Crítica
Ouvimos: Clara Ribeiro, “Amor para além do Atlântico Sul”

Nova cantora lançada pelo selo Banidos, de Duque de Caxias, Clara Ribeiro equilibra-se em seu primeiro EP, Amor para além do Atlântico Sul, entre o pop com cara marítima (e em tom levemente baiano), e o neo-soul, que pinta como uma tag forte em vários momentos do disco. A forma da água, a primeira faixa, já traz esse tipo de sonoridade, com um beat brasileiríssimo, valorizando arranjo e voz – ambos conectados ao universo pop, e a sons como Sade Adu e Erykah Badu.
O disco vai prosseguindo e ficando bem mais dançante, com cada faixa funcionando à sua maneira – e como se cada música fosse um mostruário de beats e vibrações diferentes. Cuidar de você abre com um ar quase house-funk no começo (axé-house-funk?). Encontros é uma dance music em parceria com o Enigma, com afrobeats e tom experimental dado pelos vocais. Das faixas do EP, é a que mais lembra uma canção que poderia ser usada em trilha de novela.
Uma curiosidade é que Amor para além do Atlântico Sul trata quase conceitualmente de um amor de praia que vai rolando e dando certo. Só que isso acontece apenas nas três primeiras faixas. Jogo bobo, reggae que encerra o EP, é a única música de descontentamento romântico do disco, com versos como “você promete mas nunca vem/pra você tanto faz/isso não faz bem, não me faz bem”. Mesmo destoando do restante do EP, em ritmo e em vibe, é valorizada pelo vocal macio e cheio de truques sonoros de Clara, e pelo trabalho do produtor e músico KNomoh. A estreia de Clara desliza entre mares calmos e ondas vibrantes, deixando no ar a promessa de um futuro cheio de boas surpresas.
Nota: 7,5
Gravadora: Banidos
Lançamento: 17 de janeiro de 2025.
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Crítica
Ouvimos: Makeshift Art Bar – “Marionette” (EP)

RESENHA: Makeshift Art Bar mistura jungle, industrial, ska e eletrônica pesada em Marionette, EP intenso, caótico e cheio de tensão.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Heist or Hit
Lançamento: 26 de junho de 2026
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Vindo da Irlanda do Norte, o Makeshift Art Bar é uma banda interessada em porrada, caos e ousadia: Marionette, o segundo EP, une sons eletrônicos e peso sem soar parecido com o Ministry ou com qualquer outra banda craque do estilo.
O som de faixas como Chocolate é basicamente um jungle distorcido e imagético, gravado como se fosse uma trilha de filme – dá para imaginar uma pista de dança escura bombando. Crows é um blues industrial porradeiro, em que o ritmo parece dado por várias correntes rangendo, enquanto a letra fala sobre incertezas e falta de paz.
- Ouvimos: Data Animal – Future of ghosts
Marionette é um EP curtinho, com duas faixas em cada metade. Discipline tem ares de Laibach e de Alien Sex Fiend – une música sombria, clima hi-energy, peso e ondas de pavor. Servant, no final, é um ska demoníaco e pesado, em que temas como controle mental e manipulação se tornam cada vez mais apavorantes.
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Crítica
Ouvimos: Bleeder – “Marble station” (EP)

RESENHA: Bleeder une pós-punk, post-rock e experimentalismo em Marble station, EP que transforma duas covers em viagens sonoras densas e sombrias.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Escho
Lançamento: 5 de junho de 2026
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Direto da Dinamarca, o Bleeder é o projeto musical de Peter Peter, mais conhecido como autor de trilhas de filmes de ação e crime. No EP Marble station, ele se cerca de amigos, como Elias Ronnelfelt (do Iceage), para unir pós-punk e experimentalismo roqueiro histórico.
Marble station tem quatro faixas, mas o clima é de ocupação sonora, abrindo com a faixa-título. São nove minutos de música em que as guitarras vão tomando conta de um jeitão até meio emo – mas com piano luminoso e clima perdido, quase de post-rock, em que o peso vai chegando aos poucos. Here comes the dead, a outra autoral do álbum, é metal post-rock, em clima sombrio e sonhador.
O repertório de Marble station é complementado por duas covers. Boy / girl, de Lydia Lunch, vira hardcore ruidoso e eletrônico, com ares de Ministry, mas ganhando até uma percussão. If not this time, música da pioneira banda experimental estadunidense Fifty Foot Hose, é psicodelia sombria sessentista. Loucura sonora mapeada.
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Crítica
Ouvimos: Jokas – “Ispiridiguiberto”

RESENHA: All Jokers vira Jokas e lança Ispiridiguiberto. São 16 minutos de punk e hardcore irônicos, pesados e maduros, entre zoeira, crítica e boas melodias.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Lixo-O-Rama Discos
Lançamento: 28 de junho de 2026
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Falamos outro dia de um álbum de onze minutos, mas tá aí a banda paulista Jokas quase na mesma linha. Ispiridiguiberto, o primeiro álbum do grupo, tem oito faixas e uma duração pouca coisa menos extravagante (16 minutos) que Magazine, o tal disco curto do YHWH Nailgun. O Jokas, que vem de Campinas (SP), é “das antigas”: é o clássico grupo punk All Jokers com outro nome, mas com a mesma receita irônica e ruidosa.
Ispiridiguiberto, primeiro álbum com o nome novo, oscila entre punk californiano e hardcore para falar de vida no limite (Vida de doidão), ruindades do mundo (Fuck this shit, a faixa-título), amores (She couldn’t wait, em clima meio The Clash, meio NOFX). Tem zoeira em tom surf-punk, A bosta, e hardcore em clima guerrilheiro, Come join us – completando com a beleza punk de Goodbye, grey sky e Sweet perfection. Som com peso, vocais bacanas e maturidade nas composições.
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