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Cultura Pop

Neil Young ensinando seus fãs a fazer comida usando maconha

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Neil Young ensinando seus fãs a fazer comida usando maconha

Aberto em 12 de fevereiro de 1974 no Greenwich Village, em Nova York, o clube Bottom Line tinha capacidade restrita (400 pessoas) e deu espaço a uma série de shows intimistas, tanto de novos artistas quanto de gente MUITO conhecida. Era o local escolhido por nomões quando queriam apresentar pequenas surpresas a seu público ou testar repertório. E em 16 de maio de 1974, foi a vez de Neil Young aparecer por lá para mostrar em primeira mão as músicas de um disco seu que sairia naquele ano, On the beach.

On the beach é tido por vários fãs e críticos como um dos discos mais tristes e estranhos de Neil Young, cujo método de trabalho na época confundia até mesmo seus mais fieis colaboradores. Young alternava instrumentos como guitarra, banjo e piano, e usava vários músicos de estúdio, seguindo uma linha mestra que praticamente só havia na sua mente. Neil mandou para o vinil vários rascunhos de mixagem. O tom das músicas ia do depressivo ao muito depressivo. Não era, pelo menos do ponto de vista comercial, a melhor opção para suceder Harvest (1972), seu disco mais bem sucedido.

Se os fãs ficaram assustados com o tom abrasivo de músicas como Revolution blues (na qual fala sobre Charles Manson, com quem havia se encontrado e até tirado um som junto, bem antes dos assassinatos da “família” ficarem conhecidos), a vida pessoal de Young também não ia bem desde 1972.

O músico perdera dois grandes amigos, Danny Whitten, guitarrista do Crazy Horse, e o roadie Bruce Berry, ambos por complicações ligadas ao abuso de drogas. Whitten, ainda por cima, tinha sido demitido por Young de sua banda de turnê, por não estar conseguindo ficar de pé no palco. Entre Harvest e On the beach, Young ainda gravou – com remanescentes do Crazy Horse e mais alguns chegados – o disco duplo Tonight’s the night. Mas o álbum, mais depressivo ainda que On the beach, só sairia em 1975.

Quando Young subiu no palco do Bottom Club, o público mal sabia que ele estaria ali, já que Ry Cooder e Leon Redbone se limitaram a avisar (e isso às 2h15 da madrugada) que haveria uma surpresa. Neil subiu no palco e anunciou uma canção chamada Citizen Kane Junior Blues – que na verdade era Pushed it over the end, depois gravada por Crosby, Stills, Nash & Young no retorno do grupo em 1974.

Seguiu apresentando material que estaria em On the beach, seu próximo disco: a faixa-título, Ambulance blues e Revolution blues. E Motion pictures (For Carrie). Neil, que sempre empurrou com a barriga um relançamento desse disco (que passou décadas fora de catálogo e só foi lançado em CD na década passada), pôs na música seu casamento com a atriz Carrie Snodgress, que durou cinco anos, gerou seu filho Zeke e foi marcado por brigas e abuso de drogas.  A canção foi feita antes do rompimento do casal.

Foi justamente apresentando essa música que Young resolveu dividir com a plateia do Bottom Line a maluquice psicodélica que ele e seus músicos consumiam durante a gravação de On the beach: uma mistura chamada honey slides, que consiste em uma mistura de mel e maconha barata. E que segundo o empresário de Neil, Elliot Roberts, era quase debilitante. “Era pior que heroína, muito mais pesado. Em dez minutos, você estava catatônico”.

A receita do honey slides que deixou Neil Young e seus colaboradores malucos tá aqui (resolvemos nem copiar aqui no POP FANTASMA para, er, não facilitar as coisas pra ninguém), e foi revelada pelo artista para seus fãs no palco do Bottom Club, durante a execução da música que ele fez para sua mulher. Aliás, vale afirmar que o guitarrista Rusty Kershaw chegou a escrever um texto, que saiu na reedição de On the beach, afirmando que durante as gravações do álbum, “estava comendo o tapete e os suportes para microfones, e, enquanto isso, comecei a me arrastar em direção a Neil, o que é bastante assustador”. Imagina.

E, sim, já saiu bootleg com essa noite maluca na vida de Neil Young. Pega aí. Aliás, você deve se lembrar, Neil Young teve problemas para conseguir a cidadania americana porque sempre admitiu que gostava de fumar maconha.

Cultura Pop

R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

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R.E.M. recorda os 44 anos do primeiro contrato com uma gravadora

No dia 31 de maio de 1982, a gravadora I.R.S. enviava um press release avisando que havia assinado com o R.E.M., “uma banda de Athens, Georgia, aclamada pela crítica”. E já anunciava que no dia 26 de agosto sairia o EP Chronic town, com as faixas 1,000,000, Stumble, Wolves, lower, Gardening at night e Carnival of sorts (Boxcars). A foto de imprensa, em preto e branco, trazia Peter Buck (guitarra), Mike Mills (baixo), Bill Berry (bateria) e Michael Stipe (vocais) com visual pós-adolescente.

“O EP vai ser seguido por um álbum no ano que vem. O R.E.M. planeja fazer uma turnê pelo Oeste do país durante o verão, seguida pelos estados da Costa Leste e do Canadá durante o Outono”, avisava a gravadora, oferecendo também o contato da empresária Betsy Alexander, primeira pessoa a cuidar profissionalmente do grupo, ajudando em contatos, logística e gestão. O release só errava na ordem das músicas do EP, que possivelmente ainda não estava decidida (Chronic town também saiu dividido em duas partes, com lado A nomeado Chronic town e lado B com nome Poster torn)

O contrato era de longo prazo e previa cinco discos – ou seja, tudo que saiu do grupo até Life’s rich pageant, o quarto álbum, de 1986. Depois disso, o grupo renegociou e lançou o quinto disco, Document, de 1987 – mas acabou migrando para a Warner e terminando o contrato com a coletânea Eponymous (1988).

A I.R.S. tinha sido criada em 1979 por Miles Copeland III, irmão de Stewart Copeland, baterista do The Police. O selo vinha da cena punk/new wave britânica e funcionava como uma espécie de ponte entre o underground e uma estrutura profissional de distribuição via A&M (a gravadora do Police, por acaso).

Na época em que o R.E.M. assinou, a I.R.S. já tinha grupos como Wall of Voodoo, Oingo Boingo, The Go-Go’s e The English Beat. Era um selo muito ligado a college radio, pós-punk, new wave e à ideia de independência artística. Depois, virou praticamente sinônimo do rock universitário americano dos anos 1980 por causa do próprio R.E.M.

A entrada da banda na gravadora aconteceu muito por conexões da cena. O empresário/agente Ian Copeland, irmão de Miles e Stewart, já acompanhava o grupo desde os primeiros shows em Athens. O baterista Bill Berry tinha trabalhado para Ian em Macon como roadie e serviços-gerais, e mantinha contato com ele. Isso ajudou o R.E.M. a conseguir shows de abertura para bandas maiores, como The Police e Gang of Four, até chamar atenção da I.R.S.

E olha o post comemorativo do R.E.M. aí.

 

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Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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