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Crítica

Ouvimos: Ian Sweet, “Sucker”

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Ouvimos: Ian Sweet, "Sucker"
  • Sucker é o quarto disco de Ian Sweet, projeto da californiana Jilian Medford, e segundo pelo selo Polyvinyl. O disco foi produzido por Ian ao lado de Alex Craig e Isaac Eiger. Para todos os efeitos, o álbum é catalogado como “indie folk” e “bedroom pop”.
  • O disco foi escrito e gravado por ela no Outlier Inn, um estúdio localizado em uma fazenda no interior do estado de Nova York. Segundo ela disse à Rolling Stone, estava doida para se isolar e deixa a Califórnia, após o fim de um relacionamento.
  • No disco anterior, Show me how do you disappear (2021), Jilian havia participado de um programa de terapia para ansiosos – fato bastante explorado em entrevistas. No novo disco, certos momentos de detonação serviram de inspiração, em faixas como Smoking again. “É um hino sobre autodestruição, mas não ficar bravo consigo mesmo por causa disso e entender que todos nós fazemos isso”, conta.

O papo em Sucker parece irônico – mas só parece. É sério, reto, com pouco latim (pouco inglês, enfim) gasto à toa. Ian Sweet, pseudônimo de Jilian Medford, fala de sentimentos bem complexos no disco novo, mas faz isso de uma maneira em que tudo parece mais como uma daquelas seleções de tweets feitos pelo Chico Felitti ou pelo Sebastião Salgados.

Parece mais ou menos tranquilo, mas é nesses momentos em que a porca torce o rabo: quando o tema de uma música as dúvidas que aparecem com uma nova paixão (Your spit), ou o ato de cortar a franja para tentar mudar o astral e extravasar a tensão, ou o fracasso na tentativa de parar de fumar (ambos os temas no single Smoking again). Ou o sumiço estratégico após perceber que as tentativas falar com um contatinho não dão em nada (Emergency contact). Ou as ansiedades no pós-pandemia, que parecem ser o tema real de Sucker, um disco de “cabeça para fora” num momento em que todo mundo está se reacostumando a viver como antigamente – e nunca vai ser de verdade como antigamente. Ainda que haja canções de amor bem desesperadas, como Slowdance e Hard, sempre olhando a vida pela ótica de quem vê os amores mais superficiais se afastando o mais rápido possível.

Quanto ao som de Ian, vale informar: Jilian é fã de Coldplay – inclusive disse à Rolling Stone que tirou uma foto com Chris Martin quando dividiu o palco com ele num Saturday night live. Um/uma artista indie que ama o verdadeiro Holiday On Ice musical que é a banda de Yellow pode parecer estranho, claro. Mas é o lado mais ambient do grupo que surge como influência aqui, unido com um clima meio ASMR nos vocais e programações. Vale dizer que Jillian se dá melhor nos sons dançantes e com certa cara shoegazer, como a própria Smoking again.

Nota: 7,5
Gravadora: Polyvinyl

Foto: Reprodução da capa do álbum.

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Ouvimos: Martin Carr – “What future”

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Resenha: Martin Carr – “What future”

RESENHA: Martin Carr troca o britpop dos The Boo Radleys por eletrônica, dub e experimentalismo político em What future.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Sonny Boy Records
Lançamento: 1 de maio de 2026

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Principal letrista dos Boo Radleys até 1999 (ano em que deixou a banda), Martin Carr lembra bem pouco o som do grupo em seu trabalho solo – que é predominantemente eletrônico e experimental. What future, o novo álbum, segue a trilha do radicalismo sonoro e da porrada política, misturando notícias de TV, gravações aleatórias, beats eletrônicos e ondas que chegam perto do reggae e do dub. Ele diz inclusive que o disco surgiu da necessidade de mostrar em vez de contar, e que percebeu que suas letras sempre foram sobre a mesma coisa.

Martin passou um bom tempo trabalhando com trilhas pra TV e dá pra sentir um pouco disso no clima telejornal de Amerikkka is not your friend, tema eletrônico e experimental que ganha ares de dub e post rock, e no loop de percussões e sons melódicos de Canton rockers. Connie Converse is playing at my house, por sua vez, abre lembrando um teste sonoro, mas vai ganhando um beat de soul andarilho, e uma onda de beleza musical do meio para o fim. Diana F e Hex vão do pot rock eletrônico ao blues infernal e distorcido.

What future tem ainda as sombras e luzes de In the hall e New Brighton Baths 1983, mas une dub, ambient e festa soul em She came in through the Overton window e Strange now, encerrando com o synth-não-pop da faixa-título, uma música dançante e fria. Mal dá pra reconhecer o britpop dos Boo Radleys aqui, e Martin Carr busca um caminho bem novo pra sua música.

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Ouvimos: Ghost Valley – “Ghost Valley” (EP)

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Resenha: Ghost Valley – “Ghost Valley” (EP)

RESENHA: Post-rock minimalista e doce: Ghost Valley mistura ambient, pós-punk e synth pop em climas belos e hipnóticos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Bud Tapes
Lançamento: 4 de abril de 2026

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“Vale Fantasma” é um ótimo nome. O Ghost Valley vem de Portland, Oregon, e faz algo próximo do post-rock. É um som (vá lá) experimental, sem dúvida, mas é bonito, doce e minimalista. Como na abertura com El matador e na onda ambient de Glass nebula / Furnace creek, com teclado ambient na introdução, e toques musicais que lembram o Kraftwerk da era Autobahn (1974), em que a banda ainda usava guitarras. Aos poucos, essa música vai ganhando dedilhados e até uma guitarra slide tipicamente pinkfloydiana.

Vão rolando modificações aos poucos no contexto do Ghost Valley: Vampyre é pós-punk introvertido e chuvoso, com beat mais do que minimalista e guitarra circular – uma música que parece ter sido gravada num quarto. Fear & loathing é quase progressiva, com guitarras em clima relax e um baixo que ajuda a dar sensação de completude no arranjo – até que ganha mais peso, intensidade e ar de interferência sonora. Tem ainda o synth pop doce de Topanga e o drone celestial de Airline sunset, com oito minutos. Uma beleza.

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Ouvimos: Tears Of A Martian – “Light II dark”

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Resenha: Tears Of A Martian – “Light II dark”

RESENHA: Tears Of A Martian mistura neo soul, indie e pop punk em estreia nostálgica, densa e elegante, com ecos de Amy Winehouse, Smiths e Khruangbin.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 8 de maio de 2026

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O Tears Of A Martian é um projeto musical criado por uma cantora e compositora de Detroit chamada Arianna Bardoni. O nome é usado por ela desde 2018, já rendeu alguns singles e EPs, e Light II dark é o primeiro álbum. Apesar do clima meio punk da capa, o som tem uma onda bem mais variada. Arianna, na voz e na guitarra, e a turma que toca com ela faz uma espécie de neo soul + jazz + pop punk, quase como se o disco fosse pensado para ser lançado em 1997 ou 1998, mas esperando para ser complementado por algum produtor mainstream. Faixas como o soul esparso Knock me down e o r&b indie e minimalista Dik têm clima de época, mas simultaneamente têm arranjos cheios de eco e ambiência, que apontam até para bandas como Khruangbin.

Músicas como Tower e Spotless mind fazem com guitarras quase limpas, baixo e bateria uma recriação da estileira soul-folk que tornou Corinne Bailey Rae famosa, enquanto Men é um rock + r&b oitentista com guitarras lembrando Smiths e interpretação análoga à de Amy Winehouse, mas bem mais contida. Um lado mais roqueiro, denso e tenso se avizinha do Tears Of A Martian em duas músicas que não abandonam o lado neo soul do projeto, Litltle blue flowers e Reel / Real. Nas letras, Arianna vai do amor ao humor em poucos minutos.

Light II dark é um disco bem underground e o Tears Of A Martian são o tipo de banda que ainda não foi abraçada pela coolzice indie. É a melhor hora pra se descobrir uma banda – mas por enquanto o som esparso e as guitarras tranquilas (na maior parte do tempo) são a cara do grupo, e algo a não ser perdido na mão de algum produtor.

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