Crítica
Ouvimos: Kali Uchis, “Orquídeas”

- Orquídeas é o quarto disco (e o segundo álbum a unir inglês e espanhol) da cantora norte-americana de origem colombiana Kali Uchis. O álbum tem participações especiais de Peso Pluma, El Alfa, JT, Karol G e Rauw Alejandro.
- Em 2022, Kali havia anunciado que tinha dois discos prontos, um em inglês e outro em espanhol, e em 2023 soltou o single Muñekita, em espanhol, gravado ao lado do rapper dominicano El Alfa e da rapper norte-americano JT, da dupla City Girls. Igual que un ángel está programada para sair em single no dia 1º de fevereiro.
- Em entrevistas recentes, como nesse papo com a Rolling Stone, Kali tem falado a respeito de como acredita ser difícil colocar seu trabalho em caixinhas e que se vê como artista “multidimensional”. “Acho que é difícil para as pessoas entenderem como vão me vender como um produto”, conta.
Quem encara o pop do século 21 com reservas, mas curte Amy Winehouse, artistas de neo-soul e qualquer coisa pop que parece influenciada por sons vintage, não vai se arrepender se der uma olhadinha na discografia, ainda diminuta, de Kali Uchis. A quantidade de referências que ela une em sua música pode fazer sentido inclusive para fãs de Prince – por acaso, a capa desse novo disco Orquideas lembra, de longinho, a de Lovesexy, disco de 1988 do cantor. E faz igualmente sentido para quem vem acompanhando a carreira da espanhola Rosalía. São cantoras que vêm de culturas e mercados diferentes, mas que soam como um “para quem gosta de…” num país ainda (infelizmente) pouco chegado a novidades do idioma espanhol, como o Brasil.
Orquídeas é marcado por uma sonoridade moderna e latina: após lançar discos em inglês, Kali decidiu misturar inglês e espanhol em seus álbuns (uma ousadia em se tratando do mercado norte-americano). No caso do novo disco, o idioma aberto e democrático da house music serve como um abraço sonoro a outros estilos. Em poucos minutos você acha canções soul-psicodélicas e sons unindo funk, reggaeton e ritmos afro-cubanos em geral.
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Quem está com o inglês e o espanhol em dia, e tem um certo fraco pela (digamos) paixão latina, vai se divertir com as letras de Orquideas. O bolero-pop Te mata inverte a ordem comum das letras do estilo: a personagem da letra é uma mulher que se livra de um amante egoísta e tripudia sobre ele. Pensamientos intrusivos une versos em inglês em espanhol num som dançante com cara de pós-disco feita nos anos 1990. Muñekita é pop latino moderno, com sonoridade da República Dominicana.
Young, rich & in love, unindo também os dois idiomas, tem safadeza de trap e funk carioca (“em cima de você/cavalgo até o pôr do sol”), mas sem a dureza dos batidões – diluída em sintetizadores e ecos. Heladito responde pelo lado quase neo-soul do disco, e Igual que un ángel (gravada com o cantor mexicano Peso Pluma) cai numa onda quase synth-pop, tudo unido com a latinidade pop da cantora. Por sinal, Kali tem razão quando diz se enxergar como uma artista multidimensional, e isso fica claro em Orquídeas, uma surpresa pop bacana no começo de 2024.
Nota: 8
Gravadora: Geffen.
Foto: Reprodução da capa do álbum.
Crítica
Ouvimos: Makeshift Art Bar – “Marionette” (EP)

RESENHA: Makeshift Art Bar mistura jungle, industrial, ska e eletrônica pesada em Marionette, EP intenso, caótico e cheio de tensão.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Heist or Hit
Lançamento: 26 de junho de 2026
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Vindo da Irlanda do Norte, o Makeshift Art Bar é uma banda interessada em porrada, caos e ousadia: Marionette, o segundo EP, une sons eletrônicos e peso sem soar parecido com o Ministry ou com qualquer outra banda craque do estilo.
O som de faixas como Chocolate é basicamente um jungle distorcido e imagético, gravado como se fosse uma trilha de filme – dá para imaginar uma pista de dança escura bombando. Crows é um blues industrial porradeiro, em que o ritmo parece dado por várias correntes rangendo, enquanto a letra fala sobre incertezas e falta de paz.
- Ouvimos: Data Animal – Future of ghosts
Marionette é um EP curtinho, com duas faixas em cada metade. Discipline tem ares de Laibach e de Alien Sex Fiend – une música sombria, clima hi-energy, peso e ondas de pavor. Servant, no final, é um ska demoníaco e pesado, em que temas como controle mental e manipulação se tornam cada vez mais apavorantes.
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Crítica
Ouvimos: Bleeder – “Marble station” (EP)

RESENHA: Bleeder une pós-punk, post-rock e experimentalismo em Marble station, EP que transforma duas covers em viagens sonoras densas e sombrias.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Escho
Lançamento: 5 de junho de 2026
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Direto da Dinamarca, o Bleeder é o projeto musical de Peter Peter, mais conhecido como autor de trilhas de filmes de ação e crime. No EP Marble station, ele se cerca de amigos, como Elias Ronnelfelt (do Iceage), para unir pós-punk e experimentalismo roqueiro histórico.
Marble station tem quatro faixas, mas o clima é de ocupação sonora, abrindo com a faixa-título. São nove minutos de música em que as guitarras vão tomando conta de um jeitão até meio emo – mas com piano luminoso e clima perdido, quase de post-rock, em que o peso vai chegando aos poucos. Here comes the dead, a outra autoral do álbum, é metal post-rock, em clima sombrio e sonhador.
O repertório de Marble station é complementado por duas covers. Boy / girl, de Lydia Lunch, vira hardcore ruidoso e eletrônico, com ares de Ministry, mas ganhando até uma percussão. If not this time, música da pioneira banda experimental estadunidense Fifty Foot Hose, é psicodelia sombria sessentista. Loucura sonora mapeada.
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Crítica
Ouvimos: Jokas – “Ispiridiguiberto”

RESENHA: All Jokers vira Jokas e lança Ispiridiguiberto. São 16 minutos de punk e hardcore irônicos, pesados e maduros, entre zoeira, crítica e boas melodias.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Lixo-O-Rama Discos
Lançamento: 28 de junho de 2026
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Falamos outro dia de um álbum de onze minutos, mas tá aí a banda paulista Jokas quase na mesma linha. Ispiridiguiberto, o primeiro álbum do grupo, tem oito faixas e uma duração pouca coisa menos extravagante (16 minutos) que Magazine, o tal disco curto do YHWH Nailgun. O Jokas, que vem de Campinas (SP), é “das antigas”: é o clássico grupo punk All Jokers com outro nome, mas com a mesma receita irônica e ruidosa.
Ispiridiguiberto, primeiro álbum com o nome novo, oscila entre punk californiano e hardcore para falar de vida no limite (Vida de doidão), ruindades do mundo (Fuck this shit, a faixa-título), amores (She couldn’t wait, em clima meio The Clash, meio NOFX). Tem zoeira em tom surf-punk, A bosta, e hardcore em clima guerrilheiro, Come join us – completando com a beleza punk de Goodbye, grey sky e Sweet perfection. Som com peso, vocais bacanas e maturidade nas composições.
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