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Cultura Pop

E o primeiro disco do Clash fez 45 anos

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O primeiro disco do Clash fez 45 anos

Tivesse The Clash, estreia da banda punk britânica (lançada em 8 de abril de 1977) uma produção mais luxuosa, e a quantidade de clássicos do álbum estaria bem mais óbvia para os não-versados em punk rock. O disco de estreia de Joe Strummer (voz e guitarra), Mick Jones (voz e guitarra) e Paul Simonon (baixo), acrescidos do quebra-galho Terry Chimes (um ex-baterista que retornou rapidamente para gravar o LP, e que logo deu lugar a Topper Headon) saiu pela CBS inglesa, um crime em se tratando de uma banda punk – a ponto de Mark Perry, fundador do zine Sniffin glue, ter dito que o movimento acabou “quando o Clash assinou com a CBS”.

Na real, o Clash não estava tanto assim com o burrão na sombra: o contrato assinado pela banda não era nada maravilhoso, o grupo mal tinha a cobertura da CBS para os custos das turnês, e precisava aturar as cusparadas e os xingamentos dos fãs radicais (que tinham o Clash como os primeiros traidores do movimento). O primeiro álbum acabou sendo feito em apenas três semanas, por 4 mil libras, com produção feita a unha. A CBS ofereceu nomões de estúdio para tomar conta do disco, mas a banda preferiu gravar e mixar o álbum sob os cuidados de Mickey Foote, o “cara do som” dos seus shows.

The Clash, ainda assim, é um disco fantástico. E vale dizer que a CBS estava realmente interessada em lidar com uma banda punk e engajada. Tanto que White riot, uma controversa canção exortando os jovens pobres brancos a partir para o confronto – como já fazia a juventude negra de Londres – foi logo o primeiro single. Remote control, com todo seu discurso anti-sistema (e sua raiva pelas censuras que a banda teria sofrido ao excursionar com os Sex Pistols em 1976), veio na sequência.

>>> Mais The Clash no Pop Fantasma aqui

O Clash era o tipo da banda que tinha surgido para incomodar, seja citando a sujeira da política americana (I’m so bored with the USA, que inicialmente quase foi uma canção de dor-de-corno), ou respondendo aos ataques de jornalistas (Garageland, dedicada a um crítico que disse que a banda jamais deveria ter saido da garagem), ou revelando que havia máquinas vendendo camisinhas no Castelo de Windsor (a sacana Protex blue).

Career opportunities briga com a falta de empregos, com as vagas arrombadas de trabalho, e zoa o passado profissional de Mick Jones, que chegou a trabalhar no governo da Inglaterra como abridor de cartas (e eventual descobridor de cartas-bomba). Cheat prega que não existe progresso sem que alguns coitados sejam passados para trás – num discurso irônico que influenciaria várias bandas de rock nacional, como Plebe Rude, Legião Urbana e Inocentes. “Melhor você trapacear/não há razão para jogar limpo/trapaceie ou não chegue a lugar algum”. E tinha a versão da banda para Police and thieves, de Junior Murvin, que deixava de lado o esquema “curtinho” das canções do disco – eram seis minutos que incluíam até tentativas de produzir algo parecido com dub.

O Clash ganhou elogios com seu primeiro álbum, mas não conseguiu vendas enormes, nem mesmo conquistou a CBS americana, que o considerou um enorme mico, mal gravado e mal mixado, e não o lançou. Só que como cem mil cópias importadas foram vendidas nos EUA, a gravadora propôs à banda uma remixagem, lançada em 1979 quando a banda já preparava o duplo London calling. Músicas como Cheat, Deny e Protex blue saíram fora e deram lugar a canções como Complete control e Clash city rockers. Foi nessa base que os EUA conheceram o primeiro disco, mas para acompanhar o início verdadeiro da história, vale pegar o álbum como ele era de verdade. Ouça abaixo.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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