Radar
Radar: Spaceport, Verse Metrics, The Noise Who Runs – e mais!

Mais um Radar internacional (calma que tem Radar nacional amanhã), abrindo com o som calmo e levemente experimental do Spaceport – olho nessa banda, inclusive. A seleção de hoje vai do experimentalismo a sons mais ligados aos anos 1980. Ouça no último volume e crie suas próprias playlists!
Texto: Ricardo Schott – Foto (Spaceport): Divulgação
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SPACEPORT, “SUGAR MOON”. Dia 3 de abril sai o novo álbum dessa banda de Minnesota, Cut the lake – que já foi adiantado pelo single Switch. Sugar moon, a nova música, tem uma onda bem doce (combinando com o nome?). É meio uma balada country, meio uma música de girl group sessentista, em clima bem calmo – mas com um ou outro efeito denunciando que algo pode acontecer a qualquer momento (e acontece, tanto que a canção fica bem mais explosiva do meio para o fim).
A banda revela que Sugar moon surgiu do trabalho instrumental paralelo da vocalista Arianna Wegley – Bicycle, do disco Machines, lançado por ela em 2021, e dedicado à ambient music, foi remexida daqui e dali, e ganhou uma letra. Aliás, num texto de sua newsletter, o Spaceport diz que a gravação do próximo disco não foi fácil: muita coisa pra fazer em pouco tempo, integrantes prestes a ter um colapso, e coisas do tipo.
“Todd (Olson, baterista) levou a banda para fora para uma boa conversa motivacional e um momento de confraternização sob a luz da lua. Na nossa comemoração depois, decidimos usar um trecho da letra dessa música como título do nosso álbum. Sugar moon significa muito para nós e esperamos que signifique algo para vocês também”, escreveram.
VERSE METRICS, “IT’S A BEAR!” / “SEA FAIRIES (WE’RE NOT ALONE IN THIS LAKE)”. Essa banda não apenas é britânica como o som é essencialmente britânico – pós-punk com climas deprê, herdado de grupos como Pulp e Joy Division, além de toques sonoros vindos do post-rock. Também há algo forte vindo de grupos como Interpol e quebras rítmicas que fazem lembrar bandas de math rock e pós-hardcore. Os dois singles lançados entre fevereiro e março adiantam o álbum de estreia do Verse Metrics, Descents, previsto para sair a qualquer momento em 2026. Um som etéreo e cheio de surpresas.
THE NOISE WHO RUNS, “BANG BANG”. Esse é o codinome usado pelo músico britânico Ian Pickering, que trabalhou com projetos como Front Line Assembly, e faz electro-pop com cara alternativa e pesada – nomes como Death In Vegas e LCS Soundsystem são citados por ele num “para quem gosta de…”. Bang bang, o novo single, fala sobre um universo que virou um imenso Big Brother Brasil: as pessoas não pensam mais, só reagem. O álbum do TNWR que tá vindo aí se chama RE: GEN X (previsto para 8 de maio) e fala sobre uma novela diária que muita gente acompanha: como é viver de maneira apertada, ganhando mal e trabalhando loucamente para enriquecer o patrão.
“Bang Bang retrata um dia na vida de um típico funcionário do século 21. Os versos representam a realidade cotidiana, a rotina monótona com pouca recompensa, a luta contra o aumento dos custos e a estagnação dos salários, observando idiotas com fortunas ditando a agenda para destruir, primeiro, o sonho do pós-guerra e, segundo, todo o planeta do qual dependemos”, diz Ian. Seria cômico se não fosse trágico – e realista.
LIBBY EMBER, “NEWS AT THE PARTY”. Soft rock elegante, com cara folk, feito por essa cantora e compositora canadense. A letra narra uma experiência amarga e real: numa festa, ela descobriu que a pessoa com quem ela saía já tinha outro interesse amoroso. “Pelo resto da noite, eu só tive que fingir que estava tudo bem e agir como se nunca tivesse me importado”, explica ela. “Mas no segundo em que fiquei sozinha naquela noite, tudo o que consegui fazer foi começar a chorar”. Detalhe: a música foi composta naquela mesma noite, após voltar da festa, no calor do sentimento (e da tristeza).
Se você sentiu um clima meio jazz no arranjo de News at the party, a intenção de Libby foi essa mesma: Baron Tymas, guitarrista de jazz, é um dos músicos que tocam com ela na faixa. Libby considera que, musicalmente, deu um clima até animado para uma música que fala sobre um pé-na-bunda descoberto de maneira tão repentina – mas News at the party até que é bem introvertida, vá lá.
ALLEGORIES, “HORRIBLE WONDER”. Essa dupla experimental faz som catártico, sempre investindo no uso de texturas lado a lado com acordes e melodias. Horrible wonder, o novo single, veio de uma ideia folk que foi sendo construída com vários samples – inclusive dos vocais de uma rara apresentação ao vivo da banda. O tipo de música que parece feita por uma máquina até mesmo quando parte de instrumentos comuns tocados por gente normal. Até porque o som deles é bastante inspirado no trabalho de rappers e DJs de house.
Apesar do release da dupla falar que a faixa parece “suspensa entre a clareza e o caos”, Horrible wonder é uma canção tranquila e hipnótica – a letra é que joga o / a ouvinte num mundo emocional e repleto de memórias e sensações.
SOLO ESTOY DURMIENDO, “CANCIÓN DE LA RE”. Tem uma onda beatle séria no som desse grupo boliviano (ora bolas, Solo Estoy Durmiendo é a tradução literal de I’m only sleeping, música dos quatro de Liverpool lançada em 1966 no LP Revolver). Canción de la re faz parte do EP Clonazepán com vino vol. I, a estreia do grupo, e é uma música que fala sobre um tema pesado: codependência emocional num relacionamento amoroso cheio de toxicidades e bandeiras vermelhas – além da solidão que vem depois do adeus, quando você percebe que tudo que precisa fazer é se afastar. O som tem muito de bandas como The Police (nas guitarras e no ritmo meio fluido), além de uma onda puramente anos 1990 no arranjo.
Radar
Radar: Estamos Perdidos, Krisj Wannabe, Beauty In Chaos, Wheobe – e mais!

Tem Radar internacional para abrir a semana, e dessa vez, a banda que puxa todas as outras vem lá do Equador – é o Estamos Perdidos, que acaba de lançar single e clipe, e tem álbum na agulha. Nomes como Krisj Wannabe, Beauty In Chaos e City Builders estão também por aqui hoje, todo mundo pronto para o último volume.
Texto: Ricardo Schott – Foto (Estamos Perdidos): Reprodução Bandcamp
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ESTAMOS PERDIDOS, “CORAZÓN DE POLLO”. Esse projeto musical equatoriano une sons bastante variados em poucos minutos de música: dedilhados que fazem lembrar as bandas emo, sons emocionantes que são a cara verdadeira do rock latino, e a tensão do pós-punk. O grupo está preparando seu primeiro álbum, que vai vir depois de uma série de singles, e soltou Corazón, música acompanhada por um clipe que mostra dois adolescentes vivendo a experiência da primeira paixão.
“O clipe marca o início e o fim daquela fase em que somos adolescentes obcecados pelo amor e pela idealização. Agora sentimos que tudo é mais maduro, mais cru e real, mas isso virá depois”, diz o Estamos Perdidos, todo mundo feliz da vida com o resultado.
KRISJ WANNABE, “WANT IT ALL”. Se você entrar em algum boteco e vir um sujeito bêbado, parecendo não ter lá muitas perspectivas na vida, e ficar com pena dele, pare e pense: ele pode ter uma ideia de futuro muito bem formada em sua mente, e bem diferente da sua. Krisj Wannabe, um músico de pós-punk que se desenvolveu entre Itália e Japão (mora em Tóquio hoje), em seu novo single, Want it all, prefere falar de dignidade e de recusa a se curvar às demandas de um mundo que quer, cada vez mais, todo mundo pensando igual. O vocal faz lembrar um cruzamento de Ian Curtis (Joy Division) e Kevin Ayers. Será que uma combinação dessas é possível? Ouve aí.
BEAUTY IN CHAOS, “GOD’S GONNA CUT YOU DOWN” / “GET DOWN MOSES”. Entre o alt-folk, o indie rock, o gospel e o reggae, esse grupo decidiu fazer de seu novo single uma homenagem a Johnny Cash e o ex-Clash Joe Strummer, gravando um single duplo com God’s…, canção religiosa tradicional popularizada pelo “homem de preto”, e Get down Moses, música gravada por Strummer com sua banda Los Mescaleros. “São músicas que já foram regravadas, mas injetamos um pouco de nossa essência nelas”, conta o guitarrista do grupo, Michael Ciravolo, que tocou em bandas como Human Drama e Gene Loves Jezebel.
WHEOBE, “A STRAINED OCEAN”. Calma progressiva e estileira herdada do pós-punk marcam o novo single dessa banda francesa, que prepara seu disco de estreia (também chamado A strained ocean) para o dia 3 de abril. A strained ocean dura nove minutos e é definida pela banda como “uma mistura intensa, que espelha uma performance ao vivo que não hesita em brincar com os extremos para transmitir uma mensagem crua, sincera e autêntica”. Uma dica de como a música soa: eles amam Squid, Radiohead e (olha!) Swans.
TANYA DONELLY E CHRIS BROKAW, “SAINTE NICHOLAES”. No próximo Natal, nada de Roberto Carlos ou de A harpa e a cristandade: ponha para rodar esse cântico natalino gravado por esses dois veteranos do rock de Boston (Belly, Throwing Muses, Breeders, Codeine, Come), que têm na agulha o EP The undone is done again, marcado para 17 de abril. No repertório, só música medieval reinterpretada de modo BEM econômico e fantasmagórico: a voz de Tanya e a guitarra de Chris. Sainte Nicholaes não foge a essa regra, com seus ares espectrais e camerísticos.
CITY BUILDERS, “VENGEFUL SPIRIT”. Criado em 2022 como banda pela musicista canadense Grace Turner, o City Builders foi ganhando gradativamente cara de projeto solo, com Grace inspirando-se em nomes como Lana Del Rey, Woodkid, Britney Spears, MIA e MGMT, numa variação pop bem interessante e que une ganchos sonoros e peso. Vengeful spirit, a faixa de abertura do disco novo, Healing revenge, fala de problemas pessoais pela ótima da libertação e do livramento.
O mais louco é que Grace terminou um relacionamento no último dia de gravação de Healing – e com isso, o repertório que ela já tinha pronto acabou sendo revirado emocionalmente. “As músicas que eu havia escrito sobre desilusões amorosas se tornaram reconfortantes e ganharam um novo significado”, conta.
Radar
Radar: Capim Cósmico, Inimigos do Rei, Thiago Oceano, Narval – e mais!

Semana encerrada, que fez fez, quem não fez não fez – certo? Ih, nada disso. O Radar nacional de hoje acaba de sair, e se deixar, a gente já sai preparando os da semana que vem hoje mesmo, nacional e internacional. Abrimos com o som psicodélico e montanhês do Capim Cósmico, mas na nossa lista de hoje, tem até um clássico nacional dos anos 1980 que tá de volta. Ouça no último volume.
Texto: Ricardo Schott – Foto (Capim Cósmico): Divulgação
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CAPIM CÓSMICO, “MAIS UM DIA”. Essa banda vem lá de Paraisópolis – não a favela em São Paulo, mas uma cidade no meio das montanhas mineiras. O Capim Cósmico define seu som como “uma jornada sonora” referenciada na psicodelia mineira e no som lisérgico de lá de fora. Em Mais um dia, vão brotando sons ligados a Beatles, Weezer e ao britpop. Já a letra fala sobre aquele momento da vida em que tudo parece igual, a rotina é sempre a mesma e a gente acorda só no piloto automático todos os dias. Além das “pequenas tentativas de consolo que sustentam a vida comum”.
INIMIGOS DO REI, “MEDO”. E não é que a banda de músicas como Adelaide e Uma barata chamada Kafka voltou? Luiz Nicolau (voz), Lourival Franco (teclados), Marcelo Crelier (baixo), Celão Marques (bateria) e Marcus Lyrio (guitarra) estão preparando o show Vem Kafka comigo e aderem a um som com teclados à frente e vibe hard rock. Na letra, o grupo admite um sentimento bem brasileiro: o maior medo não é do fim do mundo, mas do fim do mês e da falta de grana (e dos boletos a pagar) que vão surgindo.
Luiz Nicolau diz que a música foi feita há vinte anos. “Eu começava meu segundo casamento, morava em apartamento alugado e minha filha estudava em faculdade particular. Ou seja, o fim do mês era um medo bem real”, conta.
THIAGO OCEANO, “SILÊNCIO HOSTIL”. ““Essa canção foi fruto de várias conversas e de uma percepção de saudade que permeava as palavras, além do silêncio que ela precisou encarar. Como amigo, eu queria fazer muito mais do que apenas ouvir. Salvar os nossos amigos da tristeza é a nossa utopia. Mas só consegui ir até onde me foi permitido”, conta o músico e cantor Thiago Oceano, que fez a balada Silêncio hostil tentando ver as coisas pela perspectiva de uma amiga que andava mergulhada na tristeza.
“Essa canção, e algumas outras que virão, são um registro desses passos”, conta ele, que lançou primeiro a música no Bandcamp só para apoiadores, e agora solta a faixa nas demais plataformas.
NARVAL, “TASSO”. No novo single, Tasso, essa banda de Campinas une música bedroom (foi gravada no Sótão Records, “ou seja, a gente mesmo”, como brincam) com pós-punk e noções sonoras de shoegaze: guitarras à frente, vocais desesperados e teclados que dão um clima meio gelado à música. Já a letra é inspirada na novela de ficção científica Segunda variedade, de Philip K. Dick, em que, após uma guerra atômica, robôs que haviam sido originalmente criados para matar começam a se passar por seres humanos (o filme Screamers – Assassinos cibernéticos, dirigido por Christian Duguay e lançado em 1995, veio desse conto aí).
NAIMACULADA E GASTAÇÃO INFINITA, “SAI DA NOIA”. Essas duas bandas se unem em um single novo que fala sobre como muitas vezes a gente se deixa levar pelo excesso de pensamentos e acaba se dispersando.
“Musicalmente, a faixa vai em direção à sonoridade do punk, indie e garage rock, com uma sonoridade mais contemporânea, como por exemplo King Gizzard, Strokes, Daughters e Os Fonsecas”, conta Iago Tartaglia, vocalista do Gastação Infinita. O som da música é o mais lo-fi possível: parece que tudo vem de vozes na sua cabeça, como se rolasse um estranho duelo psicológico entre as forças da noia e as forças que querem acabar com ela.
PABLO VERMELL E LIVIA, “EN MI CUARTO – LOW PROFILE”. O single marca o encontro do cantor e compositor de Santos (SP) com a cantora indie argentina – a faixa vai estar na versão deluxe do álbum Futuro presente, lançado ano passado por Pablo (e resenhado aqui). Low profile, que no original em português já estava no repertório do álbum do cantor (e agora ganha o acréscimo do En mi cuarto, em espanhol), é uma balada pop, referenciada em artistas como Mac deMarco, cuja letra fala sobre como hoje em dia, com esse excesso de redes sociais e demandas digitais, não há nada mais cool do que ficar no seu cantinho e largar a exposição de lado. E o encontro de Pablo e Livia ganhou também um clipe realizado entre Brasil e Argentina.
Radar
Radar: Reptile Tile, Dark Archer, Hallucinophonics – e mais sons do Groover

O Pop Fantasma tá na Groover! Por lá, artistas independentes mandam seus sons pra uma rede de curadores – e a gente faz parte desse time. Fizemos hoje uma relação do que tem chegado de legal até a gente por lá – começando com o som do Reptile Tile.
O que tem chegado até nós? De tudo um pouco, mas, curiosamente (ou nem tanto), uma leva forte de bandas e projetos mergulhados no pós-punk, darkwave, eletrônico, punk, experimental, no wave e afins.
Texto: Ricardo Schott – Foto (Reptile Tile): Divulgação
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REPTILE TILE feat PERIOD BOMB, “ISLE OF BLAME”. Acompanhado da musicista Camila Alvarez (responsável pelo ruidoso e feminista projeto Period Bomb), lá vem o Reptile Tile investindo na psicodelia jazzy, com um clipe que poderia ter sido feito em 1988 pelo seu sobrinho com uma câmera portátil. O tema de Isle of blame é bastante atual: “para onde vai toda a culpa quando alguém não é capaz de refletir sobre si?”. Looking for Leandro, o álbum do Reptile Tile, sai neste ano.
DARK ARCHER, “ZERO TO SIXTY” / “THE UNDYING”. Com um EP recém-lançado chamado Signal / Flesh, esse projeto de Atlanta investe em música pesada, sombria e reflexiva, entre o metal e o rock alternativo. The undying fala sobre “como o poder manipula crenças, obediência e divisão ao longo do tempo” e Zero to sixty comenta a respeito da “tensão entre empurrar e puxar, impulso e estagnação”. Temas como ruptura, ansiedade moderna e cultura da aceleração estão entre os preferidos do Dark Archer.
MOSQUITO CONTROL MUSIC, “WE CAME TO PLAY”. Criado quando os co-produtores Tim Ganard e Bruce Bouillet ouviram uma playlist com hits do ano de 1989 (e com faixas de artistas como Egyptian Lover, New Order e The Cult), o MCM surgiu com a ideia de lembrar o espírito dessa época, mas sempre criando coisas novas em cima. We came to play mistura breakbeat e rock olhando direto para as pistas dos anos 80 e 90. Tem vocoder robótico, clima de electro à la Kraftwerk e um clipe que usa imagens de O senhor das moscas. Nostalgia de pista, mas com guitarras na frente.
HALLUCINOPHONICS, “AFTERNOON OF ACID RAIN”. Trazendo em seu som lembranças de bandas como Pink Floyd, Tame Impala e Porcupine Tree, o Hallucinophonics lançou recentemente o álbum Falling, além de alguns singles em separado. Um deles, o psicodélico Afternoon of acid rain, tem o melhor clipe feito em IA que você vai ver – geralmente IA acaba sendo usada para fazer clipes horrorosos, e no caso deles, tá bem profissional. O som, nessa música, lembra um The Hollies mais modernizado.
NADÏ, “PSYKANYKO”. O Nadï, cujo nome significa é “a corrente, o rio”, é um trio de rock de Gers, no Sudoeste da França. Eles definem sua música como “ora calma, ora selvagem, mesclando ritmos intensos, riffs marcantes e melodias ricas”, e fazem um som que mistura elementos de art rock e progressivo – como no single Psykaniko, presente em seu álbum Fenderis (2025).
ZENTOY, “VELVET DREAM”. Esse músico da Bélgica jura que seu novo single, Velvet dream, tem esse clima psicodélico e eletrônico feito da forma mais orgânica possível: nada de samples ou de IA, tudo tocado de verdade, e tudo dando a ideia de estar dentro de um sonho, como diz a letra. A faixa ganhou três versões (single, instrumental e radio mix), e cada uma delas ganha um clipe diferente. “Convidamos três diretores, enviando a eles um roteiro idêntico, a fim de adicionar uma dimensão onírica extra e ver para qual universo particular sua criatividade poderia transportar cada versão da música “, conta Zentoy.
ALEPH NAUGHT AND THE NULL SET, “DYING IS EASY, LIVING IS HARD”. “Em parte, me inspirei no livro Sobre a morte e o morrer, de Elizabeth Kübler-Ross. E essa música foi parcialmente inspirada no meu filho, que tem fibrose cística e quase morreu pelo menos seis vezes – para ele, teria sido mais fácil morrer, e em uma ocasião precisei convencê-lo a não interromper o tratamento. Afinal, morrer é fácil, viver é difícil”, conta Aleph Naught, definindo da melhor maneira seu single de nove minutos (!), com referências de rock progressivo e metal. Five stages, o álbum novo, está nas plataformas desde dezembro, e vale a conferida.
TENSIXTIES, “ALL PENT UP” / “SUMMER’S GONE”. Mesmo com um “sixties” encartado no nome, esse projeto musical faz mesmo é som ligado aos anos 1980, 1990 e 2000: LCD Soundsystem, New Order e Talking Heads estão entre as influências desse grupo, que já surgiu há um bom tempo no underground de Buenos Aires, encerrou atividades e voltou já com três singles lançados – os dois mais recentes estão aí. All pent up é mais agitada e Summer’s gone abre com cara de pop adulto e sofisticado, mas embarca no indie rock depois.
FORGOTTEN GARDEN, “OVERLORD”. Parece até um tema tradicional, de origem folk, que virou rock – mas a música nova desse projeto criado pelo músico escocês Danny Elliott (com a portuguesa Inês Rebelo nos vocais) fala mesmo é de “dinheiro, poder, ganância e engano — e sobre como isso pode corromper um indivíduo”. O som fica entre o folk, o soft rock e o progressivo, mas com referências confessas de bandas como The Cure.
SANCHO VILLA, “HERE TONIGHT”. A ideia desse grupo do Texas é misturar rock clássico, toques de blues e jazz, e alguma coisa latina que vai surgindo devagar nas músicas, nem que seja em algumas linhas vocais – como é o caso desse single Here tonight, que faz parte do álbum Serenade & run, lançado no ano passado. Uma das grandes inspirações do grupo é um valor musical clássico do Texas – ninguém menos que o saudoso Roky Erickson.


































