O guitarrista Gimme Mandrix conta que o nome da banda Caverjets – uma formação carioca bem recente, surgida em 2019 – tem uma origem bem sui generis. “É uma junção do prefixo ‘caver’ de caverna e o sufixo ‘jets’, que se refere aos motores a jato que impulsionam os aviões. Numa analogia então, nosso som impulsiona o ouvinte para fora da caverna – evoco a Platão aqui – para que numa tentativa de elucidação supersônica, tanto na letra quanto no instrumental, possamos passar a mensagem caverjética que o Brasil precisa”, conta ele, que divide a banda com Xandão do Rock (voz), Vitega (baixo, backing vocal), Livio (bateria) e Tainá Garmendia (vocal).

A “mensagem caverjética” do grupo, cujo som tem origens no punk, no blues e até no rockabilly, é o que marca o mais novo single do sexteto, Prato do dia, que tenta condensar todas as bizarrices políticas que o Brasil tem vivido desde as eleições presidenciais de 2018 (além de alguns golpes anteriores).

“São tantas as bizarrices que acontecem diariamente no nosso país, que é impossível tratar de tudo numa música, acho que nem em um álbum inteiro”, brinca o vocalista Xandão. “Fiz bastante uso do deboche e de metáforas sarcásticas desde a barata que vive no lixo, ate a formiga trabalhadora, passando pelo grilo que não quer nada com política e nem vota. A escolha foi o inseticida então todo mundo morreu. Seja caviar, mortadela ou coxinha, o prato do dia é toda a população”.

POLÊMICA!

Não é a primeira vez que o Caverjets, por sinal, toca em temas polêmicos e sacaneia coisas de política. A banda já lançou Pequenas igrejas, grandes negócios. Aliás, o grupo, que chegou a tocar na Marcha da Maconha em Campos dos Goytacazes (RJ), também fez sua homenagem à erva em Uzbequistão – música que ganhou outro clipe bem gozador, feito na quarentena.

“Essas músicas são reações às insatisfações sociais, antropológicas, dionisíacas e políticas que vêm acontecendo desde 2013”, conta Gimme. Algum hater mais religioso ficou puto com a letra de Pequenas igrejas? O músico diz que houve reações de todo tipo. “O conteúdo literário dessas músicas mexe numa questão muito enraizada aos ‘valores’ e à ‘moral’ do Brasil, afinal os jesuítas cansados após terem enfrentado o oceano em caravelas não imaginariam que teriam todo aquele trabalhão pra 500 anos depois uma banda de rock chegar e…”, brinca. “Mas ganhamos alguns novos fãs, como o Márcio Vaccari que fez a capa do nosso último single”.

DISCO

O grupo tem um disco prontinho, gravado no mitológico estúdio carioca Toca do Bandido, O manifesto caverjético. “Ele sai no dia D e na hora H. Foram três dias intensos de gravações”, brinca Tainá. Xandão esclarece que os tais dia e hora devem rolar em março, quando ficar pronto o clipe de A grande mentira, que é uma continuação de Prato do dia. O atraso de lançamento do álbum de um ano: o disco ficou pronto em fevereiro de 2020 e era para ter saído no mês seguinte, mas aí veio uma pandemia aí. O grupo chegou a pensar em esperar a vacina.

“Mas por fim chegamos a conclusão de que se não lançarmos o quanto antes os temas e nossa mensagem caverjética abordados nas musicas não estará disponível aos nossos ouvintes no tempo certo que é agora”, conta o vocalista. Tainá lembra guardar ótimas lembranças do Toca do Bandido. “Nos sentimos confortáveis em gravar num dos melhores estúdios do Brasil. Isso ajudou muito para que além de reproduzir o que havíamos estabelecido na pré-produção, pudéssemos criar dentro daquele ambiente único”, conta.

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