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Radar: Luís Capucho, Bianca and The Velvets, Estranhos Românticos, Vale Cinza, Os Fugitivos

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Na foto, Luis Capucho (Divulgação)

Tem clássico abrindo o Radar nacional de hoje: Luís Capucho (não conhece? cria vergonha nessa cara!) volta com single novo. Ele abre nossa seleção de hoje, mas aqui só tem craque, da turma mais nova à mais experiente. Ouça no último volume e passe adiante hoje mesmo!

Texto: Ricardo Schott – Foto (Luís Capucho): Divulgação

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LUÍS CAPUCHO, “A MASCULINIDADE”. Violão, clima introspectivo, voz grave e vibe de MPB experimental – tanto em música quanto em letra. É a onda de Luís Capucho, capixaba criado em Niterói (RJ), gravado por artistas como Pedro Luis, Cássia Eller, Suely Mesquita e Daúde. Seu novo single A masculinidade foi feito em parceria com Kali C, vai estar no próximo álbum do músico (Homens machucados, previsto para sair em 2026 pelo selo-produtora + Um Hits) e é uma balada folk que faz revelações sobre a fragilidade do masculino. “A masculinidade é cega / a masculinidade é soberba / a masculinidade é mesmo como a flor / a masculinidade é frágil / a masculinidade é de veludo”, explica a canção.

Luís é tido por muita gente como uma espécie de “novo maldito” da MPB – mas ao mesmo tempo tem uma onda sonora que o põe lado a lado com nomes como Lou Reed, pelo jeito despojado com que interpreta suas próprias canções. Além de cantar, ele também escreve e mexe com artes visuais, o que já o põe também na condição de artista múltiplo, do tipo que faz de tudo. “Me expresso livre, de meu ponto de vista, para qualquer um que esteja aberto, que se interesse, que goste ou que se toque”, diz.

BIANCA AND THE VELVETS, “LIKE ON TV”. Punk e indie rock de Belém (PA): Bianca Marinho, Marcel Barretto, Emmanuel Penna e Leonardo Chaves unem referências que passam pelo pós-punk, pelo grunge e pelo som de bandas dos anos 2000 – tendo como detalhe especial a voz grave de Bianca, que muitas vezes soa parecida com a de Dean Wareham (do Luna, lembra?). O EP Reminder destaca faixas como a balada Said you loved me, then you’re gone, o punk Knives e a pesada, robótica e ritmada Like on TV, com recordações de rock inglês da Rough Trade dos anos 1980.

ESTRANHOS ROMÂNTICOS, “POR QUE VOCÊ ME TRATA ASSIM?”. O single novo da banda carioca (Victor Barros, voz; Jr Tostoi, guitarra e produção; Mauk Garcia, baixo; Luciano Cian, teclados; Pedro Serra, bateria) prepara terreno para seu quarto álbum: Por que você me trata assim? é definido por eles como “uma imersão sonora que mescla indie-rock psicodélico, post-rock pesado e James Brown”.

Os vocais, o baixo à frente e os vocais fazem lembrar bandas como Picassos Falsos – o que já traz de volta vários anos de história do rock carioca. O beat quebrado, os teclados e as distorções são pura mescla de pós-punk e psicodelia, tudo junto. E a canção ainda tem uma segunda parte bem garageira e ruidosa. Tem que ouvir.

VALE CINZA, “JÁ NÃO ME CABE ESTE LUGAR”. Essa dupla de pós-punk/darkwave diz fazer música “para quem se identifica com o peso e a beleza do silêncio, gosta de dançar e para quem busca sentido dentro do caos”. Já não me cabe este lugar, som de terror que traz lembranças infantis e recorações de crises de ansiedade, foi gravada na casa do vocalista e guitarrista Maycon Rocha, em Nova Friburgo (RJ). Ele divide a dupla com Marcelo de Souza (baixo).

“As letras falam sobre isolamento, julgamento, falta de perspectiva e a tentativa de encontrar sentido em meio a um mundo apagado e saturado de informações. É um recorte do contemporâneo, um reflexo de um tempo marcado por guerras, crises e pandemia. Apesar da atmosfera sombria, existe beleza na sinceridade e um certo acolhimento em reconhecer essas dores coletivas”, diz Maycon.

OS FUGITIVOS feat WADO E BRANDÃO, “AZUL”. Dupla de Alagoas que já havia aparecido aqui no Radar, Os Fugitivos (Nayane Ferreira e Thiago Mata) haviam composto Azul para entrar no próximo álbum, Sonhos e traumas, previsto para 2026 – mas a música foi ganhando clima diferente e vida própria. Para começar, é uma música repleta de brasilidade, indo além do soul romântico feito pelos dois – o som tem uma certa cara de samba-soul, e até de axé music, com referências confessas de Trio Ternura e Novos Baianos. Além disso, a dupla decidiu convidar dois amigos bem especiais: o também alagoano Wado e o baiano Brandão.

“Lembramos de Azul e sentimos que ela dialogava muito com a fase atual de Wado. Ambos são cantores tão expressivos que foi muito fácil encaixar as vozes. Gravamos todos por inteiro e depois definimos quem cantaria o quê na mixagem”, conta Thiago. “Todos nós temos essa brasilidade no trabalho. Samba-rock, axé, ritmos que vêm da nossa história. A combinação foi muito natural”, completa Nayane.

Crítica

Ouvimos: Jenny On Holiday – “Quicksand heart”

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Entre luto e descobertas, Jenny On Holiday estreia com synthpop e dream pop oitentista em Quicksand heart, disco íntimo sobre vulnerabilidade e prazer.

RESENHA: Entre luto e descobertas, Jenny On Holiday estreia com synthpop e dream pop oitentista em Quicksand heart, disco íntimo sobre vulnerabilidade e prazer.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Transgressive Records
Lançamento: 9 de janeiro de 2026

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“Coração de areia movediça” é uma boa metáfora para falar de profundidades sentimentais, ou de fragilidades, ou de perdas – e esses três temas surgem o tempo todo em Quicksand heart, estreia solo de Jenny Hollingworth, que faz parte da dupla de synthpop mutante Let’s Eat Grandma.

Jenny, usando hoje o alegre nome de Jenny On Holiday, passou por um acontecimento nada feliz em 2019: seu namorado morreu em 2019 de câncer ósseo. O luto chegou a fazer parte da lista de temas de Two ribbons, último álbum do Let’s Eat Grandma (2022), mas como ela própria disse num papo com o jornal The Independent, era preciso esperar até o momento em que o principal fosse se divertir fazendo música. Quicksand heart tem até um pouco de luto nas letras, mas boa parte do material fala de descobertas pessoais, tanto na vida quanto no sexo, no amor, no trabalho e em tudo que possa mexer com a vulnerabilidade.

Musicalmente, Jenny abraçou tanto a mescla de synthpop e dream pop, com teclados cintilantes e vibe oitentista evidente, que é quase impossível não pensar em Kate Bush, Fleetwood Mac e The Cure ao ouvir o disco. Essa onda surge na abertura com Good intentions, dá as caras nos riffs de guitarra e baixo da faixa-título e na vibe saturada e sonhadora de Appetite – música que fala bem diretamente sobre apetite sexual feminino, culpa e autoestima.

Every ounce of me, Pacemaker e These streets I know usam teclados gelados para falar de um mundo gelado, em que o estresse acaba virando combustível e a melancolia pode inspirar atitudes e canções. O New Order mais baladeiro e tranquilo dos discos mais recentes dá as caras em faixas como a tristonha Dolphins, além das razoáveis Push e Groundskeeping.

Nem tudo funciona 100% em Quicksand heart e dá para dizer que a segunda metade do disco traz menos canções que conquistam de cara, mas Jenny compensa na ambiência das músicas e na verdade inserida nos vocais e nas letras. O “casamento consigo própria” da capa – e vale dizer que o Let’s Eat Grandma não acabou – vem funcionando.

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Ouvimos: Julieta Social – “Julieta”

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Entre caos e conforto, o Julieta Social estreia com um pop alternativo aberto a referências, letras afiadas e climas que vão do indie ao soul psicodélico.

RESENHA: Entre caos e conforto, o Julieta Social estreia com um pop alternativo aberto a referências, letras afiadas e climas que vão do indie ao soul psicodélico.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Seloki Records
Lançamento: 30 de janeiro de 2026

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Tem muito caos, mas também tem muito conforto no som do Julieta Social – uma banda/mini-coletivo de quatro integrantes, que sempre chama convidados para participar das gravações e tenta fazer com que sua sonoridade seja a mais aberta possível. Tanto que Julieta, o primeiro álbum, pode ser definido tranquilamente apenas como música pop, ou até como pop alternativo, que aponta para várias referências e busca não facilitar tanto as coisas para quem ouve.

Julieta é o disco do single Casos de Colômbia, que assume referências de Radiohead e Chico Buarque, mas também mistura emanações de Arctic Monkeys e guitarras em clima de blues pós-punk. A faixa tem participação de Mariana Estol nos vocais, e uma letra que mete o dedo na ferida das expectativas que, muitas vezes, não representam nada (“nunca que você vai encontrar dentro do armário / algo lendário, é tudo vestuário / sabe aquela luz que a gente vê de madrugada / é quase nada, mas satisfaz a alma”).

Abrindo o disco, Casos de Colômbia serve de balizador para faixas poéticas como o soul psicodélico de Nuvem nua, o easy listening esparso de Dorme pra ver se me esquece, o pop rock radicalmente brasileiro de Quem nunca quis demais e Um tempo pra pensar – estas duas lembrando um pouco o som praiano de Lulu Santos e Charlie Brown Jr. Também cede espaço para a vibe sixties de Ce la vie e para o clima alt-disco de Como te dizer, que traz lembranças de Arctic Monkeys, Khruangbin e Mamalarky.

Do meio pro fim do disco, o Julieta Social aposta numa vibe indie-pop que tem muito de Tim Maia (Rubbish shuffle), em climas sonhadores e existenciais (Astronauta, Fome) e num bloco dançante com guitarra base e baixo à frente (Poodle marciano), que serve como demonstração de possibilidades instrumentais do grupo. Em meio a tantas ideias, o Julieta Social faz de seu primeiro álbum uma celebração das incertezas – e da beleza que nasce delas.

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Ouvimos: Just Mustard – “We were just here”

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Shoegaze fantasmagórico e gótico: o irlandês Just Mustard mistura ruído, poesia e psicodelia em We were just here, disco que foge de rótulos.

RESENHA: Shoegaze fantasmagórico e gótico: o irlandês Just Mustard mistura ruído, poesia e psicodelia em We were just here, disco que foge de rótulos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Partisan Records
Lançamento: 24 de outubro de 2025

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Shoegaze e rock gótico são primos bem próximos, mas em vários momentos, é comum que bandas curtam misturar nuvens de guitarras e climas ensolarados – como se o sol fosse sair a qualquer momento. O grupo irlandês Just Mustard, que tem na voz de Katie Ball uma de suas maiores armas e atrativos, opera numa onda de shoegaze fantasmagórico, como se as microfonias e saturações servissem mais para confundir do que para explicar.

A opção da banda vem dando tão certo que eles já foram escolhidos pelo The Cure para abrir shows, e em We were just here, seu terceiro disco, escapam completamente de qualquer rótulo musical unindo vários elementos. Pollyanna, na abertura, poderia até ser uma canção do The Cure ou até do Jesus and Mary Chain: tem início ruidoso, bateria maquínica, teclados, ruído de vento – como se algo cobrisse tudo – e vocal doce, quase bossanovístico. A letra dessa música, assim como de boa parte do disco, é um primor de poesia e contemplação: “quando você vai brincar / onde os pássaros mais doces choram? / estou vendo, não sonhando / estou vendo, não sonhando agora”.

  • Ouvimos: Equipe de Foot – Small talk

Não é escapismo, já que parece um doce encontro com a realidade. E que surge também na viagem sonora fantasmagórica de Endless deathless, no quase trip hop + shoegaze de Silver (cuja letra absolutamente psicodélica diz: “luzes prateadas dançando ao redor do seu rosto / não consigo acompanhar o ritmo”) e no dream pop tranquilo de Dreamer. Já a faixa-título é quase hi-NRG, dançante, com início eletronificado e synthpopizado, só que tudo bastante sonhador e psicodélico – encerrando com uma rajada de microfonia daquelas.

Uma ouvida com atenção no Just Mustard revela que o som deles tem bastante a ver com uma certa onda que tomou conta do rock inglês e norte-americano nos anos 1980. Foi quando de uma hora para outra começaram a falar em neo-psicodelia e várias bandas apareciam unindo climas pós-punk a vibrações bem sixties – bandas como Primal Scream, The Pastels e até mesmo o Jesus and Mary Chain tinham a ver com isso.

Essa onda surge no clima enevoado, quase como se você tivesse dificuldade para enxergar na neblina, de Somewhere. Também está no drone, que chega a lembrar uma orquestra se aquecendo, que toma conta de The steps. Por outro lado, We were just here é inteirinho baseado numa espécie de som de ferro rangendo, que aparece em várias faixas, e ganha mais espaço em Out of heaven, a última faixa. Um lado pós-punk também vai surgindo em canções como Dandelion e That I might not see. Essas faces, juntas e equilibradas, formam o clima sonoro de uma das bandas mais legais da atualidade.

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