Cultura Pop
Era assim que se fazia música eletrônica em 1968 – confira!

O site Voices Of West Anglia fez um verdadeiro achado no YouTube: um sujeito chamado Peter Zinovieff, russo radicado no Reino Unido, que criou música eletrônica em 1968 montando uma verdadeira central de computadores no subsolo do jardim de casa, e acabou desenvolvendo o sintetizador VCS3 – usado em discos de Pink Floyd, David Bowie, Kraftwerk e muitos outros artistas. Aqui embaixo você confere o estúdio do cara naquela época. Era “o primeiro computador caseiro do mundo”, como enfatizaria depois o próprio Zinovieff.

Olha o Peter Zinovieff aí, gente! Chora, Vocoder!
Bom, a central de Zinovieff lembra mais aqueles filmes de antigamente que tentavam prever o futuro – o que é fantástico. Antes de ligar toda a aparelhagem e fazer com que dela saia algum som, ele digita sinais num teclado, liga fios, analisa gráficos e espera que tudo se traduza em sons e (algumas) imagens.
O criador do VCS3 tinha doutorado em Geologia pela Universidade de Oxford e já tinha montado um grupo de música eletrônica em 1966, o Unit Delta Plus, ao lado de Delia Derbyshire e Brian Hodgson. Não deu muito certo na época, mas algumas músicas criadas e gravadas pelo trio foram usadas como trilhas sonoras para séries da BBC, como “Tomorrow People”. O que mais agradava Zinovieff era gravar sons eletrônicos, manipular fitas e criar coisas – e desenvolver traquitanas eletrônicas.
Olha aí um minuto e meio de som produzido pelo grupo.
Em 1967, participou do concerto que pela primeira vez apresentou música eletrônica ao vivo na Inglaterra, no Queen Elizabeth Hall. Mais ou menos nessa época, Zinovieff montou o EMS (Electronic Music Studios), em que dividia forças com David Cockerell e Tristram Carey e produzia sintetizadores.

Dizem que a turma chegou a fazer mais de 800 peças, mas a numeração dada aos instrumentos era imprecisa. Eles fizeram parcerias com a gigante asiática Yamaha e em 1976 desenvolveram o Vocoder – sintetizador de voz “de robô” usadíssimo na época da disco music e até hoje básico para a música eletrônica. Só não conseguiram ver o resultado do seu trabalho expresso em ganhos financeiros. Criatividade não faltava: o lema da EMS era “pense num som, agora faça!”.
Hoje você tem esse tipo de efeito, se bobear, no seu iPhone.
Em 2015, o “The Guardian” achou Peter, aos 82 anos, em seu home studio em Cambridge, e bateu um papo com ele. O criador dos sintetizadores e do sampling estava lançando um disco duplo com as primeiras composições que fez usando computadores, “Electronic calendar”. E contou ter ensinado todo mundo a mexer nas máquinas: Beatles, Pink Floyd, Kraftwerk.
“Fui à casa de Ringo Starr ensiná-lo a mexer no VCS3. Foi um tempo legal. Ele não era muito bom no instrumento, mas isso nem eu era”, brincou. Zinovieff poderia ter sido uma espécie de George Martin dos Beatles para assuntos eletrônicos. Aliás, foi ele que dividiu forças com Paul McCartney na tal peça eletrônica “Carnival of light”, feita em 1967, tocada em público só uma vez e nunca lançada. “Queria falar com ele sobre essa música, mas como você faz para falar com deus?”, brincou.
Ficou com vontade de ver mais? Pegue aí esse vídeo que traz dois documentários sobre Zinovieff, com imagens raras e mais momentos em que o tal “primeiro computador caseiro” é acionado.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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