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Radar: Lifeguard, Kate Moth, Fin Key, David Byrne, Raging Lines, Ca7riel e Paco Amoroso

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LIFEGUARD, “ULTRAVIOLENCE”. Como vai ficar isso, não temos a menor ideia, mas a ruidosa banda norte-americana Lifeguard anuncia para o ano que vem um maxi-single com 11 faixas e 13 minutos de duração

E lá vem o Radar internacional, o primeiro da semana – é sempre terça e quinta. Hoje a gente abre com barulho, já que o Lifeguard, banda bastante ruidosa, tá com lançamento novo. Mas a música pop e o pós-punk também marcam presença. Ouça e repasse.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Lifeguard): Reprodução Bandcamp

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LIFEGUARD, “ULTRAVIOLENCE”. Como vai ficar isso, não temos a menor ideia, mas a ruidosa banda norte-americana Lifeguard anuncia para o ano que vem um maxi-single com 11 faixas e 13 minutos de duração (!). Se a Ethel Cain lançou um EP com mais de uma hora, por que não o Lifeguard? Ultra violence / Appetite teve a faixa Ultra violence já revelada: três minutos de ruído herdado do pós-punk e do dub. Segundo a banda, é “música rápida e automática, livre de imersão, processamentos, excesso de reflexão ou qualquer outra hesitação” (e nós resenhamos o álbum Ripped and torn aqui).

KATE MOTH, “OVERNIGHT SENSATION”. Tá aí uma banda novíssima. O Kate Moth vem da Austrália (a definição deles no Spotify é impagável: “Kate Moss com um problema de dicção”), acaba de lançar seu primeiro single – este Overnight sensation – e faz pós-punk com um algo mais. O tal “algo mais” é um cuidado quase bossanovístico com a melodia, cheia de surpresas, além de um riff ágil de baixo que é quase darkwave. A música já tem clipe.

FIN KEY, “DAYS”. Mais uma banda novíssima da Austrália, que surge unindo pós-punk e estileira indie rock dos anos 2000 – além de guitarras e beats que lembram The Cure. “Fazemos indie rock quando não estamos surfando, acampando ou perdendo equipamento de turnê na carroceria da caminhonete de alguém”, brincam. Days é a primeira música lançada deles.

DAVID BYRNE feat BRIAN ENO, “T-SHIRT”. A participação de Eno no novo single de Byrne é inegável – ele é co-autor da faixa, e dá para perceber sua assinatura em vários momentos da música. É o primeiro lançamento de Byrne desde o disco Who is the sky?, lançado há alguns meses (e devidamente resenhado pela gente aqui). T-shirt também é uma música que David vem apresentando em sua turnê e que permanecia inédita em disco. O release define a canção como um “electro-pop”, mas musicalmente ela é um rock ligadíssimo ao pós-punk e à estileira dos próprios Talking Heads, banda de Byrne. O clipe traz uma camiseta na qual vão surgindo vários slogans diferentes, dos mais positivos aos mais sarcásticos (eu quero a do “diga talvez às drogas”).

Tom Breiham, no site Stereogum, deu a localização da música no show de Byrne, e fez uma interpretação bem particular de T-shirt. “Durante seus shows ao vivo, Byrne e sua banda tocam em frente a uma montagem de slogans de camisetas”, contou. “A plateia vibra quando vê um verso de que gosta, mas a intenção de Byrne parece ser mostrar que essa é uma forma ridícula de os seres humanos se conectarem uns com os outros. Pelo menos, foi essa a minha interpretação”, continou.

RAGING LINES, “LET ME HAVE THIS MOMENT”. O norueguês Sondre Thomassen Thorvik, 23 anos, é o criador desse projeto musical que vai lançar seu primeiro álbum em fevereiro de 2026, e que combina guitarra, teclados e voz sombria – numa onda tão próxima da darkwave quanto do pós-punk. Na romântica Let me have this moment, a voz de Sondre lembra a de um sujeito bem mais velho – parece uma mescla de Leonard Cohen, Bryan Ferry e Nick Cave.

CA7RIEL E PACO AMOROSO, “GIMME MORE”. O duo argentino teve cinco indicações e papou cinco prêmios no Grammy Latino desse ano. E não foi só isso: os dois apresentaram na premiação um medley em que apareciam em duas montanhas gigantes – cenário inspirado no icônico chapéu azul de Paco e no colete de corações de Ca7riel de sua sessão no Tiny Desk.  Gimme more, música nova dos dois, fala de ambição pelo sucesso, festas de arrepiar, gastança de grana e ostentação desmedida, na base do “ah, isso que a gente conquistou não é nada, você vai ver”. No clipe, isso tudo aí se junta à destruição (serinho) do cenário do tal show no Grammy Latino. Irresistivelmente dançante, Gimme more anuncia a chegada do próximo álbum do grupo, Top of the hills.

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Crítica

Ouvimos: Douglas Germano – “Branco”

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Em Branco, Douglas Germano mistura samba, Nordeste e experimentação para cutucar a elite: disco político, inventivo e feito para provocar.

RESENHA: Em Branco, Douglas Germano mistura samba, Nordeste e experimentação para cutucar a elite: disco político, inventivo e feito para provocar.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Independente
Lançamento: 19 de setembro de 2025

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“A Zelite não gosta de forró/ A Zelite no samba, que caô”, diz Zelite, samba nordestino do novo disco do paulista Douglas Germano, Branco. A elite (que surge na faixa como trocadilho) fecha os olhos para estilos como o piseiro e para as renovações da música nordestina – mas cai dentro do que pode ser considerado cult, do que tem passe livre. A mesma elite que…

Bom, milhares de eventos poderiam ser citados aqui, mas vale dizer que Branco, novo disco de Douglas, é tudo ao mesmo tempo: experimentação, samba, nordeste, dedo na cara, verdades nada secretas. Douglas disse (num papo com ninguém menos que Tárik de Souza) ter feito tudo sozinho no estúdio, com alguns convidados e parceiros (Luiz Antonio Simas, Roberto Didio e Alfredo Del Penho entre eles), e que decidiu usar instrumentos de percussão onde eles necessariamente não seriam usados.

Com um clima sonoro que soa primo simultaneamente de Tom Zé e João Bosco, Douglas abre Branco com Na ronda, samba de umbanda com sons rangendo em meio aos acordes, ruídos que lembram algo trilhado no aço. Zelite, além de desmascarar pessoas, cria imagens (“surfista de trem faz vagão virar mar”), enquanto a ágil Tudo é samba, com Loretta Colucci nos vocais, lembra algo feito para Elis Regina. Ramo tem orações e diálogos entre o narrador e uma rezadeira, e a percussiva Ruge leão, troveja Xangô ganha ares de samba-enredo. Uma das faixas que mais ganharam beleza com o coral de dez integrantes que surge no disco.

Mais climas nordestinos surgem em Ode do pode ou não pode, 19 de março e nas evocações de Lenine na melodia e no arranjo de Xaxará. Bala perdida é um samba sombrio, comparando traçantes a luzes na escuridão, enquanto Desbancando Gordon Banks é um samba agitado, cuja letra visita vários mundos ao mesmo tempo. Uma surpresa é Branco, ijexá tocado no piano – cuja mixagem destaca o instrumento como condutor das melodias.

E já que as plataformas digitais não dão ficha técnica, não tem problema: Branco é encerrado com Branco áudio encarte, trazendo todos os créditos do disco em meio a violão e percussão. O fim de um disco feito para cutucar consciências.

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Crítica

Ouvimos: These New South Whales – “Godspeed”

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Godspeed mostra os australianos do These New South Whales fazendo um caldeirão de punk: pós-punk, Ramones e anos 1990, som instintivo, cheio de referências.

RESENHA: Godspeed mostra os australianos do These New South Whales fazendo um caldeirão de punk: pós-punk, Ramones e anos 1990, som instintivo, cheio de referências.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 28 de novembro de 2025

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Vindo da Austrália, o These New South Whales faz parte de uma geração mais recente do punk – na qual entram também grupos como Home Front e Spiritual Cramp. No caso deles, que lançam agora o quarto álbum, Godspeed, o resultado está mais para um cozidão bem feito e bem atualizado de referências. Ainda que até faça falta a procura de uma onda mais inovadora (território, por sinal, do Home Front), é um som mais instintivo – por sinal, Instinct, segunda faixa de Godspeed, tem guitarra estiligando e sonoridade que une Iggy Pop e Ramones.

A romântica Miss her varia entre pós-punk e Buzzcocks + Ramones. Big machine (a melhor do disco e a que tem mais cara de hit) e R.I.P. me aludem à nova leva de bandas pós-punk. Músicas como a faixa-título e Ecstasy aludem ao rock dos anos 1990, unindo punk, grunge e evocações de Pixies e Therapy?, enquanto a ágil Birdbrain alude a T.S.O.L. e a New Model Army.

Uma curiosidade em Godspeed é Nobody listens, uma espécie de punk sofisticado levado adiante por piano, voz e cordas, e que faz lembrar Changes, hit do Black Sabbath. Já as letras do álbum seguem o mesmo esquema de apelo aos instintos, recomendando mandar um foda-se para as expectativas alheias (Be what U wanna be e justamente Instinct), afastar FDPs de plantão (R.I.P me e a faixa-título) e coisas do tipo. O fato de unir referências e fases do estilo faz o TNSW soar às vezes como uma colcha de retalhos punk – mas os acertos são maiores.

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Crítica

Ouvimos: Jubba – “Caminhos tortos” (EP)

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Jubba estreia com o EP Caminhos tortos, lo-fi e shoegaze à la Mac deMarco e DIIV, transformando inquietações em canções deprês e sensíveis.

RESENHA: Jubba estreia com o EP Caminhos tortos, lo-fi e shoegaze à la Mac deMarco e DIIV, transformando inquietações em canções deprês e sensíveis.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Slowrecords
Lançamento: 28 de novembro de 2025

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Inspirado em nomes como Mac deMarco e nos cenários lo-fi e shoegaze dos anos 2010 – e volta e meia lembrando a música de bandas como DIIV – Jubba estreia no EP Caminhos tortos pondo música e barulho em deprês, inquietações e altos e baixos pessoais.

O conceito do disco é basicamente a busca de caminhos pessoais, ainda que de forma totalmente distante dos padrões. Tanto que a abertura é com os ruídos e o beat eletronico leve de Ode aos esquisitinhos, música de versos como “eles esperam que eu caia / que eu fique na merda pra sempre” e “não vou mais fingir quem sou”. Climas deprês e vibes da “vida de artista” surgem em Empregos reais, balada de guitarra e de percussão eletrônica, que acaba ficando próxima do pós-punk e do eletrorock, com direito a citação de Teatro dos vampiros, da Legião Urbana.

Há algo de Legião também em Flores no meu quarto, música com beat eletrônico seco, que depois vira algo quase ambient, com guitarras e teclados – quase na cola do final de Fábrica, penúltima música do segundo álbum do grupo, Dois (1986) – e cuja letra fala sobre beleza na amargura e no isolamento. Sensível ganha ares de trip hop, com direito a uma segunda parte bem mais hipnótica. Climas herdados do hip hop lo-fi surgem nos efeitos sonoros de A sensação. No final, a triste balada experimental Eu não sei dizer adeus propõe seguir em frente.

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