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Cultura Pop

Quando Nirvana gravou Velvet Underground

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Quando Nirvana gravou Velvet Underground

Um dos grandes calcanhares de aquiles do Nirvana no começo da carreira, pelo menos de acordo com Kurt Cobain, era a gravação de bateria. A biografia Mais pesado que o céu, escrita por Charles R. Cross, diz que no dia 3 de abril de 1990, ainda com Chad Channing nas baquetas, o grupo fez suas primeiras gravações com Butch Vig na produção, e que Kurt ficou feliz pelo fato de o produtor – que, afinal, era um baterista – ter conseguido dar ao instrumento a sonoridade que ele achava que seria ótima para uma gravação da banda.

Essas sessões quase foram o comecinho de um segundo LP da banda pela Sub Pop, depois descartado porque o Nirvana foi contratado pela Geffen. Mas no Smart Studios, ficaram gravadas cinco canções que sairiam em Nevermind. Pay to play reaparecia no disco como Stay away. Breed escapou por pouco de se chamar Imodium, remédio que o amigo Tad Doyle, da banda Tad, tinha usado durante um tempo para diarreia. In bloom também estava nessa lista e foi gravada lá.

MASSAS

Nevermind, pela concepção inicial de Kurt, se chamaria Sheep (ovelha), uma brincadeira cruel com as massas que possivelmente comprariam o disco. Isso, evidentemente, antes da Geffen contratar a banda. Butch chegou a enviar a fita com as gravações feitas no Smart Studio para a Sub Pop, ainda que a banda não estivesse com muita vontade de ficar no selo. Pouco depois, Chad já não estava mais na banda e o Nirvana estaria bastante irredutível em lançar um disco novo pela gravadora – apesar do nome “Sub Pop” aparecer até nos créditos de Nevermind.

Das sessões do Smart, constava também uma versão feita pelo Nirvana de Here she comes now, do Velvet Underground. A capa, que você vê abaixo, era essa gozação bacana aí com o lay out de White light/White heat, segundo disco do Velvet Underground, de 1968.

Quando Nirvana gravou Velvet Underground

A releitura da banda é dois minutos maior que a original e bem mais explosiva, começando no mesmo clima “canção de ninar” do arranjo do Velvet, mas prosseguindo com uma batida bem mais energética e com os urros de Kurt. Curiosamente, dá a entender o quando os riffs de Lou Reed inspiraram canções do Nirvana como All apologies.

SINGLE COM MELVINS

A versão do Nirvana não fez parte de Nevermind – só da reedição de vinte anos do disco, lançada em 2011. Naquele mesmo ano de 1990 ela foi licenciada para o disco Heaven & hell – A tribute to Velvet Underground, lançado pelo selo americano Immaginary Records. O álbum saiu em três volumes e tinha Fatima Mansions relendo Lady Godiva’s operation, Lee Ranaldo gravado Stephanie says, Screaming Trees tocando What goes on e outras coisas.

Mas a Sub Pop, quando o Nirvana já estava na Geffen, lançou um split single da banda tocando Here she comes now com os Melvins tocando outra do Velvet, Venus in furs. Olha o single inteiro aí.

Mais Nirvana no POP FANTASMA aqui.

Tem conteúdo extra desta e de outras matérias do POP FANTASMA em nosso Instagram.

 

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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