Cultura Pop
Lynsey de Paul: música pop, feminismo e defesa pessoal (!) nas paradas

“Lynsey de Paul era a Adèle de sua época – uma versão judia de Adèle, pequena, loira e rabugenta”. Em 2013, o portal The Jewish Chronicle aproveitava o lançamento da coletânea Sugar and beyond pelo selo Cherry Red, para bater um papo com a cantora britânica Lynsey de Paul, cujo sucesso na Inglaterra dos anos 1970 parecia um passado distante, já que seus últimos hits nas paradas haviam saído quando Never mind the bollocks, dos Sex Pistols, era um disco novo.
A artista (judia, nascida Lyndsey Monckton Rubin em 1950, daí o interesse do portal), na prática, não estava desaparecida do mapa naquela época. Dirigia uma empresa arrecadadora de direitos autorais e cuidava da grana destinada para filmes independentes. Tinha lançado discos inéditos, além de outras compilações, nos anos 1990. Mas o sucesso anterior de Lynsey, para toda uma nova geração que talvez não conhecesse o som dela, impressionava. Nos anos 1970, após um período em que trabalhou apenas compondo para outros artistas, figurou no Globo de Ouro britânico, o Top of the pops, cantando hits pops fofos como Sugar me, de 1972 (feita originalmente para Peter Noone, dos Herman’s Hermits, gravar solo), e Won’t somebody dance with me?, de 1973.
Nesse período, Lynsey ganhou duas vezes o prêmio Ivor Novello – por sinal foi a primeira mulher a ganhar a honraria. Uma das vezes em que recebeu o prêmio, foi por causa de um tema de sitcom: No, honestly, uma série-comédia-romântica que teve apenas uma temporada em 1974. Pouco antes disso, em 1973, já havia brigado com meio mundo no selo britânico MAM (criado por ninguém menos que Tom Jones) para conseguir produzir sozinha seu primeiro disco, Surprise, no qual também era autora ou co-autora de todas as músicas.
“Foi tão rápido que eu não sabia direito o que estava acontecendo”, contou ela ao The Jewish Chronicle. Na sequência dos hits, a cantora acumulou outros temas para programas de TV, e até apareceu nos tabloides (por causa de namoros com alguns famosos, como Ringo Starr). No começo dos 1980, após passar um tempo na Califórnia, diversificou as atividades: além de lançar discos, trabalhou como atriz e produziu outros artistas. Em 1982, estreou como radialista na Capital Radio, mostrando novos artistas e suas demos.
A história de Lynsey antes da fama é cheia de detalhes bem tristes e complexos. Estudante de música e desenho desde cedo, ela convivia em casa com mãe, pai e irmão mais velho – e o pai era um espancador miserável que violentava tanto ela quanto o irmão. O avô também havia sido um sujeito violento com a família. Nem o pai nem a mãe, músicos amadores, toleravam que ela ouvisse música pop. Aos 19 anos, a gota d’agua: seu pai a espancou e Lynsey teve uma concussão cerebral que durou dois dias. Saiu de casa e foi morar num pequeno apartamento perto de sua universidade. Ela estudava artes e já fazia trabalhos como desenhista, incluindo capas de discos.
Na época dos primeiros hits, Lynsey foi imediatamente comparada com outros nomes femininos, como Carole King – foi o que lhe garantiu suas primeiras gravações, num mercado que sempre funciona por categorias e que, quase sempre, dá espaços contados para mulheres. O relacionamento com Gordon Mills, sócio de Tom Jones no selo MAM (que também lançava artistas como Gilbert O’Sullivan, de Alone again), nunca foi lá essas maravilhas e ela sempre achava que estava perdendo grana. Foi bater na porta de Don Arden, empresário de bandas como Electric Light Orchestra – e pai de Sharon Osbourne. Deu certo por uns tempos. Arden sempre foi ditatorial, deselegante ao extremo e Lynsey nunca foi de levar desaforo pra casa. “Ele era um vigarista”, definiu a cantora, que passou a ter problemas para se apresentar após a treta com Arden.
Os anos 1990 e 2000 viram Lynsey continuar lançando discos e diversificar ainda mais sua carreira. Por acaso, em 2006, resolveu produzir e apresentar um documentário sobre defesa pessoal, Taking control. A ideia, disse ela, veio porque “todo dia quando eu abria o jornal, tinha alguma notícia de mulher assassinada, desaparecida ou estuprada. Fiquei tão indignada que pensei: alguém deveria fazer algo a respeito. Treinei jiu jitsu por um ano. Recebi um prêmio da Royal Society TV e cartas de mulheres me parabenizando por ter feito a diferença”, contou. Esse filme está dividido em três partes no YouTube.
O tal papo com o Jewish Chronicle aconteceu numa época de bastante atividade para Lynsey. E acabou sendo uma das últimas entrevistas grandes dela – a cantora morreu em 1 de outubro de 2014, supostamente de hemorragia cerebral. Ficaram os hits e uma história repleta de terceiros, quartos e quintos atos, e novos lances.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
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