnson. Demoraria um pouco para o Goo Goo Dolls passar a ser aquela banda que todo mundo conhece – e cá entre nós, em termos de qualidade musical, o sucesso faria mais mal do que bem ao grupo. Mas a raiz já estava nesse disco fora de tempo e espaço.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.



































