Cultura Pop
Quando Genival Lacerda botou Maradona e Madonna numa música (?)

As recentes confusões que rolaram entre os nomes do já saudoso jogador Maradona e da cantora Madonna já estavam resolvidas por causa de uma canção de ninguém menos que Genival Lacerda (!). Genival, nascido em Campina Grande (PB) em 1931, é um artista que o jornalismo musical pop ainda não descobriu de fato. Começou a gravar ainda na Paraíba, na era dos 78 rotações e, ao encontrar com ninguém menos que Ary Barroso, resolveu ir para o Rio de Janeiro tentar a sorte.
Genival Lacerda chegou na cidade maravilhosa no dia 31 de março de 1964 e pensou que estava no meio de uma guerra. Nada disso: era “só” o golpe militar, que colocara canhões e tanques nas ruas. Mas aí é que sua carreira iria mudar, com shows em casas de forrós e contratos um pouco melhores com gravadoras. Em 1966, lançou até um disco pela grandalhona Polydor (Este é o “cobra” do Norte), em que se autodenominava “o rei da munganga” e apresentava músicas como Avião peneirador, Caixinha de rapé e Lá vem o boi.
Não chegou a fazer um sucesso enorme, mas abriu espaço para Genival no mercado fonográfico, no universo dos espetáculos do eixo Rio-SP e na televisão. Aliás, Genival chegou a gravar, em 1970, um LP no esquema “música e esquetes de rolar de rir”, ao lado de Lúcio Mauro, As trapalhadas de Cazuza e Seu Barbalho. Era um quadro que os dois chegaram a fazer na TV. Esse disco está no YouTube.
DE OLHO NA BUTIQUE
O sucesso no Brasil inteiro só viria para Genival em 1975, quando um compositor chamado João Gonçalves (nascido também em Campina Grande) bateu na porta da casa dele dizendo que tinha uma música para ele gravar, mas que Jackson do Pandeiro havia recusado a canção.
Genival ouviu a tal canção, Severina Xique-Xique (a do “ele tá de olho na butique dela”). Ficou meio desconfiado, mas ainda assim disse que ia ficar com ela, “mas ia dar uma meia-sola na música” antes. Levou a música no programa de Adelzon Alves na Rádio Globo e ouviu dele que “ia ser o maior sucesso”. Gravou na Copacabana e disse ter contado com o descrédito da gravadora, que não achava que a canção ia vender nada. “Em quinze dias vendeu 32.500 exemplares. Acho que foi o disco que mais vendeu na minha vida. Quando eu fui ver, a vendagem já estava em 300, 400 mil discos”, chegou a contar.
GENIVAL POP
Genival Lacerda passou vários anos fazendo sucesso em programas populares e emplacando hits de duplo, triplo e quádruplo sentido, como Radinho de pilha (a do “ela deu o rádio”), O chevette da Ivete e Rock do Jegue. Em janeiro de 1991, graças à iniciativa de ninguém menos que Carlos Eduardo Miranda, foi parar numa seção de curta duração da Bizz, “Exóticos”, ao lado de ninguém menos que Damião Experiença.
Lá, contou as histórias de sua longa carreira musical, disse que “viu tudo cair, menos o samba e a música nordestina” e mostrou estranhamento com a moda da lambada. “Uma dança da moléstia do cachorro, que a mulher se esfrega nas coxas do homem, que Deus me defenda, que chego a ficar com a baba caindo quando vejo um negócio daquele. Eu faço que nem o Jô Soares, só danço lambada deitado”, afirmou.
E também anunciou sua mais nova composição, que “falava do Maradona e da Madonna”. Olha aí.

ESSA MÚSICA SAIU?
Sim. A canção lançada com exclusividade na matéria de Miranda apareceu gravada no disco Aqui só tem forró (1991), com o nome de As estrelas no forró.
A parceria de Genival Lacerda e do mesmo autor de Severina Xique-Xique, João Gonçalves, ganhou algumas modificações na letra para aparecer em disco. Ainda incluía outros nomes na lista: Paul McCartney, Ringo Starr, Marcelo Nova. Aliás, também tirava um sarro mortal dos grupos de lambada e das duplas sertanejas (que já estavam inseridas no mercado de festas juninas, por acaso), dizendo que ia convidar os lambadeiros para “o cabo da enxada ou arrancar toco de mão” e que “essas duplas de caipira duram pouco/vem tirar palha de coco pra fazer um carroção”.
Pega aí.
Aliás, recentemente Genival, que andou enfrentando problemas de saúde, fez uma live.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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